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Operário e filósofo, Spinosa
lidou com as mãos e o cérebro alapar;
reparando u’a máquina mimosa,
a máquina do mundo ia a estudar.
Adejava-lhe a mão, meticulosa,
lá onde tinha preso o agudo olhar:
voava-lhe a mente na amplidão, à rosa
dos ventos solta, pássaro a voar.
É que o trabalho é educador perfeito:
põe-nos o ser por um caminho estreito;
e de tantas passadas que lá faz,
fica este ser mais livre do que nunca,
pois nenhuma surpresa a idéia trunca,
e ela consigo se conserva em paz.
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Amadeu Amaral — Poesias Completas, 1977,
Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo em co-edição
com Editora Hucitec, São Paulo — SP; Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado
(1875 — 1929), paulista de Capivari (hoje Monte Mor), foi poeta, jornalista, crítico,
folclorista, ensaísta e filólogo; autodidata, sem concluir o curso secundário, trabalhou
nos jornais Correio Paulistano, O Estado de São Paulo, Diário da Noite, em São Paulo, e Gazeta de Notícias (do Rio); suas obras: Urzes (poesia, 1889), Névoa (poesia,
1902), Espumas (poesia, 1917), Letras Floridas (ensaio, 1920), O Dialeto Caipira
(filologia, 1920), Lâmpada Antiga (poesia, 1924), O Elogio da mediocridade (ensaio,
1924) etc.