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XV
Inda hoje, o livro do passado abrindo,
Inda hoje, o livro do passado abrindo,
Lembro-as e punge-me a
lembrança delas;
Lembro-as, e vejo-as, como
as vi partindo,
Estas cantando, soluçando
aquelas.
Umas, de meigo olhar piedoso
e lindo,
Sob as rosas de neve das
capelas;
Outras, de lábios de coral,
sorrindo,
Desnudo o seio, lúbricas e
belas...
Todas, formosas como tu,
chegaram,
Partiram... e, ao partir,
dentro em meu seio
Todo o veneno da paixão
deixaram.
Mas, ah! Nenhuma teve o teu
encanto,
Nem teve olhar como esse
olhar, tão cheio
De luz tão viva, que
abrasasse tanto!
(Poesias, 1888)

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Olavo Bilac — Vida e Obra, por Osmar
Barbosa, sem data, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Olavo Brás Martins dos
Guimarães Bilac (1865 — 1918), nascido no Rio de Janeiro, foi
poeta expoente do parnasianismo, cronista e jornalista; escreveu Poesias (1888), Crônicas
e Novelas (1894), Crítica e Fantasia (1904), Conferências
Literárias (1906), Tratado de Versificação (1910), Dicionário
de Rimas (1913), Ironia e Piedade — crônicas (1916) etc;
foi autor da letra do Hino à Bandeira.