quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Lili Leitão: Elas

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Eu amava a Lalá sinceramente,
Com tanto ardor que quase enlouqueci.
Depois, quis a Lelé, pura, inocente,
Que deixei pela graça da Lili.

Mas, por uma Loló, de olhar ardente,
Dos encantos daquela me esqueci.
Mais tarde, amo a Lulu, que a muita gente
Fez perder a razão como eu perdi.

E assim, foram-se todas as donzelas;
Hoje, só resta uma lembrança delas,
Que me torna tristonho e jururu.

Foram-se todas, foram-se, deixando
Meu coração, baixinho, soletrando
Lalá, Lelé, Lili, Loló, Lulu...

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Nestor Tangerini e o Café Paris  Crônicas de Nelson Tangerini, 2010, Editora Nitpress, Niterói   RJ; Luiz Antônio Gondim Leitão (1890 —  1936), mais conhecido como Lili Leitão, fluminense de Niterói,  além de funcionário municipal, foi jornalista, teatrólogo, humorista e poeta satírico; foi um dos integrantes do movimento literário do Estado do Rio de Janeiro à época, o Café Paris, para onde se dirigiam e ali discutiam os boêmios, profissionais liberais, artistas plásticos, jornalistas...; colaborou em vários jornais, entre os quais A CapitalJornal de Niterói, Gazeta da ManhãO Fluminense, muitas vezes sob o pseudônimo de Bacorinho, e editava, uma vez por ano, às vésperas do carnaval, o tablóide O Almofadinha; escreveu e publicou: Sonetos (1913), Vida Apertada, sonetos humorísticos (1926), e produziu peças teatrais: Tudo na rua (1914), Então não sei (1915), Pra cima de moi (1916), Logo cedo (1917),  Das duas umaEu aqui e ela láO espora (todas de 1918), Bancando o trouxaDemi-garçone (ambas de 1921), A ceia dos presidentes (1924), O rendez-vous amarelo (1930); com o pseudônimo Armando Prazeres, o poeta-humorista reuniu em Comidas Brabas (edição reduzida) os poemas pornográficos recitados por ele aos integrantes da Roda do Café Paris.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

William Shakespeare: Porque é de novo orgulho despojado . . . [soneto]

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[traduzido por Vasco Graça Moura]

76.

Porque é de novo orgulho despojado
meu verso e não varia ágeis mudanças?
Porque é que hoje não olho para o lado
pra novos artifícios e usanças?
Porque escrevo sempre uma e a mesma frase
e à invenção visto a veste que já tem,
cada palavra a ser meu nome quase,
mostrando onde nasceu e do que vem?
Oh, saibas, meu amor, sempre de ti
escrevo e amor e tu são-me argumento:
velhos termos, de novo os vesti
no meu melhor, e o inventado invento.
     Porque tal como o sol é novo e antigo,
     assim de meu amor o dito digo.

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William Shakespeare

76.

Why is my verse so barren of new pride,
So far from variation or quick change?
Why with the time do I not glance aside
To new-found methods and to compounds strange?
Why write I still all one, ever the same,
And keep invention in a noted weed,
That every word almost doth tell my name,
Showing their birth, and where they did proceed?
O know, sweet love, I always write of you,
And you and love are still my argument,
So all my best is dressing old words new,
Spending again what is already spent:
     For as the sun is daily new and old,
     So is my love still telling what is told.
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Os Sonetos Completos — William Shakespeare, Apresentação, Tradução e Notas de Vasco Graça Moura, edição bilingue, 2005, Landmark, São Paulo — SP; William Shakespeare (1564 —  1616), nascido em Stratford-upon-Avon, poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo teatro, televisão, cinema e literatura  que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano, Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João, Ricardo II, Ricardo IIIHenrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes 1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).

domingo, 21 de outubro de 2018

Maria Thereza Cavalheiro: A Flor e a Raiz

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Disse a Flor para a Raiz:
 Sou bela, todos me fitam
nos olhos róseos das pétalas;
me tocam as mãos de folhas,
me alisam o corpo de haste.
Por certo tu já notaste
que ninguém sabe que existes;
tens esse destino obscuro
que têm todas as raízes.
És apenas minha escrava,
pois me dás seiva e sustento.
A ti, não conhece a Aurora,
nem sequer te abraça o Vento.

Nada a Raiz respondeu,
por muito sábia e modesta.
Mas, depois, a Flor vaidosa
feneceu, murchou, morreu.
E caiu junto à Raiz,
que assim mesmo a recolheu.
Eis como é etérea a beleza
e como é fugaz o orgulho!
Mais vale viver humilde
porque se vive feliz;
mais vale viver em paz,
porque da vida se leva
somente o Bem que se faz.

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Nova Antologia Brasileira da Árvore  Organização e Apresentação de Maria Thereza Cavalheiro, Prefácio de Guilherme de Almeida, 1974, 1ª edição, Livraria Editora Iracema, São Paulo  SP; Maria Thereza Cavalheiro, nascida em 1929, paulista e paulistana, formou-se em Direito pela Universidade Mackenzie, em São Paulo; escritora, jornalista, advogada, tradutora, ecologista e poeta trovadora, registrou seus textos em diversos jornais e revistas da capital paulista e de outras cidades; bibliografia: Antologia Brasileira da Árvore (1960), Poema da Cidade Azul  Sinfonia de Brasília (1963), Nova Antologia Brasileira da Árvore (1974), Colombina e sua Poesia Romântica e Erótica (biografia e antologia, 1987), Estrelas e Vaga-Lumes  trovas (1988), Segredos do Bom Trovar (antologia, 1989), Relâmpagos —  poemetos (1990), Encontros e Desencontros —  poesia (1992), Cabeça de Mulher (contos, 1998), Trovas para Refletir (2009), além de textos incluídos em diversas outras publicações e antologias literárias.

sábado, 20 de outubro de 2018

Rainer Maria Rilke: A Morte do Poeta

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[traduzido por Augusto de Campos]

Jazia. A sua face, antes intensa, 
pálida negação no leito frio, 
desde que o mundo, e tudo o que é presença, 
dos seus sentidos já vazio, 
se recolheu à Era da Indiferença. 

Ninguém jamais podia ter suposto 
que ele e tudo estivessem conjugados 
e que tudo, essas sombras, esses prados, 
essa água mesma eram o seu rosto. 

Sim, seu rosto era tudo o que quisesse 
e que ainda agora o cerca e o procura; 
a máscara da vida que perece 
é mole e aberta como a carnadura 
de um fruto que no ar, lento, apodrece. 

Novos poemas I  1907 

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Rainer Maria Rilke

Der Tod des Dichters

Er lag. Sein aufgestelltes Antlitz war
bleich und verweigernd in den steilen Kissen,
seitdem die Welt und dieses von ihr Wissen,
von seinen Sinnen abgerissen,
zurückfiel an das teilnahmslose Jahr.

Die, so ihn leben sahen, wußten nicht,
wie sehr er eines war mit allem diesen,
denn dieses: diese Tiefen, diese Wiesen
und diese Wasser waren sein Gesicht.

O sein Gesicht war diese ganze Weite,
die jetzt noch zu ihm will und um ihn wirbt;
und seine Maske, die nun bang verstirbt,
ist zart und offen wie die Innenseite
von einer Frucht, die an der Luft verdirbt.

New Gedichte I  1907
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Coisas e Anjos de Rilke  Augusto de Campos, Apresentação/Ensaio, Tradução e Notas de Augusto de Campos, 2007, 1ª edição,1ª reimpressão, Editora Perspectiva  São Paulo  SP;  Rainer Maria Rilke (1875 —  1926), ou René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke, austríaco de Praga (antigo Império Austro-Húngaro, atual República Tcheca), fez seus estudos nas universidades de Praga, Munique e Berlim, foi poeta e novelista; o poeta, um quase nômade, andejou por muitos países na Europa; no início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, Rilke residia em Munique e ali permaneceu até o término do conflito; escreveu e publicou Leben und Lieder (Vida e Canções, 1894), Das Buch der Bilder (O Livro das Imagens, 1902), Die Weise von Liebe und Todd es Cornets Christoph Rilke (A Canção do amor e de Morte do Porta-Estandarte Cristóvão Rilke, 1904), Stundenbuch (O Livro das Horas, 1905), Neue Geditche (Novos Poemas I e II, 19071908), Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge (Os Cadernos de Malte Laurids Brigge, 1910), Das Marien Leben (A Vida de Maria, 1913), Duineser Elegien (Elegias de Duíno, 1923), Sonette an Orpheus (Sonetos a Orfeu, 1923), Briefe an einen jungen Dichter (publicação póstuma, Cartas a um Jovem Poeta, 1929); também escreveu poemas em francês.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Federico García Lorca: O poeta diz a verdade

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[traduzido por William Agel de Mello]

Quero chorar minha mágoa, e digo-te
para que tu me ames e me chores
em um anoitecer de rouxinóis,
com um punhal, com beijos e contigo.

Quero matar a única testemunha
para o assassinato de minhas flores
e converter meu pranto e meus suores
em eterno montão de duro trigo.

Que não acabe nunca a madeixa
do bem-me-quer, mal-me-quer, sempre ardida
com decrépito sol e lua velha.

Que o que não me dás e não te peça
será para a morte, que não deixa
nem sombra pela carne estremecida.

(Sonetos do amor obscuro — 1936)

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Federico García Lorca

El poeta dice la verdad

Quiero llorar mi pena y te lo digo
para que tú me quieras y me llores
en un anochecer de ruiseñores,
con un puñal, con besos y contigo.

Quiero matar al único testigo
para el asesinato de mis flores
y convertir mi llanto y mis sudores
en eterno montón de duro trigo.

Que no se acabe nunca la madeja
del te quiero me quieres, siempre ardida
con decrépito sol y luna vieja.

Que lo que no me des y no te pida
será para la muerte, que no deja
ni sombra por la carne estremecida.

(Sonetos del amor oscuro  1936)
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Federico García Lorca — Sonetos do Amor Obscuro e Divã do Tamarit, Tradução e Apresentação de William Agel de Mello, edição bilíngue, Literatura Íbero-Americana Coleção Folha 2, 2012, Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Federico García Lorca (1898  1936), espanhol nascido em Fuente Vaqueros, região da Andaluzia, foi dramaturgo e poeta; escreveu e publicou Impressões e Paisagens (prosa, 1918), Livro de Poemas (Libro de poemas, 1921), Ode a Salvador Dali (Oda a Salvador Dalí, 1926), Dona Rosita, a solteira (teatro, 1927), Canciones — 1921 a 1924 (1928), Romancero Gitano — 1924 a 1927 (1928), Ode a Walt Whitman (1933), Bodas de Sangue (teatro, 1933), Yerma (teatro, 1934), Sonetos do amor obscuro (Sonetos del Amor Oscuro, 1936), A Casa de Bernarda Alba (teatro, 1936) e muitos outros títulos em verso e prosa ou dramaturgia; Lorca, que teve parte de sua obra só publicada postumamente (Diván del Tamarit, em 1940, e outros), foi uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola; morreu fuzilado pelas tropas nacionalistas do General Franco, que acabou por instalar a ditadura franquista na Espanha.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Bertolt Brecht: 1940

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[traduzido por Geir Campos]

     1.
A primavera chega.  Os ventos brandos
livram as tropas dos gelos do inverno.
Os povos nórdicos aguardam trêmulos
as esquadras do pintor-de-paredes.

     2.
Das galerias de livros
retiram-se os carniceiros;
aconchegando as crianças a si,
as mães de pé e atônitas perscrutam
no céu os inventos dos instruídos.

     3.
De cócoras nas salas dos avisos
agacham-se os construtores:
um dado em falso e as cidades do inimigo
ficam por destruir.

     4.
O nevoeiro encobre
as ruas
os olmeiros
as quintas e
a artilharia.

     5.
Encontro-me na ilhazinha de Lidingö.
Mais uma vez à noite
eu tive um sonho mau: sonhei que estava
numa cidade e descobria que os nomes das ruas
eram em alemão. Banhado em suor
despertei e aliviado
vi defronte à janela os abetos no escuro da noite;
então me convenci de que estava no estrangeiro.

     6.
Meu filho menor me indaga:  devo estudar matemática?
Para quê?  poderia eu responder.  Que dois pedaços de pão são mais do que um,
também logo hás de perceber.
Meu filho menor me indaga:  Devo estudar francês?
Para quê?  poderia eu responder.  Esse é um país que está para sumir. E é só gemeres,
lá, pondo a mão na barriga para te fazeres compreender.
Meu filho menor me indaga:  Devo estudar história?
Para quê?  poderia eu responder.  Aprende a encafuar a cabeça na terra
assim talvez consigas escapar.
E eu digo:  Sim, estuda matemática, estuda história, estuda francês!

7.
Junto à parede caiada de branco,
meu baú de soldado contendo os manuscritos.
Adiante a caixa de fumo com o cinzeiro de cobre.
A tela chinesa, mostrando o cético,
pende por cima; aí estão também as máscaras.
E ao lado da cabeceira da cama
o pequenino rádio de seis válvulas:
varando a madrugada
giro o botão e escuto
os triunfantes informes dos inimigos.

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Bertolt Brecht
1940

I
Das Frühjahr kommt. Die linden Winde
Befreien die Schären vom Wintereis.
Die Völker des Nordens erwarten zitternd
Die Schlachtflotten des Anstreichers.

II
Aus den Bücherhallen
Treten die Schlächter.
Die Kinder an sich drückend
Stehen die Mütter und durchforschen entgeistert
Den Himmel nach den Erfindungen der Gelehrten.

III
Die Konstrukteure hocken
Gekrümmt in den Zeichensälen:
Eine falsche Ziffer, und die Städte des Feindes
Bleiben unzerstört.

IV
Nebel verhüllt
Die Straße
Die Pappeln
Die Gehöfte und
Die Artillerie.

V
Ich befinde mich auf dem Inselchen Lidingö.
Aber neulich nachts
Träumte ich schwer und träumte, ich war in einer Stadt
Und entdeckte, die Beschriftungen der Straßen
Waren deutsch. In Schweiß gebadet
Erwachte ich, und mit Erleichterung
Sah ich die nachtschwarze Föhre vor dem Fenster und wußte:
Ich war in der Fremde.

VI
Mein junger Sohn fragt mich: Soll ich Mathematik lernen?
Wozu, möchte ich sagen. Daß zwei Stück Brot mehr ist als eines
Das wirst du auch so merken.
Mein junger Sohn fragt mich: Soll ich Französisch lernen?
Wozu, möchte ich sagen. Dieses Reich geht unter. Und
Reibe du nur mit der Hand den Bauch und stöhne 
Und man wird dich schon verstehen.
Mein junger Sohn fragt mich: Soll ich Geschichte lernen?
Wozu, möchte ich sagen. Lerne du deinen Kopf in die Erde stecken
Da wirst du vielleicht übrigbleiben.
Ja, lerne Mathematik, sage ich
Lerne Französisch, lerne Geschichte!

VII
Vor der weißgetünchten Wand
Steht der schwarze Soldatenkoffer mit den Manuskripten.
Darauf liegt das Rauchzeug mit den kupfernen Aschbechern.
Die chinesische Leinwand, zeigend den Zweifler
Hängt darüber. Auch die Masken sind da. Und neben der Bettstelle
Steht der kleine sechslampige Lautsprecher.
In der Früh
Drehe ich den Schalter um und höre
Die Siegesmeldungen meiner Feinde.

VIII
Auf der Flucht vor meinen Landsleuten
Bin ich nun nach Finnland gelangt. Freunde
Die ich gestern nicht kannte, stellten ein paar Betten 
In saubere Zimmer. Im Lautsprecher
Höre ich die Siegesmeldungen des Abschaums. Neugierig
Betrachte ich die Karte des Erdteils. Hoch oben in Lappland
Nach dem Nördlichen Eismeer zu
Sehe ich noch eine kleine Tür.
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Bertolt Brecht — Poemas e Canções, Tradução de Geir Campos, 1966, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Eugen Bertholt  Friedrich Brecht (1898  1956), alemão de Augsburg  Baviera, foi dramaturgo, encenador e poeta; em 1917 iniciou o curso de Medicina, em Munique, mas, tendo sido convocado pelo exército, na Primeira Guerra, trabalhou como enfermeiro em hospital militar; em 1933, com a ascensão de Hitler, deixa a Alemanha, exilando-se primeiro na Dinamarca, depois nos Estados Unidos e na Suiça; em 1948, de volta à Alemanha, funda a companhia teatral Berliner Ensemble; Brecht, atuante na poesia e na arte dramática, deixou-nos extensa produção artística, Baal (texto de 1918/produção em 1926), Trommein in der Nacht (Tambores na Noite, 1918/1920), Mann is Mann (Um Homem é um Homem, 1924-26/1926), Die Dreigroschenoper (A Ópera dos Três Vinténs, 1928/1928), Die Kleinbürgerhochzeit (O Casamento do Pequeno Burguês, 1919/1926), Die Ausnahme und die Regel (A Exceção e a Regra, 1930/1938) e tantos outros textos escritos e produzidos para o teatro; sua poesia não se dissocia da arte dramática, havendo em seus poemas o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais.