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Há no mar incógnitas paisagens,
Sombras formando um bronzeado trono,
Montanhas plúmbeas, pálidas ramagens
Que eu cuido contemplar num negro sono...
Não sei o que haverá nessas paragens
Que nos meus versos diluídos canto,
Não sei que entranhas, lânguidas imagens
Podem viver nesse estrelado manto!
Ah! por que foi satélite da Terra
A Lua, esse Astro incompreensível, místico,
E vemos nós as sombras que ela encerra?...
Certo no trono que estas sombras fazem,
Jaz o perfil do meu Sonhar artístico,
E as minhas Ilusões desfeitas jovem!...
(Ermida, pág. 17, 1900, Tipografia do
Instituto
Profissional, Rio de Janeiro.)
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes,
1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Cassiano Machado Tavares
Bastos (1885 — 1973), nascido em Santa Maria Madalena — RJ, ou C. Tavares Bastos,
fez seus primeiros estudos em colégio particular no Rio de Janeiro, aos 11 anos
matriculou-se no Internato do Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II), depois transferiu-se para o Externato
do mesmo instituto, cursou a Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais, bacharelou-se
em Ciências e Letras, foi funcionário público, poeta do Simbolismo e tradutor; iniciando sua
carreira como auxiliar de escrita da Estrada de Ferro Central do Brasil, exerceu
inúmeras funções no alto escalão do serviço público e na área diplomática, aposentou-se
em 1941 e passou a dedicar-se exclusivamente às letras; colaborou no semanário Rua
do Ouvidor, na Folha do Dia (redigia a coluna “Crônica Semanal”, sob o pseudônimo
“Cornely”), na revista Rosa Cruz e na revista Sousa Cruz, estas últimas de inspiração
simbolista; traduziu Victor Hugo, Baudelaire e Dante; escreveu e publicou Ermida
(poesia, versos dos 15 aos 17 anos, 1900), Versões Poéticas Brasileiras de Victor
Hugo (1952), Dante e Outros Poetas Italianos na Interpretação Brasileira (1953),
Baudelaire no Idioma Vernáculo (1963), Trovas do Crepúsculo (poesias, 1965), além
de ter produzido vários livros na área de Estatística; Cassiano Machado foi participante
ativo no movimento simbolista ao lado dos amigos e companheiros literários Saturnino
de Meireles, Pereira da Silva, Carlos D. Fernandes, Castro Meneses e outros; seu
estudo “Como surgiram os Místicos da Rosa Cruz (O Simbolismo no Brasil — A Influência
de Saturnino de Meireles — Os discípulos de Cruz e Sousa — Vicissitudes de uma Revista
de Arte)”, publicado no Jornal do Comércio de 14 de março de 1937, é de importância
fundamental para a história do simbolismo brasileiro, na sua segunda fase, no relato
de Andrade Muricy, organizador da obra Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro,
volumes I e II.