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Hei de,
mártir de amor, morrer te amando
O facho de
Helesponto apaga o dia
Sem que
aos olhos de Hero o sono traga,
Que dentro
de sua alma não se apaga
O fogo
com que o facho se acendia.
Aflita o
seu Leandro ao mar pedia,
Que abrandado
por ela, a prece afaga,
E traz-lhe
o morto amante numa vaga
(talvez
vaga de amor, inda que fria)
Ao vê-lo
pasma, e clama num transporte —
“Leandro!...
és morto?!... Que destino infando
Te conduz
aos meus braços desta sorte?!!
“Morreste!...
mas... (e às ondas se arrojando,
Assim termina
já sorvendo a morte)
“Hei de,
mártir de amor, morrer te amando”.
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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros
e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de
Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem
— MG; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 — 1864), nascido
no Rio de Janeiro — RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a
carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio
e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também
abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia e Português, e também
poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário;
teve textos publicados na Marmota Fluminense; suas obras: Trovas (1853), Tese apresentada
e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do
Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867),
Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do
Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas
(poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira
de Letras.





















