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Denoitinha ela veio falá cô eu, se
rindo...
(Se ria prô se ri; mas tava triste,
eu via!)
E tudo me contô... e tudo eu fui
uvindo,
cô pensamento longe, amóde que
fugindo
de gosá esse réstinho triste de
alegria...
Meus óio, sem querê, fugia de
incará...
Não sei o que me dêu... amóde que
avuáva
que nem pêna, que o vento léva, sem
pará,
e despôis fáis a póvre pinoteá, no
á...
Assim fiquei tambem, sem sabê dônde
táva!
Ela falô, falô, despôis parô, me
oiándo...
Minha afrição passô... e fiquêmo,
nóis dôis,
se oiándo múdo, triste e quiéto,
maginando
tudo quanto de bão ajuntêmo em
trêis ano,
pra pinchá fóra ansim, num dia só,
despôis!
Vô-me imbóra aminhã! — éla falô
baxinho...
Eu tambem quis falá e a fala me
intalô...
Mas éla compreendendo tudo,
dereitinho,
se riu, não disse nada, alevantô o
bracinho,
e a mão déla co’a minha forte se apertô.
Intão eu compreendi que era a filicidade
que tava despedindo de êu, naquela hora;
e apertei a mãozinha déla, cúm vontade
de pedí pra éla ansim: — Fique prô caridáde,
Nhá Chiquita, não vá mais aminhã s’imbora!
Mas quem póde trocê cô que manda o
destino
que do dia fáis noite e da noite
fáis dia?
E ansim, como num sonho bão que vai
sumindo,
tambem pra úrtima vêis nóis se
oiêmo, se rindo,
gozando esse réstinho triste de
alegria...
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Rosário
da Capiá (Poemas Caboclos) — Nhô Bento (José Bento de
Oliveira), Prefácio de Monteiro Lobato e Ilustrações de Belmonte, A. Esteves,
Bilú, Amaro e Nino Borges, 1946, 1ª Edição, Graphicars — F.
Lanzara, São Paulo e Rio de Janeiro; Nhô Bento, ou José Bento
de Oliveira (1902 — 1968), paulista de São Sebastião, fez
seus estudos iniciais no Grupo Escolar Henrique Botelho, trabalhou como
funcionário público estadual, foi poeta, declamador e radialista; Nhô Bento
manteve por longo tempo um programa na Rádio Gazeta, em São Paulo, onde
declamava e apresentava seus textos; além deste Rosário de
Capiá — poemas caboclos, o poeta declamador também teve seus textos
gravados em disco de vinil pela RGE Discos do Brasil.