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sábado, 7 de janeiro de 2023

Akiri Conakri: Mãos ao alto


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não usarei eufemismo
não sou brando
sou de lavoura
e minha foice
arrancará tua alma

SUBSTITUIREI SEU CORAÇÃO
VICIADO POR AMOR E LUTA

já nasci com acúmulos de derrotas,
meus avós nunca desistiram
o campo é mais que um emaranhado verde,
meu martelo não
pregará apenas cercas, mas destruirá seus muros capitais
contaminados de ódio
isso não é um poema
são palavras engatilhadas para sua rendição.

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Negritude — [10 poetas & 30 poemas] coleção SLAM, Organização de Emerson Alcalde, 2019, Autonomia Literária, São Paulo — SP; Akiri Conakri, ou Jhon Conceito, ou Jonatas Santos de Almeida, de Vila Velha ES, um “canela verde” nascido em 1985, estudou Comunicação Social na Faculdade Novo Milênio, em Vila Velha, e História na Faculdade Saberes, em Vitória, é ator-MC, diretor de eventos, diretor musical, historiador, articulador cultural, compositor, orientador social, apresentador, escritor, poeta e slammer*; escreve desde os dez anos de idade, é fundador do SLAM Botocudos, organizador do SLAM ES e um dos formadores do coletivo Literatura Marginal ES; suas obras: Meus Versos — zine (2013), Só quero viver — O CD: resumo de 14 anos de caminhada no movimento hip hop (rap, samba e poesia falada, 2015), Palavras Mortas (livro/zine, 2016), Depois do Nada (poesia de papelão, 2016), Poesia dá Cadeia (2020), além de projetos literário-poéticos e culturais em escolas, faculdades e outros espaços capixabas.

* Nota deste Verso e Conversa: algumas referências sobre SLAM — a) uma palavra inglesa que significa “batida”, to slam = bater, uma expressão cujo significado se assemelha ao som de uma “batida” de porta ou janela, “algo próximo do nosso ‘pá!’ em língua portuguesa”, é o que nos diz Cynthia Agra de Brito Neves, prefaciadora de Antifa coleção SLAM; b) nos anos oitenta do último século passado, consta que, surgido inicialmente em Chicago — EUA, virou sinônimo de poesia falada; c) a poetry-slam, assim conhecida, também chamada “batalha das letras”, é uma competição de poesia falada que traz questões da atualidade para debate; d) no Brasil, o movimento SLAM veio à tona em 2008; e) slammers: poetas do SLAM, participantes ativos do SLAM.

domingo, 18 de dezembro de 2022

Akiri Conakri: Trabalhar a dor

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um sentimento revolto
ruge dentro
de mim

vejo o mundo retroceder apagando as pegadas de minha mãe
minha bandeira foi tingida
com meu próprio sangue
dou meu sangue
por minha bandeira
não há guerra sem luta

VIVEMOS NUMA
ORDEM SEM
JUSTIÇA

VERMELHO
ENCARNADO
COM A VITÓRIA

RUBRO

ESCARLATE SEM
RECUO

RUTILANTE
COMO O OLHAR
DE NOSSOS
COMPANHEIROS.

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Negritude — [10 poetas & 30 poemas] coleção SLAM, Organização de Emerson Alcalde, 2019, Autonomia Literária, São Paulo — SP; Akiri Conakri, ou Jhon Conceito, ou Jonatas Santos de Almeida, de Vila Velha ES, um “canela verde” nascido em 1985, estudou Comunicação Social na Faculdade Novo Milênio, em Vila Velha, e História na Faculdade Saberes, em Vitória, é ator-MC, diretor de eventos, diretor musical, historiador, articulador cultural, compositor, orientador social, apresentador, escritor, poeta e slammer*; escreve desde os dez anos de idade, é fundador do SLAM Botocudos, organizador do SLAM ES e um dos formadores do coletivo Literatura Marginal ES; suas obras: Meus Versos — zine (2013), Só quero viver — O CD: resumo de 14 anos de caminhada no movimento hip hop (rap, samba e poesia falada, 2015), Palavras Mortas (livro/zine, 2016), Depois do Nada (poesia de papelão, 2016), Poesia dá Cadeia (2020), além de projetos literário-poéticos e culturais em escolas, faculdades e outros espaços capixabas.

* Nota deste Verso e Conversa: algumas referências sobre SLAM — a) uma palavra inglesa que significa “batida”, to slam = bater, uma expressão cujo significado se assemelha ao som de uma “batida” de porta ou janela, “algo próximo do nosso ‘pá!’ em língua portuguesa”, é o que nos diz Cynthia Agra de Brito Neves, prefaciadora de Antifa coleção SLAM; b) nos anos oitenta do último século passado, consta que, surgido inicialmente em Chicago — EUA, virou sinônimo de poesia falada; c) a poetry-slam, assim conhecida, também chamada “batalha das letras”, é uma competição de poesia falada que traz questões da atualidade para debate; d) no Brasil, o movimento SLAM veio à tona em 2008; e) slammers: poetas do SLAM, participantes ativos do SLAM.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Akiri Conakri: Eu quero ser


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eu quero ser isso
que não te agrada
o insuportável que
te deixa dormir
tunado watts
ensurdecedor

pedra gigante que se desloca rolando em bairro nobre
incêndio provocado por revoltas contras suas “conquistas” falsas
o favelado que sabe ler
o que decifra sua estupidez
o que nunca mais te elege
o que te cobra com juros
o que vende pó pro seu filho
o que nunca te pediu nada
quero ser poema de Marcelino Freire
o que entendeu Nietzsche, que não vê TV,
que não mata e ressuscita
que não bate continência, resistente,
que não crê, que não é pecado
quero ser atípico num mundo comum
quero o que é meu
o que foi roubado
eu quero sua alma
eu quero é mais
retaliação pras minhas crises, meu universo, meus banhos quentes
se vai engolir sua lama
a lama da qual você criou para que eu me suje enquanto acumula fortuna
o diabo não é pobre
só eu sou pobre em acreditar em seu trabalho digno
nas suas privatizações, indenizações

SEU SORRISO BRANCO
SEU OLHAR BRANCO
SUA MÃO BRANCA
MEU OLHAR AMARELO
MEU SORRIO AMARELO
MINHA PELA AMARELA
DE SUA LAMA.

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Negritude — [10 poetas & 30 poemas] coleção SLAM, Organização de Emerson Alcalde, 2019, Autonomia Literária, São Paulo — SP; Akiri Conakri, ou Jhon Conceito, ou Jonatas Santos de Almeida, de Vila Velha ES, um “canela verde” nascido em 1985, estudou Comunicação Social na Faculdade Novo Milênio, em Vila Velha, e História na Faculdade Saberes, em Vitória, é ator-MC, diretor de eventos, diretor musical, historiador, articulador cultural, compositor, orientador social, apresentador, escritor, poeta e slammer*; escreve desde os dez anos de idade, é fundador do SLAM Botocudos, organizador do SLAM ES e um dos formadores do coletivo Literatura Marginal ES; suas obras: Meus Versos — zine (2013), Só quero viver — O CD: resumo de 14 anos de caminhada no movimento hip hop (rap, samba e poesia falada, 2015), Palavras Mortas (livro/zine, 2016), Depois do Nada (poesia de papelão, 2016), Poesia dá Cadeia (2020), além de projetos literário-poéticos e culturais em escolas, faculdades e outros espaços capixabas.

* Nota deste Verso e Conversa: algumas referências sobre SLAM — a) uma palavra inglesa que significa “batida”, to slam = bater, uma expressão cujo significado se assemelha ao som de uma “batida” de porta ou janela, “algo próximo do nosso ‘pá!’ em língua portuguesa”, é o que nos diz Cynthia Agra de Brito Neves, prefaciadora de Antifa coleção SLAM; b) nos anos oitenta do último século passado, consta que, surgido inicialmente em Chicago — EUA, virou sinônimo de poesia falada; c) a poetry-slam, assim conhecida, também chamada “batalha das letras”, é uma competição de poesia falada que traz questões da atualidade para debate; d) no Brasil, o movimento SLAM veio à tona em 2008; e) slammers: poetas do SLAM, participantes ativos do SLAM.