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[traduzido
por Teófilo Dias]
Pálida
estrela da tarde,
Por céus
longínquos perdida,
Cuja
fronte enrubescida
Do poente
rasga os véus,
Dize, —
que avista no prado
Teu vago
olhar sonolento,
Caindo do
firmamento,
— Dos
paços azuis dos céus?
Calmou-se
tormenta e vento;
E a
floresta murmurante
Derrama
orvalho rorante
Nas
plantas murchas do chão;
Louros
insetos ligeiros
Pelas
floridas campinas,
Dentre as
moitas de boninas,
Rutilam
na escuridão.
Não vês
na teia dormente?...
Mas já
por trás das montanhas
Vejo a
luz de que te banhas
Docemente
vacilar,
Enquanto,
ó pálida amiga.
Nela,
sorrindo, se apaga
Tu foges
na etérea plaga,
Teu
melancólico olhar.
Formosa
estrela que desces
Por sobre
a verde colina,
Da noite
no manto frio,
Alvo do
olhar da pastora
Que vem
da serra cantando
Enquanto
a segue badalando
Seu nédio
armento tardio.
Ah! por
essa noite imensa,
Que busca
a luz feiticeira?
— Fresco
leito, d’água à beira,
Onde te
possas dormir?
— Ou nas
horas do silêncio
No vasto
seio dos mares,
— Pérola
solta nos ares,
Vais de
repente cair?
Se deves
morrer tão cedo...
Se hão de
afundar-nos nos mares
Teus
merencórios luares
E os
louros cabelos teus,
Astros do
amor, ah! detêm-te!
Teu curso
leve, suspende,
No azul
do espaço te prende!
Não
desças nunca dos céus!
Le saule
[Pâle étoile du soir, messagère lointaine, . . .]
(extrait)
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II
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Pâle étoile du soir, messagère
lointaine,
Dont le front sort brillant des
voiles du couchant,
De ton palais d'azur, au sein du
firmament,
Que regardes-tu dans la plaine?
La tempête s'éloigne, et les vents
sont calmés.
La forêt, qui frémit, pleure sur la
bruyère,
Le phalène doré, dans sa course
légère,
Traverse les prés embaumés.
Que cherches-tu sur la terre endormie?
Mais déjà vers les monts je te vois
t'abaisser;
Tu fuis, en souriant, mélancolique
amie,
Et ton tremblant regard est près de
s'effacer.
Étoile qui descends vers la verte
colline,
Triste larme d'argent du manteau de
la Nuit,
Toi que regarde au loin le pâtre
qui chemine,
Tandis que pas à pas son long
troupeau le suit, —
Étoile, où t'en vas-tu, dans cette
nuit immense?
Cherches-tu sur la rive un lit dans
les roseaux?
Où t'en vas-tu si belle, à l'heure
du silence,
Tomber comme une perle au sein
profond des eaux?
Ah! si tu dois mourir, bel astre,
et si ta tête
Va dans la vaste mer plonger ses
blonds cheveux,
Avant de nous quitter, un seul
instant arrête; —
Étoile de l'amour, ne descends pas
des cieux!
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
[Premières Poésies (1829-1835), Charpentier,
1863 (p. 176-202). — Le Saule —
Fragment]
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Antologia
de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, [diversos autores
e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965, Livraria e Editora
Logos Ltda., São Paulo — SP; Alfred Louis Charles de Musset (1810 — 1857), francês
e parisiense, antes de completar 9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri
IV, concluiu o ensino médio, depois aventurou-se nos estudos de medicina,
direito, pintura, música, logo os abandonou, e passou a se dedicar com
determinação e interesse à literatura, foi poeta, novelista, romancista,
crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible" do período romantista
em Paris; “desde os 14 anos já fazia seus
versos": A ma mére (1824), À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve
et L’anglais mangeur d’opium (1828)...; escreveu e publicou Premières poésies (1829),
Une nuit vénitienne (teatro, 1830), Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de
poemas, Contos da Espanha e da Itália, 1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos
secretos de Raphael, 1830), Voeux stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema
narrativo, 1831), La coupe et les lèvres (teatro, 1832), Rolla (longo poema
narrativo, 1833), On ne badine pas avec l'amour (Com o amor não se brinca, teatro
comédia, 1834), Lorenzaccio (drama romântico, 1834), Fantasio (teatro comédia, 1834),
Le Chandelier (comédia em três atos, 1835), La confession d'un enfant du siècle
(A confissão de um filho do século, novela autobiográfica, 1836), Les Nuits: La
Nuit de Mai [1835], La Nuit de Décembre [1835], La Nuit d'Août [1836], La Nuit d'Octobre
[1837], La Nuit d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838), Lettres du Dupuis et
Cotonet (crítica, Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir (Recordação, 1841),
Il faut qu'une porte soit ouverte ou fermé (É preciso que uma porta esteja aberta
ou fechada, comédia, 1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850), Bettine (comédia,
1851) e outros textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas musicados por
Hector Berlioz [poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano, Venise,
1849], Édouard Lalo [trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et La
Zuecca, 1870], Claude Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole,
1883] etc.; pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos
frequentadores do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier — bibliotecário
da Bibliotéque de l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros;
passou a viver como um “dândi devasso”, teve várias amantes, uma das quais a
escritora George Sand [pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado
com a Legião de Honra em reconhecimento à sua influência na literatura francesa;
com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo
alcoolismo, pela ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de
maio de 1857”, aos 46 anos.








