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Amor com Amor se paga, e Amor com Amor se apaga. Assunto lírico
da presente conferência.
Deste Apotema* vigilante, e cego
Uma parte confirmo, outra reprovo,
Que o Amor com Amor se paga provo,
Que o Amor com Amor se apaga nego.
Tendo os Amores um igual sossego,
Se estão pagando a fé sempre de novo,
Mas a crer que se apagam me não movo,
Sendo fogo, e matéria Amor, e emprego.
Se de incêndios costuma Amor nutrir-se,
Uma chama com outra há de aumentar-se,
Que em si mesmas não devem consumir-se
Com razão devo logo duvidar-se
Quando um Amor com outro sabe unir-se
Como um fogo com outro há de apagar-se?

Nota da edição:
* apotema,
apotegma, i.é., dito notável.
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Poesia Barroca, Antologia — Introdução,
Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições
Melhoramentos, São Paulo — SP; Sebastião da Rocha Pita (1660 — 1738),
baiano de Salvador, estudou no Colégio dos Jesuítas da Bahia e formou-se em Cânones
(Direito Canônico) pela Universidade de Coimbra — Portugal, foi advogado,
historiador e poeta; foi sócio da Academia Real da História Portuguesa (Lisboa) e membro e presidente da Academia Brasílica dos Esquecidos (Bahia), ambas de
breve duração; bibliografia: Breve Compêndio e Narração do fúnebre espetáculo (1709),
Sumário da Vida e Morte da Exma. Senhora D. Leonor Josefa de Vilhena (1721), História
da América Portuguesa (1730); seus sonetos, apresentados em várias conferências, constam dos códices da Academia dos
Esquecidos.