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A um menino, que estando colhendo flores picou um Áspide, e morreu
A um menino, que estando colhendo flores picou um Áspide, e morreu
Para que colhe flores meu meni—
Neste Campo, ou jardim, ou nesse
pra—
Se lhe há de suceder u’a desgra—
De morder-lhe na mão um cruel bi—?
Pero se é um menino pequeni—
Não lhe estava melhor o papar pa—?
Se quer flores, não basta a sua
gra—?
Para graça não sobre o ser boni—?
Mas se pois é pensão a desventu—
De quem nasce gentil, que quer
ago—?
Pague à morte, meu belo, o seu
tribu—;
Nesse canto porém enquanto cho—
Namorada assim minha triste Mu—
As exéquias lhe faz por este mo—
* Nota
de Péricles Eugênio da Silva Ramos: Amputam-se, no soneto, as sílabas átonas
finais. Há precedentes catalães para o verso cortado, que o poeta servilhano
Alfonso Alvarez de Soria usou em princípios do século XVII com finalidades humorísticas;
Cervantes empregou versos de “cabo roto” no Quixote. Filipe Nunes, em 1615,
referia-se em nossa língua a esses versos, que ele chamava “truncados”. Vide Tomás Navarro, Métrica Española, 193; o verso 12 era de início “Que
as exéquias porém, enquanto cho—“ e o verso 14 trazia “Este canto” em
vez de “As exéquias”. As emendas são em letra diferente.
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Poesia Barroca, Antologia — Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; sobre Luís Canelo de Noronha (1689 — ? ), poeta, consta nos mini-traços biobibliográficos deste Poesia Barroca, ter nascido ou em Vila Nova, no Reino, ou em Penedo, alternativas estas consignadas por Pedro Calmon e apoiadas em documentos da época; Péricles Eugênio faz constar ainda que “Luís Canelo é poeta culto e inquieto, capaz do uso de figuras como as dos versus applicati, de latinismos, de agudezas, de construir sonetos joco-sérios dos melhores dos Esquecidos (Academia Brasílica dos Esquecidos), inclusive alguns com rima em apa, epa, ipa, opa e upa, ou acha, echa, icha, ucha e de variar as formas métricas além dos sonetos e décimas, chegando às redondilhas de quebrados, aos madrigais, etc. É, por vários aspectos, principalmente formais, dos poetas mais ricos dos códices dos Esquecidos.”
Poesia Barroca, Antologia — Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; sobre Luís Canelo de Noronha (1689 — ? ), poeta, consta nos mini-traços biobibliográficos deste Poesia Barroca, ter nascido ou em Vila Nova, no Reino, ou em Penedo, alternativas estas consignadas por Pedro Calmon e apoiadas em documentos da época; Péricles Eugênio faz constar ainda que “Luís Canelo é poeta culto e inquieto, capaz do uso de figuras como as dos versus applicati, de latinismos, de agudezas, de construir sonetos joco-sérios dos melhores dos Esquecidos (Academia Brasílica dos Esquecidos), inclusive alguns com rima em apa, epa, ipa, opa e upa, ou acha, echa, icha, ucha e de variar as formas métricas além dos sonetos e décimas, chegando às redondilhas de quebrados, aos madrigais, etc. É, por vários aspectos, principalmente formais, dos poetas mais ricos dos códices dos Esquecidos.”