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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Ted Hughes: Horóscopo

 
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[traduzido por Paulo Henriques Britto]

Você queria estudar
Os seus astros os carcereiros
Da sua prisão, o zodíaco. Os planetas
Murmuravam fórmulas babilônicas
Como os ossos de um xamã. Você temia, com razão,
Que os ossos rugissem muito alto,
Que um ouvido captasse com clareza
O que os ossos sussurravam
Ainda que imersos em carne cálida.

Mas você não precisava calcular
Os graus do seu disruptor do ascendente
Em Áries. Nenhum significado definido nada mais,
Segundo o livro babilônico,
Que um rosto marcado. Que mágico
Poderia enxergar mais fundo sob a pele?

Para você, bastava olhar
No rosto mais próximo de uma metáfora
Tirada do seu armário ou de seu prato
Ou então do sol, da lua ou dos teixos
Para ver seu pai, sua mãe, ou a mim
A lhe trazer todo o seu Destino.

Ted Hughes

Horoscope

You wanted to study
Your stars the guards
Of your prison yard, their zodiac. The planets
Muttered their Babylonish power-sprach
Like a witchdoctor's bones. You were right to fear
How loud the bones might roar
How clear an ear might hear
What the bones whispered
Even embedded as they were in the hot body.

Only you had no need to calculate
Degrees for your ascendant disruptor
In Aries. It meant nothing certain no more
According to the Babylonian book
Than a scarred face. How much deeper
Under the skin could any magician peep?

You only had to look
Into the nearest face of a metaphor
Picked out of your wardrobe or off your plate
Or out of the sun or the moon or the yew tree
To see your father, your mother, or me
Bringing you your whole Fate.
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Cartas de aniversário: poemas — Ted Hughes, edição bilíngue, Tradução de Paulo Henriques Britto e Prefácio de Leonardo Fróes, 1999, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Ted Hughes, ou Edward James Hughes (1930 1998), inglês de Mytholmroyd Yorkshire, cursou o Schofield Street Junior School, frequentou o Mexborough Secondary School (mais tarde Grammar School), estudou inglês no Pembroke College Cambridge, aprendeu antropologia e arqueologia, foi poeta, dramaturgo, tradutor, contista e escritor de literatura infantil; ainda estudante no Pembroke, publicou seus poemas The Little Boys and the Seasons e Song of the Sorry Lovers nas revistas estudantis Granta e Chequer; em 1964, fundou a “literary magazineModern Poetry in Translation (MPT), juntamente com Daniel Weissbort, 1º número editado em 1965: tinha o objetivo de tornar conhecidos, no ambiente literário britânico, escritores, poetas e obras do mundo afora; editou e traduziu poemas de Frank Wedekind, García Lorca, Yehuda Amichai, János Pilinszky, Ovídio, Ésquilo, Racine e Eurípedes; suas obras: em poesia: The Hawk in the Rain (O Falcão na Chuva, 1957), Lupercal (1960), Wodwo (1967), From the Life and Songs of the Crow (O Corvo: Da Vida e das Canções do Corvo, 1970), Moortown (1978, reeditado acrescido de + poemas em 1979), Birthday Letters (Cartas de Aniversário, 1998), Howls and Whispers (coletânea de 11 poemas, tiragem de apenas 100 exemplares, 1998), literatura infantil: The Iron Giant ou The Iron Man (romance para crianças, O Homem de Ferro, 1968), What Is the Truth? (Qual é a Verdade?, 1984) e outros títulos em verso, prosa, literatura infantil e várias peças radiofônicas; recebeu premiações por suas obras: Guardian Prize (1984), por What Is the Truth? [livro para crianças, Qual é a Verdade?], Forward Poetry Prize, T. S. Eliot Prize (ambos em 1998) e British Book of the Year award (1999), pela coletânea de poemas Birthday Letters [Cartas de aniversário], e o Whitbread Book of the Year (1997), pela tradução de Ovídio (Tales from Ovid [Contos de Ovídio, ‘trechos de Metamorfose’]); Ted Hughes foi casado com a também poeta Sylvia Plath, de 1955 a 1963, ano em que Sylvia se suicidou com a cabeça em um forno a gás ligado (antes havia calafetado a porta do quarto e aberta a janela apesar da nevasca onde estavam duas crianças [filha e filho dela e de Hughes], protegendo-as); em 1969, Assia Wevill, companheira de Hughes, também tirou a própria vida usando o mesmo método: asfixia por um fogão a gás, matando também sua filha cujo pai era Ted Hughes; em 2009, Nicholas Hughes, filho de Sylvia Plath e de Ted Hughes, acometido de depressão, sofreu suicídio por enforcamento [não era casado nem tinha filhos].

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ted Hughes: O Minotauro

 
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[traduzido por Paulo Henriques Britto]

A mesa de mogno que você quebrou
Era o tampo largo do aparador
Que minha mãe havia herdado
Mapa de riscos de toda a minha vida.

Foi isso que você martelou
Com um banco alto aquele dia,
Enlouquecida por eu estar vinte minutos
Atrasado para cuidar da criança.

“Maravilhoso!” gritei. “Isso mesmo,
Quebre tudo em pedacinhos.
Isso você não põe nos seus poemas!”
Depois, consciente, mais calmo,

“Ponha no ombro essas estrofes
E vamos.” No fundo da gruta do seu ouvido
O gnomo estalou os dedos.
O que lhe dera eu, afinal?

A ponta sangrenta da madeixa
Que desenredou o seu casamento,
Deixou os seus filhos ecoando
Como túneis de um labirinto,

Deixou a sua mãe num beco sem saída,
Levou você ao touro enfurecido
Da tumba do seu pai ressuscitado
E deixou-a morta lá dentro.

Ted Hughes

The Minotaur

The mahogany table-top you smashed
Had been the broad plank top
Of my mother's heirloom sideboard
Mapped with the scars of my whole life.

That came under the hammer.
That high stool you swung that day
Demented by my being
Twenty minutes late for baby-minding.

'Marvellous!' I shouted, 'Go on,
Smash it into kindling.
That's the stuff you're keeping out of your poems!'
And later, considered and calmer,

'Get that shoulder under your stanzas
And we'll be away.' Deep in the cave of your ear
The goblin snapped his fingers.
So what had I given him?

The bloody end of the skein
That unravelled your marriage,
Left your children echoing
Like tunnels in a labyrinth,

Left your mother a dead-end,
Brought you to the horned, bellowing
Grave of your risen father
And your own corpse in it.
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Cartas de aniversário: poemas — Ted Hughes, edição bilíngue, Tradução de Paulo Henriques Britto e Prefácio de Leonardo Fróes, 1999, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Ted Hughes, ou Edward James Hughes (1930 1998), inglês de Mytholmroyd Yorkshire, cursou o Schofield Street Junior School, frequentou o Mexborough Secondary School (mais tarde Grammar School), estudou inglês no Pembroke College Cambridge, aprendeu antropologia e arqueologia, foi poeta, dramaturgo, tradutor, contista e escritor de literatura infantil; ainda estudante no Pembroke, publicou seus poemas The Little Boys and the Seasons e Song of the Sorry Lovers nas revistas estudantis Granta e Chequer; em 1964, fundou a “literary magazineModern Poetry in Translation (MPT), juntamente com Daniel Weissbort, 1ª número editado em 1965: tinha o objetivo de tornar conhecidos, no ambiente literário britânico, escritores, poetas e obras do mundo afora; editou e traduziu poemas de Frank Wedekind, García Lorca, Yehuda Amichai, János Pilinszky, Ovídio, Ésquilo, Racine e Eurípedes; suas obras: em poesia: The Hawk in the Rain (O Falcão na Chuva, 1957), Lupercal (1960), Wodwo (1967), From the Life and Songs of the Crow (O Corvo: Da Vida e das Canções do Corvo, 1970), Moortown (1978, reeditado acrescido de + poemas em 1979), Birthday Letters (Cartas de Aniversário, 1998), Howls and Whispers (coletânea de 11 poemas, tiragem de apenas 100 exemplares, 1998), literatura infantil: The Iron Giant ou The Iron Man (romance para crianças, O Homem de Ferro, 1968), What Is the Truth? (Qual é a Verdade?, 1984) e outros títulos em verso, prosa, literatura infantil e várias peças radiofônicas; recebeu premiações por suas obras: Guardian Prize (1984), por What Is the Truth? [livro para crianças, Qual é a Verdade?], Forward Poetry Prize, T. S. Eliot Prize (ambos em 1998) e British Book of the Year award (1999), pela coletânea de poemas Birthday Letters [Cartas de aniversário], e o Whitbread Book of the Year (1997), pela tradução de Ovídio (Tales from Ovid [Contos de Ovídio, ‘trechos de Metamorfose’]); Ted Hughes foi casado com a também poeta Sylvia Plath, de 1955 a 1963, ano em que Sylvia se suicidou com a cabeça em um forno a gás ligado (antes havia calafetado a porta do quarto e aberta a janela apesar da nevasca onde estavam duas crianças [filha e filho dela e de Hughes], protegendo-as); em 1969, Assia Wevill, poeta que vivia e morava com Ted Hughes, também tirou a própria vida usando o mesmo método: asfixia por gás de fogão, antes matando também sua filha cujo pai era Hughes; em 2009, Nicholas Hughes, filho de Sylvia Plath e de Ted Hughes, acometido de depressão, suicidou-se por enforcamento [não foi casado nem tinha filhos].

sábado, 18 de maio de 2019

Elizabeth Barrett Browning: Quando penso que há um ano, meu querido, . . . [soneto]

Sonetos da Portuguesa
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[traduzido por Leonardo Fróes]

20

Quando penso que há um ano, meu querido,
Já pisavas em torno e eu só, na neve,
Não notava qualquer pegada leve
Nem ouvia o silêncio recolhido
Dar vez à tua voz, porque elo a elo
Ia contando o peso das correntes,
Sem perceber que um dia finalmente
Virias rebentá-las. Bebo, ao vê-lo,
Desta taça de espantos que é a vida!
Em noite ou dia nunca ouvi tremor
De fala ou gesto ao meu redor. Sentida
Presciência de ti não trouxe a flor
Que, alva, viste crescer! Deus à escondida
Tolos ateus não sabem como ver.

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Elizabeth Barrett Browning

XX

Beloved, my Beloved, when I think
That thou wast in the world a year ago,
What time I sat alone here in the snow
And saw no footprint, heard the silence sink
No moment at thy voice, but, link by link,
Went counting all my chains as if that so
They never could fall off at any blow
Struck by thy possible hand,  why, thus I drink
Of life’s great cup of wonder! Wonderful,
Never to feel thee thrill the day or night
With personal act or speech  nor ever cull
Some prescience of thee with the blossoms white
Thou sawest growing! Atheists are as dull,
Who cannot guess God’s presence out of sight.
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Sonetos da Portuguesa — Elizabeth Barrett Browning, edição bilíngue, Tradução e Posfácio de Leonardo Fróes, Editora Rocco, São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 —  1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; sua bibliografia: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Elizabeth Barrett Browning: Se tens de amar-me de algum modo, . . . [soneto]

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[traduzido por Leonardo Fróes]

14

Se tens de amar-me de algum modo,
Amo o amor, não mais, a meu respeito.
Não diga amar-me o olhar, o riso, o jeito
Suave de falar, ou o já pensado
Tal como eu penso e trouxe a certo dia
Um sentido de paz apetecido.
Porque em si estas coisas, meu querido,
Por elas ou por ti se mudariam.
Também não me ame se por compaixão
Ao secar minhas lágrimas. Quem tanto
Se apoia em ti talvez perca a ilusão
De amado ser, interrompendo o pranto.
Ama-me pelo amor tão só que, então,
Hás de amar-me no eterno deste enquanto.

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Elizabeth Barrett Briwning

XIV

If thou must love me, let it be for nought
Except for love’s sake only. Do not say
“I love her for her smile  her look  her way
Of speaking gently,  for a trick of thought
That falls in well with mine, and certes brought
A sense of pleasant ease on such a day” 
For these things in themselves, Beloved, may
Be changed, or change for thee  and love, so wrought,
May be unwrought so. Neither love me for
Thine own dear pity’s wiping my cheeks dry, 
A creature might forget to weep, who bore
Thy comfort long, and lose thy love thereby!
But love me for love’s sake, that evermore
Thou mayst love on, through love’s eternity.
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Sonetos da Portuguesa — Elizabeth Barrett Browning, edição bilíngue, Tradução e Posfácio de Leonardo Fróes, Editora Rocco, São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; sua bibliografia: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Elizabeth Barrett Browning: Estas flores colhidas no jardim . . . [soneto]

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[traduzido por Leonardo Fróes]

44

Estas flores colhidas no jardim
Que me trazias no verão, no inverno,
Poderiam, no escuro quarto interno,
Sem sol ou chuva ter crescido em mim.
Em nome deste amor toma as ideias
Que de igual modo aqui desabrocharam,
Do coração provindo, e acompanharam
Dias frios ou quentes. Estão cheias
De ervas amargas, cardos e lamentos
De que te incumbo. Juntas também vão
Rosas silvestres. Dá-lhes tratamento
Bom como eu dou às flores que me dão.
Que a cor persista ao teu olhar atento.
Das raízes, te lembra, eu sou o chão.

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Elizabeth Barrett Browning

XLIV

Beloved, thou hast brought me many flowers 
Plucked in the garden, all the summer through 
And winter, and it seemed as if they grew 
In this close room, nor missed the sun and showers, 
So, in the like name of that love of ours, 
Take back these thoughts which here unfolded too, 
And which on warm and cold days I withdrew 
From my heart’s ground. Indeed, those beds and bowers 
Be overgrown with bitter weeds and rue, 
And wait thy weeding; yet here’s eglantine, 
Here’s ivy!  take them, as I used to do 
Thy flowers, and keep them where they shall not pine. 
Instruct thine eyes to keep their colours true, 
And tell thy soul, their roots are left in mine. 
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Sonetos da Portuguesa — Elizabeth Barrett Browning, edição bilíngue, Tradução e Posfácio de Leonardo Fróes, Editora Rocco, São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; sua bibliografia: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Elizabeth Barrett Browning: Tendo apenas visões por companhia, . . . [soneto]

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[traduzido por Leonardo Fróes]

26

Tendo apenas visões por companhia,
Não mulheres e homens, no passado,
Nelas tive parceiros delicados,
Do mais doce cantar que eu conhecia.
Logo porém seu rastro se perdeu
Na poeira do mundo e, ante o silêncio
Dos alaúdes, eu, cega em desmaio,
Nada mais vi. Até que visse o teu
Poder de ser o que eles pareciam.
O mesmo canto, o mesmo resplendor
(Santidade das águas que corriam)
Fundem-se em ti que chega vencedor
Da alma plena do quanto carecia.
Deus dá mais do que pede o sonhador.

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Elizabeth Barrett Browning

XXVI

I lived with visions for my company
Instead of men and women, years ago,
And found them gentle mates, nor thought to know
A sweeter music than they played to me.
But soon their trailing purple was not free
Of this world's dust, their lutes did silent grow,
And I myself grew faint and blind below
Their vanishing eyes. Then thou didst come  to be,
Beloved, what they seemed. Their shining fronts,
Their songs, their splendours, (better, yet the same,
As river water hallowed into fonts),
Met in thee, and from out thee overcame
My soul with satisfaction of all wants:
Because God's gifts put man's best dreams to shame.
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Sonetos da Portuguesa — Elizabeth Barrett Browning, edição bilíngue, Tradução e Posfácio de Leonardo Fróes, Editora Rocco, São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; sua bibliografia: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Elizabeth Barrett Browning: Troco cacho por cacho no mercado . . . [soneto]

Sonetos da Portuguesa
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[traduzido por Leonardo Fróes]

19

Troco cacho por cacho no mercado
Do Rialto da alma e, como seta
No coração, recebo do poeta
Sua mecha de preço inusitado,
Quase roxa de negra, como as tranças
Que sombreiam em Píndaro a tez clara
Das nove Musas. Nesta mecha rara
Há vestígios de escuro, nas mudanças
Das folhas de um loureiro a te cobrir,
E eu nos laços de um sopro a te beijar
Prendo as sombras que assim não vão fugir,
Pondo o presente, amor, onde o salvar:
No peito meu, vindo de ti, a unir
O calor que só a morte há de esfriar.

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Elizabeth Barrett Browning

XIX

The soul's Rialto hath its merchandise;
I barter curl for curl upon that mart,
And from my poet's forehead to my heart
Receive this lock which outweighs argosies,—
As purply black, as erst to Pindar's eyes
The dim purpureal tresses gloomed athwart
The nine white Muse-brows. For this counterpart,
The bay-crown's shade, Beloved, I surmise,
Still lingers on thy curl, it is so black!
Thus, with a fillet of smooth-kissing breath,
I tie the shadows safe from gliding back,
And lay the gift where nothing hindereth;
Here on my heart, as on thy brow, to lack
No natural heat till mine grows cold in death.
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Sonetos da Portuguesa — Elizabeth Barrett Browning, edição bilíngue, Tradução e Posfácio de Leonardo Fróes, Editora Rocco, São Paulo — SP; Elizabeth Barrett Browning (1806 1861), inglesa de Coxhoe Hall, Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; aos 15 anos de idade tornou-se praticamente inválida por problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por por complicações pulmonares; em 1846, casando-se com também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença Itália, ali vivendo pelo resto da vida; escreveu seu primeiro poema aos 12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai mandou imprimir; sua bibliografia: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh (1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.