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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha: Se acaso aqui topares, caminhante, . . . [soneto]


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“À parda Maria Bárbara, mulher de um soldado, cruelmente assassinada, porque preferiu a morte à mancha de infiel ao seu esposo”

Se acaso aqui topares, caminhante,
Meu frio corpo já cadáver feito,
Leva, piedoso, com sentido aspeito,
Esta nova ao esposo aflito, errante...

Diz-lhe como de ferro penetrante
Me viste por fiel cravado o peito,
Lacerado, insepulto, e já sujeito
O tronco feio ao corvo altivolante:

Que dum monstro inumano, lhe declara,
A mão cruel me trata desta sorte;
Porém que alívio busque à dor amara

Lembrando-se que teve uma consorte,
Que, por honra da fé que lhe jurara,
À mancha conjugal prefere a morte.

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30 Séculos de Poesia — De IX a.C. até o Século XVIII, Organização, Prefácio e Notas de Ary de Mesquita, 1966, Edições de Ouro, Rio de Janeiro — RJ; Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (1769 1811), amazonense de Barcelos (à época, capitania de São José do Rio Negro, pertencente ao Grão-Pará), fez seus estudos na própria terra, exerceu cargos públicos na região amazônica, foi poeta lírico e dramaturgo; entrante na adolescência, já órfão, foi enviado para estudar no convento de Santo Antônio, e ali completou os “estudos preparatórios”; de sua obra, parte foi perdida em 1832, em naufrágio sofrido por seu filho e, outra parte, inúmeros manuscritos, destruiu-se em saques perpetrados por tropas repressoras à então Província do Pará, em 1835; o que se salvou, e chegou até nossos dias, está reunido no volume póstumo Obras Literárias de Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (1850), com segunda edição em 1899, que inclui idílios, dramas, oratórios, odes e cantatas; são de sua autoria: 'Oração ou Breve discurso', 'Ode pindárica', 'Drama pela fundação da casa para depósito de pólvora do rio Aurá', 'Os  pastores do Amazonas' (drama pastoril), 'A felicidade no Brasil' (drama em um só ato), 'Melizo' (idílio, 1789).

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Filinto Elísio: Estende o manto, estende, ó Noite escura . . . [soneto]


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Estende o manto, estende, ó Noite escura
enluta de horror feio o alegre prado;
molda-o bem co'o pesar dum desgraçado,
a quem nem feições lembram da Ventura.

Nubla as estrelas, Céu; que esta amargura,
em que se agora ceva o meu cuidado,
gostará de ver tudo assim trajado
da negra cor da minha Desventura.

Ronquem roucos trovões, rasguem-se os ares,
rebente o mar em vão em ocos rochedos,
solte-se o Céu em grossas lanças de água:

consolar-me só podem já pesares;
quero nutrir-me de arriscados medos,
quero saciar de mágoa a minha mágoa.

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Francisco Manuel do Nascimento (1734 1819), português e lisboeta, conhecido literariamente pelos pseudônimos Filinto Elísio ou Niceno, foi sacerdote, poeta do Arcadismo, prosador e tradutor; o poeta, perseguido pela Inquisição, teve que fugir para Paris França e ali viveu até sua morte; durante o exílio, Filinto Elísio ocupou-se como tradutor, para sobreviver, pois todos seus bens haviam sido sequestrados; escreveu e publicou: Obras Completas (11 tomos, 1817 1819), Vida e Feitos de D. Manuel; traduziu La Fontaine ('As Fábulas', 1816), Chateaubriand (‘Os Mártires’), Sílio Itálico (‘Púnica’) ... e verteu para o francês, Mariana Alcoforado (‘Lettres Portugaises’).

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Antônio Dinis da Cruz e Silva: — "Esse barco, que corta velozmente . . . [soneto]


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"Esse barco, que corta velozmente
do claro Tejo a veia cristalina,
ó doce mãe do Amor, bela Ericina,
todo o meu bem me leva cruelmente.

Mas já que é tão feliz, Deusa, exprimente
de tua estrela a proteção divina:
de alegres auras viração benina
ao doce porto o leve felizmente".

Isto dizia Elpino, acompanhando
com os tristes olhos um batel ligeiro,
que quase no horizonte se ocultava.

Turva se foi a noite então cerrando,
e o pastor, entre o denso nevoeiro,
os olhos pelas ondas alongava...

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Dinis da Cruz e Silva (1731 1799), português coimbrense, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi magistrado e poeta fundador da Arcádia Lusitana; no Arcadismo usava o pseudônimo de Elpino Nonacriense; consta que coexistia entre os Árcades o lema de muito pouco ou mesmo nada de suas obras serem publicadas em vida, com o poeta isso também se deu: publicou apenas quatro "hinos", três "idílios", duas "odes" e um "ditirambo"; postumamente vieram Odes Pindáricas (1801), O Hissope (1802), Poesias (seis volumes, 1807 1817, incluindo a comédia O Falso Heroísmo).

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Marquesa de Alorna: Eu cantarei um dia da tristeza . . . [soneto]


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Eu cantarei um dia da tristeza
por uns termos tão ternos e saudosos,
que deixem aos alegres invejosos
de chorarem o mal que lhes não pesa.

Abrandarei das penhas a dureza,
exalando suspiros tão queixosos,
que jamais os rochedos cavernosos
os respeitam da mesma natureza.

Serras, penhascos, troncos, arvoredos,
ave, fonte, montanha, flor, corrente,
comigo hão de chorar de amor enredos.

Mas, ah! que adoro uma alma que não sente!
Guarda, Amor, os teus pérfidos segredos,
que eu derramo os meus ais inutilmente.

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Marquesa de Alorna (1750 1839), portuguesa e lisboeta, Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre, ou Alcipe, de pseudônimo literário, pertenceu à nobreza e foi poetisa; devido a disputas familiares na corte, viveu parte de sua vida encarcerada no convento São Félix, em Chelas, com sua mãe, enquanto o pai esteve preso na Torre de Belém e no Forte de Junqueira; também esteve exilada e morou fora do país; presa em Chelas, estudou obras de Rousseau, Voltaire, Montesquieu, Pierre Bayle, conheceu a Enciclopédia D’Alembert e Diderot, e dedicou-se à poesia, as quais foram reunidas em suas obras completas, como Poesias de Chelas; conheceu outras línguas e também traduziu; suas obras: publicadas em vida, De Buonaparte e dos Bourbons, Ensaio sobre a indiferença em matéria de religião, 2 tomos (1820), Elegia à morte de S. A. R. o príncipe do Brazil (1788), e, postumamente, Obras Poéticas de D. Leonor d’Almeida, 6 volumes (Tomos I, II, III, IV, V e VI), e outros textos; pouco conhecida no Brasil, a poeta Marquesa de Alorna é tida como o nome mais importante de autoria feminina em Portugal, onde também vicejaram Florbela Espanca (na primeira metade do século XX) e as “três Marias”, Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno que “se uniram para escrever as Novas Cartas Portuguesas na década de 70 também do século XX.

segunda-feira, 31 de julho de 2023

Bocage: Li as catorze regras aos penachos . . . [soneto]

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Por ocasião de um soneto composto pelo mesmo [padre Joaquim Franco de Araújo Freire Barbosa, vigário da igreja de Almoster]

Li as catorze regras aos penachos,
e trova, que as orelhas nos magoa;
Viva a maruja frase  Estou na proa... 
Modelo singular de termos baixos!

A lembrança dos bois, burros, e machos
É lembrança feliz, é coisa boa!
Pois o palheiro, que sem peso voa!...
Isso dá jus à cilha e berbicachos:

O lugar onde a mão findou seis linhas
Podia muito bem ficar em branco,
Sem fazer falta às pobres das vizinhas:

O quinto indigno verso é quase manco;
A idéia tem mais sal que três marinhas;
E a córnea conclusão laureia o Franco!

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

domingo, 16 de julho de 2023

Bocage: Aquele, a quem mil bens outorga o Fado . . . [soneto]

 
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Tentativa de suicídio, combatida pelas lembranças da eternidade

Aquele, a quem mil bens outorga o Fado,
Desejo com razão da vida amigo
Nos anos igualar Nestor, o antigo,
De trezentos invernos carregado:

Porém eu sempre triste, eu desgraçado,
Que só nesta caverna encontro abrigo,
Porque não busco as sombras do jazigo,
Refúgio perdurável, e sagrado?

Ah! bebe o sangue meu, tosca morada;
Alma, quebra as prisões da humanidade,
Despe o vil manto, que pertence ao nada!

Mas eu tremo!… Que escuto?… É a Verdade,
É ela, é ela que do Céu me brada:
Oh terrível pregão da eternidade!

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Bocage: Oh triste malfadada Academia! . . . [soneto]


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À Nova Arcádia

Oh triste malfadada Academia!
O vate Elmano em sátiras se espraia;
Fervem correios ao loquaz Talaia,
Que a todos teu descrédito anuncia:

Apolo exulta, o povo te assobia;
A glória tua em convulsões desmaia;
Ah! primeiro que a pobre em terra caia,
Corte-se o voo da fatal porfia:

Ao satírico audaz põe duro freio,
Pune o declamador, que te flagela;
Dá-lhe assento outra vez no magro seio:

Bem como a quem profana uma donzela,
Que em pena do afrontoso estupro feio
Fazem próvidas leis casar com ela.

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Bocage: Feito na prisão & Na solidão do cárcere


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Feito na prisão

Não sinto me arrojasse o duro fado
Nesta abóbada feia, horrenda, escura,
Nesta dos vivos negra sepultura,
Onde a luz nunca entrou do Sol dourado:

Não me consterna o ver-me traspassado
Com mil golpes cruéis da desventura,
Porque bem sei que a frágil criatura
Raramente é feliz no mundo errado:

Não choro a liberdade, que enleada
Tenho em férreas prisões, e a paz ditosa,
Que voou da minh’alma atribulada:

Só sinto que Marília rigorosa
Entre os braços de Aônio reclinada
Zombe da minha sorte lastimosa.

— o —

Na solidão do cárcere

Quando na rósea nuvem sobe o dia
De risos esmaltando a Natureza,
Bem que me aclare as sombras da tristeza
Um tempo sem-sabor me principia:

Quando por entre os véus da noite fria
A máquina celeste observo acesa,
De angústia, de terror a imagens presa
Começa a devorar-me a fantasia.

Por mais ardentes preces, que lhe faço,
Meus ais não ouve o nume sonolento,
Nem prende a minha dor com tênue laço:

No Inferno se me troca o pensamento;
Céus! Porque hei de existir, porquê, se passo
Dias de enjôo, e noites de tormento?

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Bocage: A minha Lília morreu [mote e glosas*]


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Mote:

A minha Lília morreu.

Glosas

Assim como as flores vivem,
A minha Lília viveu;
Assim como as flores morrem,
A minha Lilia morreu.

Assomando o negro dia,
Ave sinistra gemeu;
Cumpriu-se o funesto agouro:
A minha Lilia morreu.

Desfalece, ó Natureza,
Acelera o fado teu;
Esta voz te guie ao Nada:
A minha Lilia morreu.

Fadou-me o caso medonho
Vate que nos astros leu;
Os vates são como os Numes:
A minha Lilia morreu.

Que é do Sol? Que é do Universo?
Tudo desapareceu;
Foi-se toda a Natureza:
A minha Lilia morreu.

A minha ventura e Lília
Num só laço Amor prendeu:
Morreu a minha ventura,
A minha Lilia morreu.

Em parte da minha essência
Minha essência pereceu;
Não vivo senão metade:
A minha Lilia morreu.

Oh quanto ganhava o Mundo!
Oh, quanto o mundo perdeu!
Doce lucro e triste perda!
A minha Lilia morreu.

Para exultar o Universo
A minha Lília nasceu;
Para os Numes exultarem
A minha Lilia morreu.

Meu coração desgraçado,
Desgraçado porque és meu,
Evapora-te em suspiros:
A minha Lilia morreu.

As estrelas se apagaram,
A Natureza tremeu,
Os promontórios gemeram,
A minha Lilia morreu.

Disse, ao ver sereno eflúvio,
Que o puro Olimpo correu:
Aquela é a alma de Lília,
A minha Lilia morreu.


* Registro de Marisa Lajolo, selecionadora de textos e estudos biográfico e crítico deste Bocage — Literatura Comentada:
          Enraizada na mais antiga tradição portuguesa, a poesia com mote é fartamente documentada no Cancioneiro Geral de Garcia de Rezende, publicado em 1516. Muito cultivada por poetas do século XVI (Camões, inclusive), coexiste, a partir de então, com formas mais modernas de poesia (medida nova), em oposição às quais é incluída na medida velha.
          Manifesta-se usualmente através de poemas de versos curtos, onde o(s) verso(s) inicial(is) que constitui(em) o mote, fornece(m) o tema e/ou assunto a ser desenvolvido no resto da composição que, intitulada glosa, volta ou desenvolvimento, deve incorporar o mote em diferentes posições no interior das estrofes.
          Poemas compostos por mote e glosa sugerem um modo de produção poético ligado a comemorações: em tabernas ou salões, alguém fornece mote, como uma espécie de desafio. Cabe aos poetas demonstrarem seu talento, através do improviso que encadeia o mote, glosando-o.
          O poema com mote e glosa atravessa séculos e oceanos: em Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis), 1880), uma personagem, o Viegas, durante uma festa familiar, revive o antigo costume de pedir motes aos presentes e glosá-los.
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Bocage — Literatura Comentada, Seleção de textos, notas, estudos biográfico e crítico por Marisa Lajolo e Estudo histórico por Ricardo Maranhão, 2ª edição, 1988, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; segue para Lisboa (1783), se alista na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

terça-feira, 25 de abril de 2023

Bocage: Qual novo Orestes entre as Fúrias brada, . . . [soneto]


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Contradições do ateísmo

Qual novo Orestes entre as Fúrias brada,
Infeliz, que não crês no Onipotente,
Com sistema sacrílego desmente
A razão luminosa, a fé sagrada:

Tua bárbara voz iguala ao nada
O que em todas as coisas tens presente;
Basta que o sábio, o justo, o pio, o crente
Louve a mão, contra os maus do raio armada.

Mas vê, blasfemo ateu, vê, monstro horrendo,
Que a bruta opinião, que cego expressas,
A si mesma se está contradizendo:

Pois quando de negar um Deus não cessas,
De tudo o inerte Acaso autor fazendo,
No Acaso, a teu pesar, um Deus confessas!

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Bocage — Sonetos Completos, Primeira Edição, Primeira Impressão, 1989, Editora Núcleo, São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; ao ir para Lisboa (1783), depois de ter se alistado na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

sábado, 15 de abril de 2023

Bocage: Que eu fosse enfim desgraçado / Escreveu do Fado a mão; . . . — mote (quadra)

 
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Mote (quadra):

Que eu fosse enfim desgraçado
Escreveu do Fado a mão;
Lei do Fado não se muda;
Triste do meu coração!

GLOSA:

Três vezes sobre meus lares
Vozeou, quando eu nascia,
Ave que aborrece o dia,
Que prevê cruéis azares:
Amor dividira os ares
De seus tormentos cercado;
À funda estância do Fado
O voo havia abatido;
E ambos tinham resolvido
Que eu fosse enfim desgraçado*.

Esse, que os primeiros ais
Vai soltar triste, e choroso,
Seja à Fortuna odioso,
Seja prezado aos mortais.
Dos mimos de Amor jamais
Desfrute a consolação;
Ame, porém ame em vão,
Ferva-lhe n’alma o ciúme
Isto no horrendo volume
Escreveu do Fado a mão.

Cresci, cresceram comigo
Meus danos, e num transporte
Curva maga a ler-me a sorte
Com roucas preces obrigo:
Eis que toma um livro antigo,
Abre, vê, folheia, estuda,
Té que me diz carrancuda:
“Nos caracteres que olhei
Fim ao teu mal não achei:
Lei do Fado não se muda.

Absorto, convulso, e frio,
Deixo de erriçada grenha
A Fúria em côncava penha
Seu lar medonho, e sombrio:
Debalde luto e porfio
Contra a Sorte desde então.
Céus! Não achar compaixão!
Céus! Amar sem ser amado!
Bárbara lei do meu fado!
Triste do meu coração!


* Nota de Marisa Lajolo, selecionadora de textos e estudos biográfico e crítico deste Bocage — Literatura Comentada: O último verso de cada estrofe (chamada décima por conter dez versos) é constituído, respectivamente, por cada um dos versos que perfazem a estrofe fornecida ao poeta como mote.
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Bocage — Literatura Comentada, Seleção de textos, notas, estudos biográfico e crítico por Marisa Lajolo e Estudo histórico por Ricardo Maranhão, 2ª edição, 1988, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; segue para Lisboa (1783), se alista na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...

terça-feira, 21 de março de 2023

Bocage: epístola — Elmano a Josino

 
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Epístola*

Elmano a Josino1

Dans ces climats... tout est sourd à mes cris2
M.me du Bocage, Tragédie des Amazones. Ato IV, cena VI.

Josino, meu Josino, a cujo lado
Gozei de alegres, venturosos dias,
Enquanto o quis Amor e o quis o Fado;
Sócio meu, que ora atento e mudo ouvias
A minha branda lira maviosa,
Ora a seus ternos sons teu canto unias;
Tu, que da linda Márcia carinhosa
Inflamas com mil ósculos ardentes
As faces cor de neve e cor‑de‑rosa;
Tu, que no ingénuo peito não consentes
O vício, que por lei da Natureza
Mancha e corrompe os corações ausentes;
Tu, que adorando as aras da Beleza,
Tributas nos altares da Amizade
Puros incensos, exemplar firmeza;
Tu, que desta alma ocupas a metade,
Ouve o trémulo som, com que suspira
Dentro dela a tristíssima Saudade.
Desde que a existência expus à ira
Do fero mar3, meu peito não sossega,
Meu pensamento esfalfa‑se, delira.
Indomável paixão, que a todos cega,
De teus conselhos falta, honrado amigo,
À desesperação minha alma entrega.
Louco fui, não pensei (mil vezes digo)
Que em horas se trocassem de tormento
Horas tão doces, que passei contigo;
Fiei‑me de um fugaz contentamento,
Devendo conhecer que os bens do mundo
São qual o sutil pó, que espalha o vento;
Por isso agora, aflito e vagabundo,
Estranho tanto o mal; por isso agora
De lágrimas sem fim meu rosto inundo;
Por isso, na paixão que me devora,
Invoco a muda paz da sepultura,
Da suspirada morte a feliz hora.
Míseros gostos! Mísera ternura!
Que sempre, injusto Amor, teus servos tenham
Queixumes que formar contra a ventura!
Uns, adorando ingratas que os desdenham,
Tarde no escuro abismo, em que descansa
O desengano horrível, se despenham;
Outros, chorando a pérfida mudança
De uma alma desleal, enfurecidos
Co’a morte arrostam, que no Inferno os lança;
Outros, enfim, como eu, correspondidos,
Depois, em longa ausência amarga e crua,
Arrancam das entranhas mil gemidos.
Tal, fraudulento Amor, é a lei tua,
Lei que o Fado aprovou para que a Terra
A si mesma se estrague e se destrua.
Ah Josino fiel! Que horror faz guerra
Aos tristes olhos meus nestes lugares,
Onde me pôs a Sorte, onde me encerra!
Sem medo à fúria dos terríveis mares,
Vim do culto, benéfico Ocidente
Viver com tigres, habitar palmares:
Aqui tórrida zona abafa a gente,
Ferve o clima, arde o ar, e eu não sinto,
Que tu, fogo de Amor, és mais ardente;
Aqui vago em perpétuo labirinto
Sempre em risco de ver maligno braço
No próprio sangue meu banhado e tinto.
Mas caso dos perigos eu não faço,
E que posso temer, quando procuro
Rasgar da frágil vida o tênue laço?
Enche‑me, sim, de horror o culto impuro
Ídolos vãos, sacrílegos altares,
Vis cerimônias deste povo escuro.
Eterno Deus! Não longe de teus lares
Tépida nuvem de maldito incenso,
Dado ao negro Satã, perturba os ares.
Que tolerância tens, Monarca imenso!
Por mais crimes, Senhor, que o mundo faça,
Tudo releva teu Amor intenso.
Desce, ah desce dos Céus, potente graça,
Difunde a santa luz, a santa crença
Pelos cegos mortais que o erro enlaça!
Volto, Josino, a ti. Letal doença
Do Báratro surgiu, veio intimar‑me
A antiga, universal, cruel sentença;
Negras fauces abriu para tragar‑me;
Porém cedeu, rugindo, à voz divina,
Que a vida, a meu pesar, quis conservar‑me.
Eis que pérfida mão cabal ruína4
(Sepultando o dever no esquecimento)
A todos nos prepara e nos destina.
Rasgado o peito co’um punhal cruento,
Ia baixar o teu choroso amigo,
Qual vítima inocente, ao monumento:
Uma alma infame, um bárbaro inimigo
Da fé, das leis, do trono, um desumano,
Merecedor de eterno, de infernal castigo,
Tendo embebido seu furor insano
Na falsa gente brâmane inquieta,
Que amaldiçoa o jugo lusitano,
Contra nós apontava a mortal seta.
Mas estorvou o inevitável tiro
A mão divina, poderosa e reta.
Desenvolveu‑se o crime, inda respiro,
E já destes, ó réus de atroz maldade,
Em vis teatros o final suspiro5.
Eis, amigo, a recente novidade,
Que da remota Goa ao Tejo envio
Nas murchas, débeis asas da Saudade.
A quem tem da tua alma o senhorio,
Of ’reço numa férvida lembrança
Provas do afeto, em que jamais esfrio.
Dize à minha dulcíssima esperança,
À suave prisão desta alma aflita,
Que no meu coração não há mudança;
Que estou gemendo aqui, bem como grita
Pelo perdido, alígero consorte
Viúva rola, que a floresta habita;
Que é a minha paixão tão forte,
Que há-de na escuridão da sepultura
Volver‑me as cinzas, superior à morte;
E que espero, apesar da ausência dura,
Por milagre de Amor, que os meus gemidos,
Voando aos lares seus, aos seus ouvidos,
Lhe vão justificar minha ternura.


Registro e Notas de Marisa Lajolo, selecionadora de textos e estudos biográfico e crítico deste Bocage — Literatura Comentada:
* Epístola — A epístola é uma composição poética que mimetiza, em versos, a situação de produção de uma carta. Deve mencionar, obrigatoriamente, o remetente e o destinatário, aparecendo este, geralmente, na função de vocativo, no início do texto.
          Identificada, assim, por traços formais, a epistola costuma configurar um poema longo, que permite a exposição de um determinado ponto de vista. [...]
1. Na menção explícita a um remetente (Elmano, pseudônimo de Bocage) e a um destinatário (Josino) temos os elementos que permitem reconhecer este texto como uma epístola.
2. A epígrafe em francês, retirada da Tragédia das Amazonas, diz: “Nesses climas... tudo é surdo aos meus gritos”. Madame du Bocage é provavelmente uma tia materna do poeta.
3. Estes versos, em que Bocage fala de sua viagem, nos permitem classificar esta epístola como um documento de sua vida no ultramar, provavelmente em Goa.
4. Bocage, aqui, narra a seu amigo Josino uma tentativa do povo de Goa de libertar-se do jugo português. Trata-se, provavelmente, da Conjuração dos Pintos, cujos líderes foram condenados à morte, com exceção de padre Faria, que conseguiu fugir para a França.
5. Bocage alude aqui à execução dos conjurados.
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Bocage — Literatura Comentada, Seleção de textos, notas, estudos biográfico e crítico por Marisa Lajolo e Estudo histórico por Ricardo Maranhão, 2ª edição, 1988, Editora Nova Cultural Ltda., São Paulo — SP; Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 1805), nascido em Setúbal Portugal, foi poeta representante do arcadismo lusitano; segue para Lisboa (1783), se alista na marinha de guerra, passa a participar da vida boêmia da cidade, e, após, parte para Goa, colônia portuguesa na Índia (1786), depois segue para Damão, outra colônia naquele país, daí seguindo para Macau, possessão portuguesa na China, retornando então para Portugal (1790); Bocage escrevia desde a mais tenra idade, e, ao publicar sua primeira obra, Rimas (1791), foi convidado a participar da academia de belas artes Nova Arcádia e adotou o pseudônimo de Elmano Sadino (Elmano anagrama de Manoel, e Sadino homenagem ao Rio Sado, que banha Setúbal, sua cidade natal); em 1797, acusado de heresia e de levar vida devassa, o poeta foi encarcerado e, após passar por diversas prisões, hospícios e conventos, foi libertado no último dia de 1798; publicou mais duas novas séries de poesias, as quais também deu o nome de Rimas (1799 e 1804); outros escritos: A Morte de D. Ignez, Improvisos de Bocage, Mágoas Amorosas de Elmano, Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina, ...