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[traduzido por Giuliana Ragusa]
Para cá, até mim, de Creta . .
. templo
sagrado onde . . . e agradável
bosque
de macieiras, e altares nele
são esfumeados
com incenso.
E nele água fria murmura por
entre os ramos
de macieiras, e pelas rosas
todo o lugar
está sombreado, e das trêmulas
folhas
torpor divino desce.
E nele o prado pasto de
cavalos viceja
. . . com flores, e os ventos
docemente sopram . . .
Aqui tu . . . tomando, ó Cípris,
nos áureos cálices, delicadamente,
néctar, misturado às festividades,
vinho-vertendo . . .
†δευρυμμ̣εκρητε̣σ̣ιπ[.]ρ[ ].† ναῦον
ἄγνον ὄππ[αι ] χάριεν μὲν ἄλσος
μαλί[αν], βῶμοι δ’ ἔ<ν>ιθυμιάμε-
νοι [λι]βανώτω<ι>·
ἐν δ’ ὔδωρ ψῦχρον κελάδει δι’ ὔσδων
μαλίνων, βρόδοισι δὲ παῖς ὀ χῶρος
ἐσκίαστ’, αἰθυσσομένων δὲ φύλλων
κῶμα †καταιριον·
ἐν δὲ λείμων ἰππόβοτος τέθαλε
†τω̣τ…ι̣ριννοις† ἄνθεσιν, αἰ <δ’> ἄηται
μέλλιχα πν[έο]ισιν [
[ ]
ἔνθα δὴ σὺ †συ.αν† ἔλοισα Κύπρι
χρυσίαισιν ἐν κυλίκεσσιν ἄβρως
<ὀ>μ<με>μείχμενον θαλίαισι νέκταρ
οἰνοχόαισον
* Registro de Giuliano Ragusa,
pesquisadora, organizadora e tradutora dos fragmentos/poemas deste Hino a Afrodite e outros poemas: Fragmento 2 ou "Ode de Óstraco" — Eis outro hino clético, em que se destaca o detalhamento do local ao qual Afrodite
é convidada a vir, saindo de Creta. [...] Atente-se para o caráter ativo da
epifania, que reforça a idéia da fusão num fragmento de linguagem intensamente
sinestésica. Claramente, há o desejo de proximidade entre a voz poética e a
deusa. A fonte principal do texto é um óstraco ou caco de cerâmica — material abundante
na Grécia antiga e muito utilizado para a escrita —, datado do século III a.C.,
o que faz desta a fonte de transmissão a mais antiga da obra de Safo, e a única
anterior à época das edições alexandrinas.
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Safo de Lesbos: Hino a Afrodite e outros poemas — Organização, Introdução,
Texto e Tradução dos fragmentos/poemas, por Giuliana Ragusa, 2011, Editora
Hedra, São Paulo — SP;
acerca de Safo de Lesbos (nascida entre 630 a.C. e 604 a.C. — com morte em data
incerta), grega de Éresos, ilha de Lesbos, muito pouco ou quase nada se sabe; viveu
a maior parte de sua vida em Mitilene, também em Lesbos, e foi poetisa, além de
tecelã e sacerdotisa; Safo é tida como a primeira poetisa de quem se tem registro
na história do nosso mundo ocidental; de sua obra, chegaram até nós apenas 650 versos
(fragmentos de poesias diversas) e tão somente um poema registrado em sua integralidade,
a Ode a Afrodite — ou Hino a Afrodite, preservado que fora
em obra de Dionisio de Halicarnasso (grego da Ásia Menor, viveu em Roma por volta
de 30 a.C.); além da poesia lírica, os antigos comentadores registraram que Safo
também escrevia poesia elegíaca e iâmbica; além de tais fragmentos poéticos e do
único poema integral, uma fonte sobre a vida da poetisa são os relatos biográficos
e literários de comentadores da antiguidade, historiadores que tiveram muito mais
acesso à poesia de Safo do que nós temos hoje em dia, no entanto não podemos saber
até que ponto tais relatos estão corretos; é tido que Safo criou uma confraria para
preparar moças nobres para o casamento, onde estudavam música, liam poesia e aprendiam
a dançar, sempre com a proteção da deusa Afrodite e das musas; a poetisa foi chamada
de ‘décima musa’, por Platão (428/427 a.C. — 348/347 a.C.), influenciou os poetas Horácio (65 a.C. — 8 a.C.) e Catulo (87 a.C.? —
57 a.C.?), que a traduziram e
imitaram seus textos e, em época muito mais contemporânea a nós, influenciou também
os italianos Ugo Foscolo (1778 — 1827) e Giacomo Leopardi (1798 — 1837); são vários os poetas que, em suas criações, se referem a Safo e a
sua poesia, dentre os quais Baudelaire e Paul Verlaine.