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[traduzido por Thiago de Mello]
VII.
Para Aragon em Espanha
Tenho no meu coração
Um lugar todo Aragon,
Franco, bravo, fiel, sem sanha.
Se um tolo quiser saber
Porque o tenho, só lhe digo
Que ali tive um bom amigo,
Que ali amei uma mulher.
Ali, na várzea florida,
Da mais heroica defesa,
Para manter o que pensa
A gente se arrisca a vida.
Se um prefeito vem e o aperta
Ou se um rei chucro o ofende,
Põe logo a manta o valente
E morre com a escopeta.
Eu amo a terra amarela
Que banha o Ebro lodoso:
Amo o Pilar azuloso
De Lanuza e de Padilla.
Estimo a quem de um revés
Deita por terra a um tirano.
O estimo se é um cubano,
O estimo se aragonês.
Amo os seus pátios sombrios,
Suas escadas bordadas:
As suas naves caladas
E seus conventos vazios.
Amo essa terra florida,
Muçulmana ou espanhola,
Onde rompeu sua corola
A rosa da minha vida.
(Versos sencillos — 1891)
Para
Aragón, en España, . . .
VII
Para Aragón, en España,
Tengo yo en mi corazón
Un lugar todo Aragón,
Franco, fiero, fiel, sin saña.
Si quiere un tonto saber
Por qué lo tengo, le digo
Que allí tuve un buen amigo,
Que allí quise a una mujer.
Allá, en la vega florida,
La de la heroica defensa,
Por mantener lo que piensa
Juega la gente la vida.
Y si un alcalde lo aprieta
O lo enoja un rey cazurro,
Calza la manta el baturro
Y muere con su escopeta.
Quiero a la tierra amarilla
Que baña el Ebro lodoso:
Quiero el Pilar azuloso
De Lanuza y de Padilla.
Estimo a quien de un revés
Echa por tierra a un tirano:
Lo estimo, si es un cubano;
Lo estimo, si aragonés.
Amo los patios sombrios
Con escaleras bordadas;
Amo las naves caladas
Y los conventos vacíos.
Amo la tierra florida,
Musulmana o española,
Donde rompió su corola
La poca flor de mi vida.
(Versos sencillos — 1891)
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Poetas
da América de Canto Castelhano [várias autorias]: Introdução, Seleção, Tradução
e Notas de Thiago de Mello, e Apresentação de Roberto Fernández Retamar, 1ª
edição, 2011, Global Editora, São Paulo — SP; José Julián Martin Pérez ou José Martí
(1853 — 1895), nascido em Havana — Cuba, estudou no Instituto de Ensino
Secundário de Havana, fez Desenho Elementar na Escola Profissional de Pintura e
Escultura, também em Havana, e, tendo sido preso, posteriormente, após
comutação da pena em troca de exílio na Espanha, formou-se em Direito, Filosofia
e Letras nas universidades de Madri e Zaragoza, foi jornalista, escritor,
poeta, filósofo, pensador e político revolucionário cubano; depois de ter passado
um período em Paris, Nova Iorque, México e Guatemala, retornou à Cuba e participou
da criação do Partido Revolucionário Cubano e da organização da Guerra de [18]95
ou Gerra Necessária; por sua participação político-revolucionária sofreu nova detenção,
tendo sido outra vez deportado para a Espanha; escreveu seus primeiros poemas
por volta dos quinze anos, o soneto “10 de outubro” entre os quais; teve seus
artigos e crônicas publicados no La Opinión Nacional, de Caracas — Venezuela,
La Nación, de Buenos Aires — Argentina, e The Liberal Party, do México; em
Caracas, fundou a Revista Venezolana, com duração de apenas dois números; em
Nova Iorque, criou e publicou a revista infantil The Golden Age; suas obras: em
poesia: Edad de oro (1878-1882), Ismaelillo (1881-1882), Versos sencillos (Versos
simples, 1891), Flores del destierro (1878-1895), Versos Libres: 1878 — 1882
(publicados postumamemente, 1913), em prosa e outros: Abdala (drama em 1 ato,
em versos octossílabos, 1869), El presidio político en Cuba (ensaio, 1871), La
Adúltera (drama em versos octossílabos, 1873), Amor con amor se paga (drama em
versos, 1875), Amistad funesta (romance, publicado em fascículos no jornal El
Latino Americano, de maio a setembro de 1885), Nuestra América (1891) e outros
títulos; o poeta “é considerado o precursor do Modernismo na América Latina,
movimento literário que explodiria no continente latino-americano com Rubén Darío
[poeta nicaraguense]”; José Martí, com algumas prisões e deportações, viveu boa
parte de sua vida no exílio.