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Marcha, sereno, palmilhando a terra,
sem loucas contrações, sem fúteis risos!
A paz se ganha no estridor da guerra;
dentro da luta estão os paraísos.
Há de surgir-te a dor, como uma serra,
alta e brutal, de distanciados visos,
alta, a zombar na altura, com que aterra*,
dos pés que andaram nos caminhos lisos:
— o que vale é ter fé, é pela escarpa,
que sangra os pés, na fadigosa viagem,
calmamente subir sem** deixar a harpa...
Vale o saber certo o valor do obstáculo:
— vê-se melhor dos cumes a paisagem,
de mais alto é mais épico o espetáculo!
(Poesias, 1ª série, págs. 71-72.)
Notas de Andrade Muricy:
* Está: “eterna”;
** Está “em”.
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Panorama do Movimento Simbolista
Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa,
Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério
de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Narciso da Costa
Araújo (1877 — 1944), capixaba nascido na Vila de Itapemirim, atual Itapemirim,
estudou no Colégio Pedro II, Rio de Janeiro, formou-se pela Faculdade de Direito,
também no Rio, adquiriu “sólidos” conhecimentos dos idiomas Grego, Latim e também
de outras línguas “vivas”, foi jurista, jornalista e poeta do Simbolismo; colaborou
na revista Vera-Cruz, de inspiração simbolista, fundou o jornal político O Caboclo;
em 1941, foi eleito “Príncipe dos Poetas Capixabas” em concurso instituído pelo
jornal A Tribuna; em vida, teve a publicação de Poesias, 1ª série (1942), além de
“numerosa produção esparsa” em jornais e revistas do Rio de Janeiro, Rua do Ouvidor
entre os quais, e nos periódicos capixabas O Eco e O Cachoeirano.