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Foi na roça, à tardinha. Éramos ela
E eu — bem longe de vistas indiscretas.
Ela corria atrás das borboletas,
E revistava os ninhos sem cautela.
Eu pelas cercas via a flor mais bela
Para plantar em suas tranças pretas,
E cousas lhe dizia tão secretas
Que a fala em beijos ia ao rosto dela.
Ei-la que salta o córrego, e num vime
Se apóia, treme e rápidos assombros,
Com medo de cair, no olhar exprime.
Firmando os pés das margens sobre os combros,
Curvo-me, por salvá-la, e me comprime
Um céu macio que me cai nos ombros.
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E eu — bem longe de vistas indiscretas.
Ela corria atrás das borboletas,
E revistava os ninhos sem cautela.
Eu pelas cercas via a flor mais bela
Para plantar em suas tranças pretas,
E cousas lhe dizia tão secretas
Que a fala em beijos ia ao rosto dela.
Ei-la que salta o córrego, e num vime
Se apóia, treme e rápidos assombros,
Com medo de cair, no olhar exprime.
Firmando os pés das margens sobre os combros,
Curvo-me, por salvá-la, e me comprime
Um céu macio que me cai nos ombros.
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Páginas de Ouro da Poesia
Brasileira — Seleção e Prefácio de Alberto de Oliveira, H. Garnier,
Livreiro Editor, 1911, Rio de Janeiro — RJ; sobre José de Moraes
Silva (1832 — 1896), ou J.de Moraes Silva, até onde esse aprendiz de blogueiro
soube e pode pesquisar, não foi encontrado registro de nenhuma outra referência;
no livro Páginas de Ouro da Poesia Brasileira, sobre o autor, além do registro
de um poema, o soneto ‘Athlante’, constam também o seu nome e seus anos de
nascimento e morte; fica a dica para o leitor/leitora contribuir com a
pesquisa.