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terça-feira, 17 de julho de 2018

Gaspara Stampa: Estou por esperar . . . [soneto]

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[traduzido por Marigê Quirino Marchini]

Estou por esperar tão fatigada,
vencida pela dor, da dor cativa,
pela sua pouca fé tão olvidada
por quem de seu tornar triste me priva.

Essa morte que o mundo empalidece
com a sua foice por último castigo,
chamo sempre, por refrigério, em prece,
no ardentíssimo anseio em que perigo.

E a morte não escuta o meu chamar,
e escarnece das loucas fantasias,
também rebelde o amado ao retornar.

Assim, com pranto meu, águas salinas,
faço as ondas piedosas e este mar,
e ele vive feliz em suas colinas.

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Io son da l’aspettar . . .

Io son da l'aspettar1 omai sì stanca,
sì vinta dal dolor e dal disio,
per la sì poca fede2 e molto oblio
di chi del suo tornar, lassa, mi manca3,

che lei4, che 'l mondo impalidisce e imbianca5
con la sua falce e dà l'ultimo fio6,
chiamo talor per refrigerio mio,
sì 'l dolor nel mio petto si rinfranca7.

Ed ella si fa sorda al mio chiamare,
schernendo i miei pensier fallaci e folli,
come sta sordo8 anch'egli al suo tornare.

Così col pianto, ond'ho gli occhi miei molli9,
fo pietose quest'onde e questo mare;
ed ei10 si vive lieto ne’ suoi colli.


Notas da edição:
1. a causa dell’attesa.
2. per le prove si scarsa fedeltà.
3. mi priva.
4. colei, cioè morte.
5. fa impallidire (di paura).
6. a ciascuno assegna la sua sorte.
7. s’accresce.
8. restio.
9. umidi.
10. È sempre l’uomo amato.
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Revista do Clube de Poesia de São Paulo  Ano XXV, São Paulo —  dezembro de 2001  nº 12 (vários autores), Diretor: Milton de Godoy Campos, Clube de Poesia, São Paulo  SP; Gaspara Stampa (1523? —  1554), nascida em Pádua  Itália, de família de origem milanesa e condição burguesa, foi poetisa; Educou-se e viveu em Veneza; bibliografia: Rimas de madonna Gaspara Stampa (publicado postumamente por sua irmã Cassandra, 1554); Gaspara era culta em literatura, arte e música.