
Suicidei-me há muitos anos
quando perdi a coragem de partir.
Tanta coisa que fazer, que colher,
que encontrar,
e eu atracado a este cais sem
itinerários
a jogar terra sobre a própria
vida,
coveiro de mim mesmo, a me
enterrar. . .

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Os Mais Belos Poemas que o Amor
Inspirou — J. G. de Araújo Jorge — Livro 3, 1973, Editora Theor S/A, São Paulo —
SP; J. G. de Araújo Jorge (1914 — 1987), acreano de Tarauacá, foi poeta,
locutor e redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura
e político; estudou nos colégios Anglo-Americano e Pedro II, no Rio de Janeiro,
e formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual
Faculdade de Direito — UFRJ; escrevendo poemas desde os tempos ginasianos, teve
seus textos divulgados pelos periódicos cariocas Correio da Manhã e Almanaque
Bertrand; colaborou também nos jornais A Manhã, Tribuna da Imprensa, A Nação e
nas revistas Carioca, Vamos Ler, etc.; escreveu e publicou Meu Céu Interior
(1934), Bazar de Ritmos (1935), Cântico dos Cânticos (1937), Amo! (1938),
Poesias (1938), Cântico do Homem Prisioneiro (1941), Um Besouro contra a
Vidraça (1942), Eterno Motivo (1943), O Canto da Terra (1945), Festa de
Imagens, Harpa Submersa e outros títulos, além de ter gravado 3 LPs poéticos:
Poemas de Amor, Amor e A Sós.










