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[traduzido por
Jorge de Sena]
Se eu fosse fogo, incendiava o
mundo.
Se eu fosse vento, desfazê-lo-ia.
E se fosse água, eu inundá-lo-ia.
Se eu fosse Deus, o dava ao demo
imundo.
Se fosse Papa, ó que prazer
jucundo,
a toda Cristandade intrujaria.
Se fosse Imperador... o que eu
faria?
Decapitava de um só golpe o mundo.
Fosse Morte, meu pai eu atacava.
Se Vida fosse dele fugiria
e à minha mãe também eu escapava.
Se fosse Cecco, como sou e seria,
as fêmeas boas para mim tomava,
velhas, feias... aos mais eu
deixaria.
| Cecco Angiolieri |
S'i' fosse foco, ardere'
il mondo;
s'i' fosse vento, lo tempestarei;
s'i' fosse acqua, i' l'annegherei;
s'i' fosse Dio, mandereil'en profondo;
s'i' fosse papa, serei allor giocondo,
ché tutti cristïani embrigarei;
s'i' fosse 'mperator, sa' che farei?
a tutti mozzarei lo capo a tondo.
S'i' fosse morte, andarei da mio padre;
s'i' fosse vita, fuggirei da lui:
similemente faria da mi' madre,
S'i' fosse Cecco, com'i' sono e fui,
torrei le donne giovani e leggiadre:
le vecchie e laide lasserei altrui.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto,
de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas
Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Cecco Angiolieri (1260 — 1312 ?)
italiano de Siena, Toscana, foi poeta e escritor contemporâneo de
Dante Alighieri; sua obra: Os sonetos de Cecco Angiolieri, por Aldo Francesco
Massera (Zanichelli Editora, Bolonha, 1906), Cecco Angiolieri — Il Canzionere (editado por Carlo Steiner, Turim, 1925), Cecco Angiolieri — Le Rime, por
Gigi Cavalli (Milão, 1959).