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Nestes dias
o que já se delineava claramente
aos meus olhos
se confirmou:
os que professam
e os professados
são feitos de um mesmo barro
e moldados por um mesmo oleiro,
são queimados em um mesmo forno
e em uma mesma olaria,
se partem com um único choque
e se transformam em areia, em barro moído.
Quando se partem em pedaços,
o mesmo oleiro que antes os moldara
os moldará de novo.
Há que procurar um outro barro
se se pretende um jarro forte.
Há que procurar um outro oleiro
se se pretende um jarro de outro molde.
Há que procurar um outro forno
se se pretende um jarro resistente.
Há que procurar uma outra olaria
se se pretende um jarro diferente.
Há que romper
com o antigo barro
com o antigo oleiro
com o antigo forno
com a antiga olaria.
Há que começar
de novo.
(1977)
[Traducción de Mario García-Guillén]
Choque de confrontación
En estos días
lo que ya se delineaba claramente
a mis ojos
se confirmó:
los que profesan
y los profesados
son hechos de un mismo barro
y moldeados por un mismo ollero
son quemados en un mismo horno
y en una misma ollería,
se parten con un único choque
y se transforman en arena, en barro molido.
Cuando se parten en pedazos
el mismo ollero que antes los moldeara
los moldeará de nuevo.
Hay que buscar un otro barro
si se pretende un jarro fuerte.
Hay que buscar un otro ollero
si se pretende un jarro de otro molde.
Hay que buscar un otro horno
si se pretende un jarro resistente.
Hay que buscar una otra ollería
si se pretende un jarro diferente.
Hay que romper
con el antiguo barro
con el antiguo ollero
con el antiguo horno
con la antigua ollería.
Hay que empezar
de nuevo.
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Número Um — poesias, 1978, Edição do Autor, São Paulo — SP;
Genésio dos Santos Ferreira, paulista e itapetiningano, nascido em 1952, caipira e filho
de ferroviário, é bancário aposentado, poeta e cronista; partindo de Iperó — SP
pegou o caminho do trem (a antiga Estrada de Ferro Sorocabana, ex-Fepasa) rumo à
cidade grande (São Paulo), onde reside desde a década de setenta do último século
do milênio passado; escreve desde seus treze anos, é hoje um cidadão urbano adaptado
e aprendiz de blogueiro; publicou também Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981),
além de ter colaborado na produção de crônicas para jornais sindicais do SeebSP
(O EspelhoSP, Na Moita, Folha Bancária etc).





