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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Laurindo Rabelo: Leandro e Hero


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Hei de, mártir de amor, morrer te amando

O facho de Helesponto apaga o dia
Sem que aos olhos de Hero o sono traga,
Que dentro de sua alma não se apaga
O fogo com que o facho se acendia.

Aflita o seu Leandro ao mar pedia,
Que abrandado por ela, a prece afaga,
E traz-lhe o morto amante numa vaga
(talvez vaga de amor, inda que fria)

Ao vê-lo pasma, e clama num transporte 
“Leandro!... és morto?!... Que destino infando
Te conduz aos meus braços desta sorte?!!

“Morreste!... mas... (e às ondas se arrojando,
Assim termina já sorvendo a morte)
“Hei de, mártir de amor, morrer te amando”.

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro — RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia e Português, e também poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; suas obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Laurindo Rabelo: As lágrimas

 
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Lágrimas, lágrimas tristes,
Não deixeis os olhos meus,
Que por vós eternamente,
Aos prazeres disse adeus.

       Para ter indisputáveis
       Direitos ao nosso amor,
       Arranquei-vos da minh’alma,
       Sois filhos, de minha dor.

Minha vida, agreste planta
De desertos areais,
Ao sol das paixões vivendo,
Expira se a não regais.

       Para ter indisputáveis
       Direitos ao nosso amor,
       Arranquei-vos da minh’alma,
       Sois filhos, de minha dor.

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Poesias Completas [Líricas] de Laurindo Rabêlo — Coleção, Anotações e Prefácio de Antenor Nascentes, Biblioteca Popular Brasileira Volume XXXIII, 1963, Instituto Nacional do Livro, Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro — RJ; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia e Português, e também poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Laurindo Rabelo: Ciúme e Razão

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I

E perdi-a! e nem mais uma esperança,
Sequer, me alenta nesta dor terrível,
Que hei de, não mudo só, porém me rindo
Devorar em segredo até a morte!

          Suportar um tormento
          Que ao menos em gemidos

Vai-se em parte exalando; a febre, a sede
Do amor e da saudade mitigar-se
Com lágrimas, é bem que só conhece,
Quando o céu lhe recusa, o desgraçado!

E não hei de chorar, chorar não quero,
Não quero, porque as bagas do meu pranto
          Enfeitam a coroa
          Que ele cinge, feliz, nos braços dela!

II

Excede à força humana este martírio;
Mas, louvores ao céu, minha alma sinto
          Resignada e pronta.
Benéfica razão serve de alâmpada*
Das minhas ilusões à sepultura!
Amarga como o fel sempre a verdade
Quando do amor é o erro, mas não cospem-na
Lábios que a ingratidão beijar rejeitam.

III

Sim, hei de consumar o sacrifício;
Nem súplicas, nem queixas há de ouvir-me;
Do Coração no fundo hei de trancá-las
Ao vê-la, ao vê-los, e saudar contente
Do amor de ambas a ventura e os gozos!

Daquele olhar d’arcanjo cujos raios,
          Como punhais de fogo,
Do coração as fibras me laceram,
Hei de fitar a luz sem perturbar-me;
          E morrer impassível,
Quando nos olhos dele minha vida
Em delíquio amoroso depuserem!

IV

Nobre altivez as preces me proíbe,
Assim como a razão proíbe as queixas
Que lhe posso pedir que dar-me possa?
Desejava um amor puro, espontâneo,
Desses que nascem nos segredos d’alma
Que ao simples choque de um olhar acordam
Para não mais dormir. Queria os vôos
Desse amor desvelado, procurando
Dentro em** meu coração fazer um ninho;
Observar em êxtase os milagres
Do proteísmo ser; colhê-lo em rosas
Nas chamas do rubor que acende um beijo
Senti-lo gelo após alguma ausência
          Num susto de saudades,
          E no doce apertar de um longo abraço
No seio me cair, tépida lágrima.
Não me pode dar tanto. Da vontade
Os domínios amor nas asas prende;
Se quando se quisesse amor nascesse,

Quando se não quisesse amor findara!
Inda que a minhas preces comovida,
Dissesse-me tudo que desejo agora,
Faltava em tudo o mel que amor distila
E unicamente amor!...
          Anjo inocente,
Não queixo-me de ti, regem os fados
Das sensações o mundo; aos afetos
O céu a cada um deu seu destino;
O tesouro que guardas no teu seio

          Foi destinado a outrem;
Os desígnios do céu foram cumpridos
E assim tu, sem querer, me deste a morte!...
Grosseiros corações, almas estreitas
Mancham o querubim que os encantara,
Porque as asas lhe nega; generoso,
Inimitável, crescente o meu afeto
Das ânsias no martírio se acrisola;

Por cada golpe que me dás no peito,
Nova chama de amor me acendes n’alma,
Extinta a minha última esperança
No árido deserto em que me arrojas.
Inda busco uma flor para enfeitar-te!
Não, não hei de acusar-te, mesmo quando
Na explosão de meus gelos mais pungentes

Me for a mágoa de te haver perdido.
És a imagem querida do meu êxtase;
Intacta ficarás. Por entre a nuvem
Que o infortúnio lançou-me*** sobre os olhos,
A mesma me será no pensamento,
Benfazeja visão de um sonho eterno!

 

Notas de Antenor Nascentes:
* Alâmpada: Forma clássica protética de lâmpada, empregada na linguagem literária;
** Dentro em: Locução literária, substituída na linguagem corrente por dentro de, exceto nas expressões dentro em brevedentro em pouco;
*** Que o infortúnio lançou-me: Pronome oblíquo enclítico, apesar do relativo. Colocação bem brasileira, admitida por Laurindo e pelos nossos melhores poetas, em época em que a colocação à moda de Portugal ainda não constituía idéia dominante nos escritores.
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Poesias Completas [Líricas] de Laurindo Rabêlo — Coleção, Anotações e Prefácio de Antenor Nascentes, Biblioteca Popular Brasileira Volume XXXIII, 1963, Instituto Nacional do Livro, Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro — RJ; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia e Português, e também poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

Laurindo Rabelo: A Romã*

 
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Entre as frutas que há no mundo
Não há uma fruta irmã
Na beleza e na doçura
Da que se chamou romã.

Tem coroa de rainha,
Rósea cor na casca tem,
Quando racha me retrata
A boquinha de meu bem.

Pela vez primeira vi,
Num jardim, pela manhã,
O meu bem, que em vez de flores,
Me trazia uma romã...

Consentiu, pra que eu sentisse,
Desse seu fruto a doçura,
Que eu pusesse a mão no pomo,
A boca na rachadura


* Nota do Organizador Fábio Frohwein de Salles Moniz [com acréscimo deste Verso e Conversa]: In: Melo Moraes Filho, Alexandre José de. Serenatas e Saraus. Rio de Janeiro & Paris: H. Garnier, Livreiro-Editor, 1902, V. 3, p. 262; o atrevido aprendiz de blogueiro desta página complementa que Fábio Frohwein, na Apresentação deste Laurindo Rabelo — Série Essencial, relata que A Romã é um lundu [canção] e integra o grupo de poemas de Laurindo: “Trata-se, na verdade, de letras de canções, que, antes de ser publicadas, circulavam na tradição oral de cantadores ao acompanhamento do violão ou piano, apresentando consequentemente variações. Como Laurindo não publicou nenhum lundu [ . . . ] em Trovas, ou em sua reedição, é praticamente impossível discernir qual variação estaria de acordo com a chamada ‘vontade do autor’.
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Laurindo Rabelo — Série Essencial, Academia Brasileira de Letras, Organização, Apresentação, Notícia Biográfica e Notas de Fábio Frohwein de Salles Moniz, 2012, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia, Português, Latim e Francês e poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Laurindo Rabelo: As rosas do cume

 
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No cume da minha serra
Eu plantei uma roseira,
Quanto mais as rosas brotam
Tanto mais o cume cheira.

À tarde, quando o sol posto,
O vento no cume adeja,
Vem travessa borboleta
E as rosas do cume beija.

No tempo das invernadas,
Que as plantas do cume lavam,
Quanto mais molhadas eram
Tanto mais no cume davam.

Mas se as águas vêm correntes
E o sujo do cume limpam,
Os botões do cume abrem,
E as rosas do cume grimpam.

Tenho pois certeza agora
Que no tempo de tal rega,
Arbusto por mais cheiroso
Plantado no cume pega.

Ah! porém o sol brilhante
Seca logo a catadupa;
O calor que a terra abrasa
E as águas do cume chupa!

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Antologia pornográfica: de Gregório de Mattos a Glauco Mattoso [diversos poetas] — Organização, Introdução, Glossário e Notas de Alexei Bueno, 2011, Saraiva de Bolso, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia e Português, e também poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Laurindo Rabelo: Riso e morte*

 
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Eu vim ao mundo chorando,
Chorar é o meu viver;
Quando eu deixar de chorar,
Estou prestes a morrer.

Quando a alma ao infortúnio
Assim ligado se tem,
Como termo da desgraça
A morte não longe vem.

Quando eu deixar de chorar,
Quando contente me rir,
Não se enganem, desconfiem,
Que não tardo a sucumbir.

Vem, oh! morte, ver meu pranto,
Não receies, podes vir;
Choro nos braços da vida,
Nos teus braços me hei de rir.

Muitas vezes um prazer
Que parece de ventura,
Não é mais que um riso d’alma
Vendo perto a sepultura.

O feliz ri-se da vida
Por ver nela o seu jardim;
O desgraçado, na morte
Por ver da desgraça, o fim.


Nota de Antenor Nascentes: Consta da Coleção A. G. Guimarães, I caderno, pág. 5. Musicada por João Cunha.
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Poesias Completas [Líricas] de Laurindo Rabêlo — Coleção, Anotações e Prefácio de Antenor Nascentes, Biblioteca Popular Brasileira Volume XXXIII, 1963, Instituto Nacional do Livro, Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro — RJ; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia e Português, e também poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Laurindo Rabelo: Ao Rego*

 
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(Sátira) — [décimas]

Ilustríssimos Senhores
Da nossa Municipal,
Deixai que um fraco mortal
Inferior dos Inferiores,
Implore os vossos favores
E bondade conhecida,
Para que seja atendida
E posta em atividade,
Com a maior brevidade,
Uma importante medida.

Já não servem as calçadas
De guarda ao limpo vestido,
Que o REGO a elas unido,
Cheiro d‘águas encharcadas,
Põe as vestes salpicadas
D‘água suja a cada instante;
Enquanto o gás implicante
Das fezes com que se enfeita,
Com seu aroma deleita
As ventas do caminhante.

Inda aqui nesta cidade,
Assim como na campanha,
A mesma infelicidade
Ao REGO sempre acompanha;
A porcaria é tamanha
Como nunca vi igual,
Porque todos em geral,
Iguais na vontade sua,
Converteram em comua
O REGO do hospital.

Parece fatalidade
Esta desgraça do rego;
Sempre com péssimo emprego
O tem visto a humanidade.
Da natureza a impiedade
Deu-lhe um destino bem cru,
Quando vejo um homem nu
Fico disto na certeza,
Pois noto que a natureza
Abriu-lhe um rego no cu.

Muita gente há que nutrindo
Econômicos desejos,
Fazem da casa os despejos,
Das despesas prescindindo;
Quando tudo está dormindo,
Vão cuidar do doce emprego
E com todo o seu sossego,
Inocência e singeleza
Passam a fazer limpeza
Mesmo na boca do rego.

Causa raiva seriamente,
Tira-me todo o sossego,
Ver assim o pobre rego
Cagado por tanta gente,
Não ter remédio um doente
E outras coisas iguais
É mau para os hospitais,
Isto é claro, está bem visto;
Mas além de tudo isto,
Cagar no “rego” é demais!

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Vós, porém, sábios eleitos
Podeis o erro emendar;
É dos sábios melhorar
Ou destruir os defeitos;
Mas se devem imperfeitos
Os “regos” sempre ficar,
Mandai-os eliminar
De qualquer lugar decente,
E haja “rego” somente
Onde se deva cagar.

Nestes termos pede o vate
Do Hospital para sossego,
Que seja entupido o rego
Que lhe dá tanto combate;
O Congresso sem debate,
Pronto pode assim dispor;
Ninguém sátira supor
Vá que o meu pedido encerra:
Falo de um rego de terra,
E não do Rego Doutor.


* Nota do Organizador Fábio Frohwein de Salles Moniz [com acréscimo deste Verso e Conversa]: In: Obras Poéticas. Rio de Janeiro: [s. n.], 1882, pp. 37—41; o atrevido aprendiz de blogueiro desta página complementa que Fábio Frohwein, em Notícia Biográfica deste Laurindo Rabelo — Série Essencial, relata que estas décimas foram escritas em função de desavenças havidas entre o poeta e o Dr. [Manoel do] Rego Macedo, diretor do Hospital Militar de Porto Alegre e/ou, dizem outros, diretor do Hospital Militar do Castelo, no Rio de Janeiro.
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Laurindo Rabelo — Série Essencial, Academia Brasileira de Letras, Organização, Apresentação, Notícia Biográfica e Notas de Fábio Frohwein de Salles Moniz, 2012, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia, Português, Latim e Francês e poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Laurindo Rabelo: Pode apalpar, pode ver, das coxinhas pode usar, . . . [Mote & Glosa]

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Mote

Pode apalpar, pode ver,
Das coxinhas pode usar,
Por fora quanto quiser,
Dentro não, que hei de gritar!

Glosa

Meu benzinho, que desgosto
Me está causando você;
Sua boquinha me dê,
Para mim volte o seu rosto.
Eu consinto no seu gosto,
Porém não há de meter,
E se deseja saber
Se ainda tenho cabaço,
Com todo o desembaraço
Pode apalpar, pode ver.

Aqui está! Meta o dedinho
Na cavidade do centro;
Não me carregue pra dentro
Que me magoa o coninho;
Não esteja tão tristezinho
Por eu não me franquear;
Você me quer desonrar!
Olhe, eu lhe faço um partido,
Se é pra ser meu marido,
Das coxinhas pode usar.

A coisa pode encostar
Por fora, não tenho susto;
E, se quer prazer mais justo,
Pode os peitinhos chupar.
Em tudo deixo pegar,
Mas só faça o que eu disser,
Pois se minha mãe souber
Que você... ai! Ai! Que dor!
Ai!... dentro não, meu amor!...
Por fora, quanto quiser!

 Já vai você, minha vida,
Sua coisinha metendo...
A pomba me está doendo...
Eu já me sinto ferida;
Não me queira ver perdida...
Vá pedir-me pra casar...
Meu Deus!... E ele a teimar...
Olhe que eu me vou embora...
Se quiser, venha-se fora,
Dentro não, que hei de gritar!

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Antologia pornográfica: de Gregório de Mattos a Glauco Mattoso [diversos poetas] — Organização, Introdução, Glossário e Notas de Alexei Bueno, 2011, Saraiva de Bolso, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia, Português, Latim e Francês e poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882), Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Laurindo Rabelo: Angústia

 
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Quando morta a f’licidade*,
A fé expira também!
Saudades de que se nutrem?
Os suspiros, que alvo têm?

Morta a fé, vai-se a esperança;
Como pois, viver pudera
Saudade que não tem crença,
Saudade que desespera?

Onde as graças do passado,
Se altivo gênio sanhudo
O cepticismo nos brada,
Foi mentira, engano tudo?

Em nada creio do mundo:
Ludíbrio da desventura,
A felicidade me acena
Só de um ponto a sepultura.

Morreram minhas saudades,
E nem suspiros calados
Dentro d’alma pouco a pouco
Vão morrendo sufocados.


* Nota de Antenor Nascentes: F’licidade: Síncope de cunho muito lusitano, evitada hoje pelos nossos poetas, mas empregada com frequência na época de Laurindo.
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Poesias Completas [Líricas] de Laurindo Rabêlo — Coleção, Anotações e Prefácio de Antenor Nascentes, Biblioteca Popular Brasileira Volume XXXIII, 1963, Instituto Nacional do Livro, Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro — RJ; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia e Português, e também poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; suas obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Laurindo Rabelo: De ti fiquei tão escravo*

 
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De ti fiquei tão escravo
Depois que teus olhos vi,
Que só vivo por teus olhos,
Não posso viver sem ti.

Contemplando o teu semblante
Sinto a vida me escapar.
Num teu olhar perco a vida,
Ressuscito noutro olhar.

       Mas é tão doce
       Morrer assim.
       Lília, não deixes
       De olhar p’ra mim.

Num raio de teus olhares
Minh’alma inteira perdi.
Se tens minh’alma nos olhos,
Não posso viver sem ti.

A qualquer parte que os volvas,
Minh’alma sinto voar,
Inda que livre nas asas,
Presa só no teu olhar.

       Mas é tão doce
       Prisão assim.
       Lília, não deixes
       De olhar p’ra mim.

Que era meu fado ser teu
Ao ver-te reconheci,
Não se muda a lei do fado,
Não posso viver sem ti.

Por não ver inda completa
Minha doce escravidão,
Se me ferem teus olhares,
Choro sobre meu grilhão.

       Mas é tão doce
       Prisão assim.
       Lília, não deixes
       De olhar p’ra mim.


* Nota de Antenor Nascentes: Consta da coleção de A. G. Guimarães, I caderno, pág.35.
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Poesias Completas [Líricas] de Laurindo Rabêlo — Coleção, Anotações e Prefácio de Antenor Nascentes, Biblioteca Popular Brasileira Volume XXXIII, 1963, Instituto Nacional do Livro, Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro — RJ; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro — RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia e Português, e também poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Laurindo Rabelo: Para do mundo dar completo cabo . . . [soneto]

 
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Para do mundo dar completo cabo,
Lá do negro recinto o soberano
Meditava a forjar horrível plano
Coçando a grenha, sacudindo o rabo.

Merecedor enfim de imenso gabo,
Eis o que assim disse muito ufano:
Para a missão cumprir digesto humano
Quero fazer que nasça hoje um diabo.

E o 23 de maio nisso raia...
Teotônio nasceu, e a fama soa
Jamais ter visto infame dessa laia.

Pois para Satã ser mesmo em pessoa,
Traja, qual bruxa velha, negra saia,
Como o rei dos bandalhos tem coroa *.


Nota de Antenor Nascentes: Feito quando o poeta era ainda seminarista; ataca um sacerdote não identificado.
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Poesias Completas [Líricas] de Laurindo Rabêlo — Coleção, Anotações e Prefácio de Antenor Nascentes, Biblioteca Popular Brasileira Volume XXXIII, 1963, Instituto Nacional do Livro, Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro — RJ; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia e Português, e também poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.

sábado, 17 de julho de 2021

Laurindo Rabelo: Último canto do cisne*

 
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Quando eu morrer, não chorem minha morte,
Entreguem o meu corpo à sepultura;
Pobre, sem pompas, sejam-lhe a mortalha
Os andrajos que deu-me1 a desventura.

Não mintam ao sepulcro apresentando
Um rico funeral de aspecto nobre:
Como agora a zombar me dizem vivo,
Digam-me também morto aí vai um pobre!

De amigos hipócritas não quero
Públicas provas de afeição fingida;
Deixem-me morto só, como deixaram-me2
Lutar contra a má sorte toda a vida.

Outros prantos não quero, que não sejam
Esse pranto de fel amargurado
De minha companheira de infortúnios,
Que me adora apesar de desgraçado.

O pranto, açucena de minh’alma,
Do coração sincero, d’alma sã,
De um anjo que também sente meus males,
De uma virgem que adoro como irmã.

Tenho um jovem amigo, também quero
Que junte em minha Essa os prantos seus
Aos de um pobre ancião que perfilhou-me3
Quando a filha entregou-me4 aos pés de Deus.

Dos meus todos eu sei que terei preces,
Saudades, lágrimas também;
Que não tenho a lembrança de ofendê-los
E sei quanta amizade eles me têm.

E tranqüilo, meu Deus, a vós me entrego,
Pecador de mil culpas carregado:
Mas os prantos dos meus perdão vos pedem,
E o muito que também tenho chorado.


Notas de Antenor Nascentes:
* Eis como Joaquim Norberto, um dos biógrafos de Laurindo, descreve a gênese desta poesia:
Pálido e triste despontou para ele o dia 28 de setembro de 1864. Sentia a mão da morte gelar-lhe o coração. Pediu papel e escreveu o Último canto do cisne. Leu depois em voz entrecortada de soluços os sentidos quartetos que traçara. A esposa, que lhe sustinha a cabeça entre as mãos, desfazia-se em pranto.
Em discurso pronunciado na Academia quando esta comemorou em 8 de julho de 1926 o centenário do nascimento de Laurindo, disse Constâncio Alves:
Aqueles versos (o último canto), escrito à hora da morte, estão em música e choram com eles os violões”. (“Revista da Academia Brasileira de Letras”, LX. 254).
Com efeito, A. J. S. Monteiro escreveu música para eles;
  1. Que deu-me: Pronome oblíquo enclítico, apesar do relativo. Colocação bem brasileira, admitida por Laurindo e pelos nossos melhores poetas, em época em que a colocação à moda de Portugal ainda não constituía ideia dominante nos escritores;
  2. Como deixaram-me: Ver nota 1;
  3. Que perfilhou-me: Ver nota 1;
  4. Quando, ... entregou-me.: Ver nota 1.
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Poesias Completas [Líricas] de Laurindo Rabêlo — Coleção, Anotações e Prefácio de Antenor Nascentes, Biblioteca Popular Brasileira Volume XXXIII, 1963, Instituto Nacional do Livro, Ministério da Educação e Cultura, Rio de Janeiro — RJ; Laurindo José da Silva Rabelo (1826 1864), nascido no Rio de Janeiro RJ, ordenou-se pelo Seminário São José, no Rio, abandonou a carreira eclesiástica, formou-se em Medicina, tendo estudado nas faculdades do Rio e da Bahia, tornou-se médico e ingressou no Corpo de Saúde do Exército, mas também abandonou a medicina, foi professor de História, Geografia e Português, e também poeta; consta ter recebido a alcunha de “Bocage brasileiro”, pelo seu estilo literário; teve textos publicados na Marmota Fluminense; obras: Trovas (1853), Tese apresentada e sustentada perante a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1856), Poesias do Dr. Laurindo da Silva Rabelo (coligidas por Eduardo de Sá Pereira de Castro, 1867), Compêndio de Gramática da Língua Portuguesa (adotado pelas escolas regimentais do Governo Imperial, 1867), Obras poéticas (poesias eróticas, 1882); Obras Completas (poesia, prosa e gramática, 1946); é o patrono da cadeira nº 26 da Academia Brasileira de Letras.