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O neto
Vovó, por que não tem dentes?
Por que anda rezando só.
E treme, como os doentes
Quando têm febre, vovó?
Por que é branco o seu cabelo?
Por que se apóia a um bordão:
Vovó, porque, como o gelo,
É tão fria a sua mão?
Por que é tão triste o seu rosto;
Tão trêmula a sua voz;
Vovó, qual é seu desgosto;
Por que não ri como nós?
A avó
Meu neto, que és meu encanto,
Tu acabas de nascer...
E eu tenho vivido tanto
Que estou farta de viver!
Os anos, que vão passando,
Vão nos matando sem dó:
Só tu consegues, falando,
Dar-me alegria, tu só!
O teu sorriso, criança,
Cai sobre os martírios meus,
Como um clarão de esperança,
Como uma bênção de Deus!
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Poesias Selectas (várias autorias) —
Apresentação de Alvaro Reis e Compilação de Odette F. Pitta e Daniel L. A. César,
sem data [com dedicatória manuscrita à tinta, e data de 16.2.923], Imprensa Methodista,
São Paulo — SP; Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac
(1865 — 1918), nascido no Rio de Janeiro, foi poeta expoente do parnasianismo, cronista
e jornalista; colaborou em jornais, como a Gazeta de Notícias [que publicou seu
primeiro poema, o soneto Nero], e em outros periódicos da época, como as revistas
A Imprensa, A Leitura, Branco e Negro, Brasil—Portugal e Atlântida; suas obras:
Poesias (1888), Crônicas e Novelas (1894), Crítica e Fantasia (1904), Conferências
Literárias (1906), Tratado de Versificação (1910), Dicionário de Rimas (1913), Ironia
e Piedade — crônicas (1916), Tarde (poesias, publicação póstuma, 1919) etc; foi
autor da letra do Hino à Bandeira; juntamente com os poetas Alberto de Oliveira
e Raimundo Correia, veio a formar o que ficou conhecido como a Tríade Parnasiana;
no Rio de Janeiro e em São Paulo, estudou Medicina e Direito sem no entanto concluir
nenhum dos cursos.