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domingo, 26 de novembro de 2017

Gofredo da Silva Telles: Medo

Resultado de imagem para antologia da poesia paulista II
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XV

Dizem que o amor assim não tem alcance,
Que nasce rindo e que termina cedo.
Mas tenho medo de que o amor se canse
De guardar os limites de um brinquedo.

Sim, nosso caso é simples, sem um lance
Que dê razão à sombra desse medo.
Que importa! Às vezes, o maior romance
Cabe na história de menor enredo.

Como serão as horas ignoradas?
Teu beijo canta. O mundo é um paraíso,
E a vida ri-se ao longo das estradas.

Olho a vida; sobre ela me debruço...
Mas rindo, tenho medo de que o riso
Possa acabar bem perto do soluço.

(A Fada Nua  págs. 73-74, sem data)

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Antologia da Poesia Paulista II — Prefácio, Organização, Seleção e Notas Bibliográficas por Domingos Carvalho da Silva, Oliveira Ribeiro Neto e Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1960, Imprensa Oficial do Estado, São Paulo — SP; Gofredo Teixeira da Silva Telles (1888 —  1980),  fluminense do Rio de Janeiro, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP  Largo São Francisco), foi político, industrial, agricultor e poeta; bibliografia: Mar da Noite (peça em versos, 1909), A Fada Nua (poemas, sem data); foi vereador e prefeito de São Paulo e pertenceu à Academia Paulista de Letras.