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quinta-feira, 19 de junho de 2025

Lili Leitão: Não

 
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Desde que ao mundo fui arremessado,
Meu destino é igual de Sul a Norte;
Um “Não”, somente um “Não” tenho encontrado,
“Não” no amor, “Não” na gaita*, “Não” na sorte.

E assim venho vivendo amargurado,
Maldizendo a vida e bendizendo a morte;
Nascer foi das asneiras a mais forte
Que involuntariamente hei praticado.

Entretanto, esse “Não” que não me deixa,
Essa constante e eterna negativa,
A direta razão de minha queixa,

Esse “Não” que da mente não me sai
É consequência de uma afirmativa,
De um “Sim” que minha mãe deu a meu pai.


* Nota do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página aduz acerca do uso da palavra 'gaita', e seu sentido, no soneto ora apresentado:
          gaita [gíria] = dinheiro, grana, bufunfa, dindin, prata, cascalho, tutu.
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Lili Leitão, o Café Paris e a vida boêmia de Niterói & Niterói, Poesia e Saudade — Lyad de Almeida, Apresentação de João Sampaio e Prefácio de Luiz Antonio de Farias Mello, 1996, Niterói Livros, Niterói — RJ; Luiz Antônio Gondim Leitão (1890 1936), mais conhecido como Lili Leitão, fluminense e niteroiense, além de funcionário municipal, foi jornalista, comediógrafo, humorista e poeta satírico; foi um dos integrantes do movimento literário do Estado do Rio de Janeiro à época, o Café Paris, os quais, numa autêntica “roda”, para ali se dirigiam, e ali discutiam, os boêmios, profissionais liberais, artistas plásticos, jornalistas ...; colaborou em vários jornais, entre os quais n’A Capital, no Jornal de Niterói, Gazeta da Manhã, Niteroiense, O Fluminense, muitas vezes sob o pseudônimo Bacorinho, e editava, uma vez por ano, às vésperas do carnaval, o tablóide O Almofadinha (de 1922 a 1936); escreveu e publicou: Sonetos (em parceria com Sylvio Figueiredo, 1913), Vida apertada, sonetos humorísticos (1926), e produziu peças para o teatro de revista: Tudo na rua (1914), Então não sei? (1915), Pra cima de moi (1916), Logo cedo (1917), Das duas uma, Eu aqui e ela lá, O espora (todas de 1918), Bancando o trouxa, Demi-garçone (ambas de 1921), A ceia dos presidentes (1924, paródia de A ceia dos coronéis, de Bastos Tigre), O rendez-vous amarelo (1930, caricatura de O reposteiro verde, de Júlio Dantas), Minha sogra é de outro mundo (1933), Caiu no laço, Niterói em cuecas e outras ...; com o pseudônimo Armando Prazeres, o poeta-humorista reuniu em Comidas bravas (edição reduzida, 192?) os poemas pornográficos recitados por ele aos integrantes da Roda do Café Paris.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Lili Leitão: 9º Mandamento & Coruja


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9º Mandamento

Que os padres não me passem sarabanda
Por algum pecadinho que eu tiver;
Pois sou cristão de fato, em qualquer banda,
E hei de morrer assim, se Deus quiser.

Dos mandamentos faço propaganda,
Cumpro-os à risca, como a igreja quer,
Principalmente aquele tal que manda
Não desejar do próximo a mulher.

Apesar de um mortal estar sujeito
Às tentações que neste mundo vejo,
As mulheres dos próximos respeito.

Passei, por elas como passa um monge;
Tanto que da mulher que amo e desejo
O marido está longe... muito longe...

— o —

Coruja

Vai-te, coruja, vai-te, mais distante
pousar de mim, noutro qualquer arbusto,
onde eu não possa ouvir este implicante
gargalhar, que me causa horror e susto!

Não queiras perturbar-me; dormir custo,
ouvindo o teu cantar, coruja errante,
Deixa-me em paz, o que te peço é justo,
ave fatal, nojenta e horripilante!

Vai-te coruja, e seja a derradeira
esta vez em que te ouço, ave agoureira
que de pavor o peito meu trespassa...

Muita aversão eu tenho-te, acredita:
tua presença os nervos meus irrita.
Vai-te, ó prenúncio negro da desgraça!

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Lili Leitão, O Café Paris e a Vida Boêmia de Niterói & Niterói, Poesia e Saudade — Lyad de Almeida, Apresentação de João Sampaio e Prefácio de Luiz Antonio de Farias Mello, 1996, Niterói Livros, Niterói — RJ; Luiz Antônio Gondim Leitão (1890 1936), mais conhecido como Lili Leitão, fluminense de Niterói, além de funcionário municipal, foi jornalista, comediógrafo, humorista e poeta satírico; foi um dos integrantes do movimento literário do Estado do Rio de Janeiro à época, o Café Paris, os quais, numa autêntica "roda", para ali se dirigiam e ali discutiam os boêmios, profissionais liberais, artistas plásticos, jornalistas...; colaborou em vários jornais, entre os quais A Capital, Jornal de Niterói, Gazeta da Manhã, O Fluminense, muitas vezes sob o pseudônimo de Bacorinho, e editava, uma vez por ano, às vésperas do carnaval, o tablóide O Almofadinha; escreveu e publicou: Sonetos (1913), Vida Apertada, sonetos humorísticos (1926), e produziu peças para o teatro de revista: Tudo na rua (1914), Então não sei? (1915), Pra cima de moi (1916), Logo cedo (1917), Das duas uma, Eu aqui e ela lá, O espora (todas de 1918), Bancando o trouxa, Demi-garçone (ambas de 1921), A ceia dos presidentes (1924, paródia de A ceia dos coronéis, de Bastos Tigre), O rendez-vous amarelo (1930, caricatura de O reposteiro verde, de Júlio Dantas); com o pseudônimo Armando Prazeres, o poeta-humorista reuniu em Comidas Bravas (edição reduzida, 192?) os poemas pornográficos recitados por ele aos integrantes da Roda do Café Paris.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Luiz Leitão: Eu e o relógio


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Sou do relógio muito diferente,
Quer no tamanho, quer na formação:
Se trabalho como ele, diariamente,
É apenas para defender o pão.

Nada tenho comigo, propriamente,
Que se lhe tome por comparação,
Apesar de existir constantemente,
Um tic-tac no meu coração.

Eu sou de carne e ando sem corda, ao passo
Que o relógio que é feito de metais.
Trabalha à custa de uma corda de aço.

Até nisto nós somos desiguais:
Contrario o relógio, nada faço:
Se me dão corda, não trabalho mais...

([tablóide] O Almofadinha}

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Lili Leitão, O Café Paris e a Vida Boêmia de Niterói & Niterói, Poesia e Saudade — Lyad de Almeida, Apresentação de João Sampaio e Prefácio de Luiz Antonio de Farias Mello, 1996, Niterói Livros, Niterói — RJ; Luiz Antônio Gondim Leitão (1890 1936), mais conhecido como Lili Leitão, fluminense de Niterói, além de funcionário municipal, foi jornalista, comediógrafo, humorista e poeta satírico; foi um dos integrantes do movimento literário do Estado do Rio de Janeiro à época, o Café Paris, os quais, numa autêntica “roda”, para ali se dirigiam e ali discutiam os boêmios, profissionais liberais, artistas plásticos, jornalistas...; colaborou em vários jornais, entre os quais A Capital, Jornal de Niterói, Gazeta da Manhã, O Fluminense, muitas vezes sob o pseudônimo de Bacorinho, e editava, uma vez por ano, às vésperas do carnaval, o tablóide O Almofadinha; escreveu e publicou: Sonetos (em parceria com Sylvio Figueiredo, 1913), Vida apertada, sonetos humorísticos (1926), e produziu peças para o teatro de revista: Tudo na rua (1914), Então não sei? (1915), Pra cima de moi (1916), Logo cedo (1917), Das duas uma, Eu aqui e ela lá, O espora (todas de 1918), Bancando o trouxa, Demi-garçone (ambas de 1921), A ceia dos presidentes (1924, paródia de A ceia dos coronéis, de Bastos Tigre), O rendez-vous amarelo (1930, caricatura de O reposteiro verde, de Júlio Dantas), Minha sogra é de outro mundo (1933) e outras...; com o pseudônimo Armando Prazeres, o poeta-humorista reuniu em Comidas bravas (edição reduzida, 192?) os poemas pornográficos recitados por ele aos integrantes da Roda do Café Paris.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Lili Leitão: Nosso amor & Meu casório


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Nosso Amor

Foi num colégio público que andamos
juntos outrora, juntos aprendendo,
que muita vez, ingênuos, conversamos,
formosa, e que eu fiquei te conhecendo.

Depois, um dia, alfim, nos separamos
e nisso fomos, flor, ambos crescendo;
e bom tempo passou-se, que passamos
sem te ver, sem me veres, não nos vendo.

Porém, o acaso novamente quis
que nós nos encontrássemos, ó flor...
Bendito acaso, divinal, feliz!

Pois nesse encontro, no mais vivo andor,
foi que promessas lânguidas te fiz
e a roseira floriu do nosso amor!

— o —

Meu casório

Caso-me em breve, está determinado:
Vou deixar de bancar o solteirão.
Já tenho tudo pronto e preparado:
Papéis, igreja, padre e sacristão.

Já comprei uma cama de casado,
Dessas largas, macias, de enxergão,
Um terno almofadinha, bem cintado,
E uma casaca de segunda mão.

Comprei também chupetas, mamadeiras,
Fraldas, touquinhas e outras baboseiras,
Para os bebês que, um dia, Deus me der.

Meu casamento é um caso decidido,
Pois para muito breve ser marido
Só me falta arranjar uma mulher.

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Lili Leitão, O Café Paris e a Vida Boêmia de Niterói & Niterói, Poesia e Saudade — Lyad de Almeida, Apresentação de João Sampaio e Prefácio de Luiz Antonio de Farias Mello, 1996, Niterói Livros, Niterói — RJ; Luiz Antônio Gondim Leitão (1890 1936), mais conhecido como Lili Leitão, fluminense de Niterói, além de funcionário municipal, foi jornalista, comediógrafo, humorista e poeta satírico; foi um dos integrantes do movimento literário do Estado do Rio de Janeiro à época, o Café Paris, os quais, numa autêntica “roda”, para ali se dirigiam e ali discutiam os boêmios, profissionais liberais, artistas plásticos, jornalistas...; colaborou em vários jornais, entre os quais A Capital, Jornal de Niterói, Gazeta da Manhã, O Fluminense, muitas vezes sob o pseudônimo de Bacorinho, e editava, uma vez por ano, às vésperas do carnaval, o tablóide O Almofadinha; escreveu e publicou: Sonetos (1913), Vida Apertada, sonetos humorísticos (1926), e produziu peças para o teatro de revista: Tudo na rua (1914), Então não sei? (1915), Pra cima de moi (1916), Logo cedo (1917), Das duas uma, Eu aqui e ela lá, O espora (todas de 1918), Bancando o trouxa, Demi-garçone (ambas de 1921), A ceia dos presidentes (1924, paródia de A ceia dos coronéis, de Bastos Tigre), O rendez-vous amarelo (1930, caricatura de O reposteiro verde, de Júlio Dantas); com o pseudônimo Armando Prazeres, o poeta-humorista reuniu em Comidas Bravas (edição reduzida, 192?) os poemas pornográficos recitados por ele aos integrantes da Roda do Café Paris.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Lili Leitão: Antes assim

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Não digo mal das línguas que me ferem...
Que a seu jeito cada qual me tome,
Que me chamem de fera, lobisome,
E de mil coisas mais... Que vociferem!

Aceito de bom grado o que quiserem.
Não me magoa o mal, nem me consome;
Esses que tanto falam no meu nome,
Naturalmente é porque bem me querem.

Que apontem meus defeitos à vontade,
Que sobre mim recaia, sem piedade,
De coisas feias uma saraivada.

É para mim motivo de alegria
Porque bem triste e bem pior seria
Se a meu respeito não dissessem nada.

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Lili Leitão, O Café Paris e a Vida Boêmia de Niterói & Niterói, Poesia e Saudade  Lyad de Almeida, Apresentação de João Sampaio e Prefácio de Luiz Antonio de Farias Mello, 1996, Niterói Livros, Niterói — RJ; Luiz  Antônio Gondim Leitão, (1890  1936), mais conhecido como Lili Leitão, fluminense de Niterói, além de funcionário municipal, foi jornalista, teatrólogo, humorista e poeta satírico; foi um dos integrantes do movimento literário do Estado do Rio de Janeiro à época, o Café Paris, para onde se dirigiam e ali discutiam os boêmios, profissionais liberais, artistas plásticos, jornalistas...; colaborou em vários jornais, entre os quais A CapitalJornal de NiteróiGazeta da Manhã, O Fluminense, muitas vezes sob o pseudônimo de Bacorinho, e editava, uma vez por ano, às vésperas do carnaval, o tablóide O Almofadinha; escreveu e publicou: Sonetos (1913), Vida Apertada, sonetos humorísticos (1926), e produziu peças teatrais: Tudo na rua (1914), Então não sei (1915),  Pra cima de moi (1916), Logo cedo (1917), Das duas uma, Eu aqui e ela láO espora (todas de 1918), Bancando o trouxaDemi-garçone (ambas de 1921), A ceia dos presidentes (1924), O rendez-vous amarelo (1930);  com o pseudônimo Armando Prazeres, o poeta-humorista reuniu em Comidas Brabas (edição reduzida) os poemas pornográficos recitados por ele aos integrantes da Roda do Café Paris.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Lili Leitão: Contraste

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Outrora, quando um beijo eu lhe pedia,
Travávamos tão forte desavença,
Que ela, raivosa, sem pedir licença,
Fechava-me a janela e zás! Corria.

E para que eu pagasse essa ousadia,
Tratava-me com grande indiferença
E, por vingança dessa minha ofensa
Por muito tempo não me aparecia.

Hoje, no entanto, que mudança! Aquela
Luta acabou; sorrindo, agora deixa
Beijar, quando me apraz, os lábios dela.

Beijo-a, e beijando-a, agora não se queixa
E em vez de ela fechar hoje a janela,
São os olhos apenas que ela fecha!

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Lili Leitão, O Café Paris e a Vida Boêmia de Niterói & Niterói, Poesia e Saudade — Lyad de Almeida, Apresentação de João Sampaio e Prefácio de Luiz Antonio de Farias Mello, 1996, Niterói Livros, Niterói — RJ; Luiz  Antônio Gondim Leitão, (1890  1936), mais conhecido como Lili Leitão, fluminense de Niterói, além de funcionário municipal, foi jornalista, teatrólogo, humorista e poeta satírico; foi um dos integrantes do movimento literário do Estado do Rio de Janeiro à época, o Café Paris, para onde se dirigiam e ali discutiam os boêmios, profissionais liberais, artistas plásticos, jornalistas...; colaborou em vários jornais, entre os quais A CapitalJornal de Niterói, Gazeta da ManhãO Fluminense, muitas vezes sob o pseudônimo de Bacorinho, e editava, uma vez por ano, às vésperas do carnaval, o tablóide O Almofadinha; escreveu e publicou: Sonetos (1913), Vida Apertada, sonetos humorísticos (1926), e produziu peças teatrais:  Tudo na rua (1914), Então não sei (1915), Pra cima de moi (1916), Logo cedo (1917), Das duas umaEu aqui e ela láO espora (todas de 1918), Bancando o trouxaDemi-garçone (ambas de 1921), A ceia dos presidentes (1924), O rendez-vous amarelo (1930); com o pseudônimo Armando Prazeres, o poeta-humorista reuniu em Comidas Brabas (edição reduzida) os poemas pornográficos recitados por ele aos integrantes da Roda do Café Paris.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Lili Leitão: A um poste

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Já que ninguém o fez, agora o faço.
E é justo que o faça, sem mais nada:
Com a minha Musa, que virou bagaço,
Eu vou cantar-te, poste camarada!

Frequentemente... quando encachaço,
E fico com a cabeça transtornada,
É quando me proteges e eu te abraço,
Como se foras a mulher amada...

Perdoa, poste! Não te sei cantar.
Falha-me a Musa... e tu não me falhaste,
Quando em ti precisei de me amparar!

Mas, coerente na minha negação,
Se do chão tantas vezes me livraste,
Aqui te louvo num soneto chão.

(jornal O Almofadinha,
editado às vésperas do Carnaval)

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Lili Leitão, O Café Paris e a Vida Boêmia de Niterói & Niterói, Poesia e Saudade  Lyad de Almeida, Apresentação de João Sampaio e Prefácio de Luiz Antonio de Farias Mello, 1996, Niterói Livros, Niterói — RJ; Luiz  Antônio Gondim Leitão, (1890  1936), mais conhecido como Lili Leitão, fluminense de Niterói, além de funcionário municipal, foi jornalista, teatrólogo, humorista e poeta satírico; foi um dos integrantes do movimento literário do Estado do Rio de Janeiro à época, o Café Paris, para onde se dirigiam e ali discutiam os boêmios, profissionais liberais, artistas plásticos, jornalistas...; colaborou em vários jornais, entre os quais A CapitalJornal de Niterói, Gazeta da Manhã, O Fluminense, muitas vezes sob o pseudônimo de Bacorinho, e editava, uma vez por ano, às vésperas do carnaval, o tablóide O Almofadinha; escreveu e publicou: Sonetos (1913), Vida Apertada, sonetos humorísticos (1926), e produziu peças teatrais: Tudo na rua (1914), Então não sei (1915),  Pra cima de moi (1916), Logo cedo (1917), Das duas umaEu aqui e ela láO espora (todas de 1918), Bancando o trouxa, Demi-garçone (ambas de 1921), A ceia dos presidentes (1924), O rendez-vous amarelo (1930);  com o pseudônimo Armando Prazeres, o poeta-humorista reuniu em Comidas Brabas (edição reduzida) os poemas pornográficos recitados por ele aos integrantes da Roda do Café Paris.