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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Genésio dos Santos: Choque da confrontação

 
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Nestes dias
o que já se delineava claramente
aos meus olhos
se confirmou:
os que professam
e os professados
são feitos de um mesmo barro
e moldados por um mesmo oleiro,
são queimados em um mesmo forno
e em uma mesma olaria,
se partem com um único choque
e se transformam em areia, em barro moído.
Quando se partem em pedaços,
o mesmo oleiro que antes os moldara
os moldará de novo.

Há que procurar um outro barro
se se pretende um jarro forte.
Há que procurar um outro oleiro
se se pretende um jarro de outro molde.
Há que procurar um outro forno
se se pretende um jarro resistente.
Há que procurar uma outra olaria
se se pretende um jarro diferente.

Há que romper
com o antigo barro
com o antigo oleiro
com o antigo forno
com a antiga olaria.

Há que começar
de novo.

(1977)

G. dos Santos

[Traducción de Mario García-Guillén]

Choque de confrontación

En estos días
lo que ya se delineaba claramente
a mis ojos
se confirmó:
los que profesan
y los profesados
son hechos de un mismo barro
y moldeados por un mismo ollero
son quemados en un mismo horno
y en una misma ollería,
se parten con un único choque
y se transforman en arena, en barro molido.
Cuando se parten en pedazos
el mismo ollero que antes los moldeara
los moldeará de nuevo.

Hay que buscar un otro barro
si se pretende un jarro fuerte.
Hay que buscar un otro ollero
si se pretende un jarro de otro molde.
Hay que buscar un otro horno
si se pretende un jarro resistente.
Hay que buscar una otra ollería
si se pretende un jarro diferente.

Hay que romper
con el antiguo barro
con el antiguo ollero
con el antiguo horno
con la antigua ollería.

Hay que empezar
de nuevo.
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Número Um — poesias, 1978, Edição do Autor, São Paulo — SP; Genésio dos Santos Ferreira, paulista e itapetiningano, nascido em 1952, caipira e filho de ferroviário, é bancário aposentado, poeta e cronista; partindo de Iperó SP pegou o caminho do trem (a antiga Estrada de Ferro Sorocabana, ex-Fepasa) rumo à cidade grande (São Paulo), onde reside desde a década de setenta do último século do milênio passado; escreve desde seus treze anos, é hoje um cidadão urbano adaptado e aprendiz de blogueiro; publicou também Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981), além de ter colaborado na produção de crônicas para jornais sindicais do SeebSP (O EspelhoSP, Na Moita, Folha Bancária etc).

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Mario García-Guillén: Interlúdio

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Uma brincadeira e outra brincadeira
uma boca e outra boca
um beijo e outro
e outro, outra vez.
Dedico-lhe esta música
que não tem notas
ainda que contenha ritmo.
Esqueça as palavras
e seu significado
atribua um som mágico
a cada palavra,
um compasso a cada silaba:
cadência.
Decadência da linguagem.
A gata está grávida.
César, que só ria, chora.
A infância,
volta.
Santa infância.
Uma estrela agonizante
se atira por um barranco.
Arranco uma flor.
Brahms não sou mais, não se ouve.
As elites não existem já.
Os proletários tampouco.
Sal.
A água do mar: sal.
Lembranças de cenas anteriores.
Medo.
Um sofá.
O mesmo sofá.
Reminiscências, não minhas.
O sofá tem suas recordações.
 O senhor leu “As Flores do Mal”?
Tudo são lembranças,
inutilidade do cálculo.
Tudo não passa de um interlúdio
entre uma diversão e outra,
entre uma cena e outra.
Um jogo, uma boca,
uma vez, um beijo!

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Mario García-Guillén

Interludio
[versão em espanhol, pelo próprio poeta]

Un juego y otro juego
una boca y otra boca
un beso y otro
otro, otra vez.
Te dedico esta música
que no tiene notas
aunque contiene ritmo.
Olvida las palabras
y su significado
atribuye un sonido
mágico a cada palabra
un compás a cada sílaba:
cadencia.
Decadencia del lenguaje.
La gata está preñada.
César que sólo reía: llora.
La infancia, vuelve.
Santa infancia.
Una estrella agonizante
se tira por un barranco.
Arranco una flor.
Brahms no suena más
no se le oye.
Las élites no existen ya.
Los proletarios tampoco.
El agua del mar: Sal.
Recuerdos de escenas anteriores.
Miedo.
Un sofá.
El mismo sofá.
Reminiscencias, no mías.
El sofá tiene recuerdos.
¿Ha leído usted las “Flores del Mal”?
Todo son recuerdos,
inutilidad del cálculo.
Todo no pasa de un interludio
entre una diversión y otra,
entre una escena y otra.
Un juego, una boca,
una vez. ¡un beso!
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Concerto Poético / Concierto Poético Mario García-Guillén, edição bilíngue, 1984, Edições Loyola e Centro de Artes de São Paulo, São Paulo — SP; Mario García-Guillén (1942 2007), espanhol madrilenho, radicado no Brasil, graduado em Estudos Sociais pela Universidade São Marcos, em São Paulo, e em História Econômica da América Latina e Literatura Espanhola pela USP, foi escritor, autor teatral, crítico literário e poeta; atuou como correspondente do jornal espanhol La Vanguardia, de Barcelona, e colaborou com os jornais paulistas Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e A Tribuna; sua obra, escrita em português, espanhol e italiano, abrangeu prosa, poesia e ensaios históricos; escreveu e publicou Frente 313 (romance, 1969), O Fantasma de Segóvia (romance, 1970), Mar Vazio (poesias, 1970), Duas Horas para fugir (teatro, 1972), Falando de Teatro (1978), Paisagem Íntima (poesia, 1980), Último Encontro (contos, 1981), Viva Pasolini (teatro, 1984), Concerto Poético (poesia, 1984), Cervantes Numância (teatro, 1990), Rio Tietê (infanto-juvenil, 1994), Evangelho da Quaresma (teatro, 1994), e outros títulos; viveu por mais de quatro décadas em São Paulo e em São Luis do Paraitinga SP; recebeu prêmios por suas publicações.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Mario García-Guillén: Opus 83: Variações

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Sabia que sabia
e todos sabiam.
E por isso não houve rubor
todos olhavam
à jovem emergindo
das águas
onde o barro
fez papel de loção
de poção.
Houve uma emoção,
“tocata e fuga”.

Ninguém assume nada.
Violada, a mansidão
da tarde,
por meninos gritando
perto do rio:
 Ei! Tem uma garota nua
dentro d’água!
A jovem, tocada e só,
a tarde violada,
alguém foge, através do campo,
pelos caminhos do medo.

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Mario García-Guillén

Opus 83: Variaciones
[versão em espanhol, pelo próprio poeta]

SABÍA que sabía
y todos sabían.
Y por eso no hubo rubor
todos miraban
a la joven emergiendo
de las aguas
donde el barro
jugo papel de locción
poción.
Hubo una emoción
tocata y fuga.
Nadie asume nada.
Violada, la quietud
de la tarde,
por niños gritando
junto al rio:
           — ¡Eh! ¡Hay una chica desnuda
dentro del agua!
La joven, tocada y sola
la tarde violada,
alguien huye, campo a través,
por los caminos del miedo.
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Concerto Poético / Concierto Poético  Mario García-Guillén, edição bilíngue, 1984, Edições Loyola e Centro de Artes de São Paulo, São Paulo SP; Mario García-Guillén (1942  2007), espanhol madrilenho, radicado no Brasil, graduado em Estudos Sociais pela Universidade São Marcos, em São Paulo, e em História Econômica da América Latina e Literatura Espanhola pela USP, foi escritor, autor teatral, crítico literário e poeta; atuou como correspondente do jornal espanhol La Vanguardia, de Barcelona, e colaborou com os jornais paulistas Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e A Tribuna; sua obra, escrita em português, espanhol e italiano, abrangeu prosa, poesia e ensaios históricos; escreveu e publicou Frente 313 (romance, 1969), O Fantasma de Segóvia (romance, 1970), Mar Vazio (poesias, 1970), Duas Horas para fugir (teatro, 1972), Falando de Teatro (1978), Paisagem Íntima (poesia, 1980), Último Encontro (contos, 1981), Viva Pasolini (teatro, 1984), Concerto Poético (poesia, 1984), Cervantes Numância (teatro, 1990), Rio Tietê (infanto-juvenil, 1994), Evangelho da Quaresma (teatro, 1994), e outros títulos; viveu por mais de quatro décadas em São Paulo e em São Luis do Paraitinga  SP; recebeu prêmios por suas publicações.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Mario García-Guillén: Prelúdio nº 1: A Alma das Coisas

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Dentre todos os ruídos,
a música
tem de estar presente.
A música é plasma do universo
feito entendimento.
A alma das coisas,
quando não tem limites
que as definam,
cores que as pintem,
idéias que lhes dêem nome,
é música,
música penetrando o espírito.
Como a nave mais veloz
te leva.
Com ela viajas
no sonho de uma nota
que sozinha, de repente, te arrasta.
Uma linguagem intraduzível em palavras,
o embargo da alma,
o nó entre os elementos, flora e fauna;
ali onde, eletrizante,
aparece o sentido mesmo da cultura,
a música!

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Mario García-Guillén

Prelúdio nº 1: El Alma de las Cosas
[versão em espanhol, pelo próprio poeta]

De entre todos los ruídos,
la música
há de estar presente.
La música es plasma de universo
hecho entendimiento.
El alma de las cosas,
cuando no tienen limites
que las definan,
colores que las pinten,
ideas que las den nombre,
es música,
música penetrando el espírito.
Como la nave más veloz
te lleva.
Con ella viajas
en el ensueño de una nota
que sola, de repente, te arrastra.
Un lenguaje intraducible en palabras,
el embargo del ánima,
el nudo entre elementos, flora y fauna;
allí donde, electrizante,
aparece el sentido mismo de la cultura,
¡la música!
____________________
Concerto Poético / Concierto Poético  Mario García-Guillén, edição bilíngue, 1984, Edições Loyola e Centro de Artes de São Paulo, São Paulo SP; Mario García-Guillén (1942 2007), espanhol madrilenho, radicado no Brasil, graduado em Estudos Sociais pela Universidade São Marcos, em São Paulo, e em História Econômica da América Latina e Literatura Espanhola pela USP, foi escritor, autor teatral, crítico literário e poeta; atuou como correspondente do jornal espanhol La Vanguardia, de Barcelona, e colaborou com os jornais paulistas Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e A Tribuna; sua obra, escrita em português, espanhol e italiano, abrangeu prosa, poesia e ensaios históricos; escreveu e publicou Frente 313 (romance, 1969), O Fantasma de Segóvia (romance, 1970), Mar Vazio (poesias, 1970), Duas Horas para fugir (teatro, 1972), Falando de Teatro (1978), Paisagem Íntima (poesia, 1980), Último Encontro (contos, 1981), Viva Pasolini (teatro, 1984), Concerto Poético (poesia, 1984), Cervantes Numância (teatro, 1990), Rio Tietê (infanto-juvenil, 1994), Evangelho da Quaresma (teatro, 1994), e outros títulos; viveu por mais de quatro décadas em São Paulo e em São Luis do Paraitinga SP; recebeu prêmios por suas publicações.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Mario García-Guillén: Não canto saudades

A Célia, minha irmã

Que importância tem?
Sei que hoje a poesia,
é mastro sem bandeira
leito sem rio,
praia sem areia.
como diz o profeta,
continua
sem deixar nada novo...
Sei e mesmo assim
canto os versos do impossível
fazendo uma ode
ao infortúnio.
Não é por melancolia
nem canto por saudade,
não.
Meu verso é triste
para fazer mais alegria.
Despertando tua revolta
quero ver se pôsto em movimento
ainda dás sinais de vida.
Quero ver se ressuscitas
ouvindo a poesia,
porque se estiveres morto,
último homem do universo,
se estiveres morto
em teu mundo eletrônico
e mecânico,
... que importância tem a poesia?

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Ensaio V: antologia poética — Grupo Poeco — Só Poesia (vários autores), Apresentação de Thereza Christina Rocque da Motta, 1981, Instituto Mackenzie, Biblioteca George Alexander, São Paulo — SP; Mario García-Guillén (1942 2007), espanhol madrilenho, radicado no Brasil, graduado em Estudos Sociais pela Universidade São Marcos, em São Paulo, e em História Econômica da América Latina e Literatura Espanhola pela USP, foi escritor, autor teatral, crítico literário e poeta; foi correspondente do jornal espanhol La Vanguardia, de Barcelona, e colaborou com jornais paulistas Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e A Tribuna; sua obra, escrita em português, espanhol e italiano, abrangeu prosa, poesia e ensaios históricos; escreveu e publicou Frente 313 (romance, 1969), O Fantasma de Segóvia (romance, 1970), Mar Vazio (poesias, 1970), Duas Horas para fugir (teatro, 1972), Falando de Teatro (1978), Paisagem Íntima (poesia, 1980), Último Encontro (contos, 1981), Viva Pasolini! (teatro, 1984), Concerto Poético (poesia, 1984), Cervantes Numância (teatro, 1990), Rio Tietê (infanto-juvenil, 1994), Evangelho da Quaresma (teatro, 1994), e outros títulos; viveu por mais de quatro décadas em São Paulo e em São Luis do Paraitinga  SP; recebeu prêmios por suas publicações.

sábado, 28 de maio de 2011

Genésio dos Santos: Choque de confrontacion (1977)

Acesse este poema no original em português clicando no título acima.
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[Traduccion de Mario García-Guillén]

En estos días
lo que ya se delineaba claramente
a mis ojos
se confirmó:
los que profesan
y los profesados
son hechos de un mismo barro
y moldeados por un mismo ollero
son quemados en un mismo horno
y en una misma ollería,
se parten con un único choque
y se transforman en arena, en barro molido.
Cuando se parten en pedazos
el mismo ollero que antes los moldeara
los moldeará de nuevo.

Hay que buscar un otro barro
si se pretende un jarro fuerte.
Hay que buscar un otro ollero
si se pretende un jarro de otro molde.
Hay que buscar un otro horno
si se pretende un jarro resistente.
Hay que buscar una otra ollería
si se pretende un jarro diferente.

Hay que romper
con el antiguo barro
con el antiguo ollero
con el antiguo horno
con la antigua ollería.

Hay que empezar
de nuevo.

Minha foto
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Genésio dos Santos, nascido em 1952, é poeta e cronista; a versão deste poema para o idioma espanhol foi realizada em 1977 por Mario García-Guillén (1942  2007).