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Eu amava a Lalá sinceramente,
Com tanto ardor que quase enlouqueci.
Depois, quis a Lelé, pura, inocente,
Que deixei pela graça da Lili.
Mas, por uma Loló, de olhar ardente,
Dos encantos daquela me esqueci.
Mais tarde, amo a Lulu, que a muita gente
Fez perder a razão como eu perdi.
E assim, foram-se todas as donzelas;
Hoje, só resta uma lembrança delas,
Que me torna tristonho e jururu.
Foram-se todas, foram-se, deixando
Meu coração, baixinho, soletrando
Lalá, Lelé, Lili, Loló, Lulu...
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Nestor Tangerini e o Café Paris — Crônicas
de Nelson Tangerini, 2010, Editora Nitpress, Niterói — RJ; Luiz Antônio
Gondim Leitão (1890 — 1936), mais conhecido como Lili Leitão, fluminense de Niterói, além de funcionário municipal, foi
jornalista, teatrólogo, humorista e poeta satírico; foi um dos integrantes do
movimento literário do Estado do Rio de Janeiro à época, o Café Paris, para
onde se dirigiam e ali discutiam os boêmios, profissionais liberais, artistas
plásticos, jornalistas...; colaborou em vários jornais, entre os quais A
Capital, Jornal de Niterói, Gazeta da Manhã, O Fluminense, muitas
vezes sob o pseudônimo de Bacorinho, e editava, uma vez por ano, às vésperas do
carnaval, o tablóide O Almofadinha; escreveu e publicou: Sonetos (1913), Vida
Apertada, sonetos humorísticos (1926), e produziu peças
teatrais: Tudo na rua (1914), Então não
sei (1915), Pra cima de moi (1916), Logo cedo (1917), Das duas uma, Eu aqui e ela lá, O
espora (todas de 1918), Bancando o
trouxa, Demi-garçone (ambas de 1921), A ceia dos
presidentes (1924), O rendez-vous amarelo (1930); com
o pseudônimo Armando Prazeres, o poeta-humorista reuniu em Comidas
Brabas (edição reduzida) os poemas pornográficos recitados por ele
aos integrantes da Roda do Café Paris.







