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terça-feira, 21 de abril de 2026

William Blake: A Garotinha Perdida

 
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[traduzido por Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho]

Antevejo que algum dia,
Tal qual uma profecia,
De um estado dormente
(E grava isto em sua mente!),

Erguer-se-á a terra à procura
Do criador em sua candura.
E o deserto ameaçador
Tornar-se-á jardim em flor.

No clima quente sulista
Ele nunca sai de vista:
É o sol que se deleita;
Doce Lyca lá se deita.

Com sete verões de idade,
Ter vagado a eternidade,
Que pássaros escutara,
A doce Lyca contara.

Doce sono, vem, me toca
Sob a sombra desta copa;
Pai e mãe a soluçar:
“Onde está Lyca a pousar?”.

Perdida no vil deserto
A criança está, por certo.
Como o sono adentrar
Com sua mãe a soluçar?

Se o seu coração aperta,
Deixa Lyca então desperta;
Se minha mãe adormece,
Lyca então não padece.

Ó noite, noite inclemente,
Sobre este deserto ardente,
Deixa sua lua ascender
Quando eu adormecer.

Deitada em sono está a menina:
Ao que bestas de rapina,
De cavernas a surgir,
Viram a donzela dormir.

Então o rei leão se sentou
E a virgem contemplou;
Daí saltou de lado a lado
Sobre o solo abençoado:

Brincavam tigres e leopardos
Em volta do corpo deitado,
Enquanto o velho leão
Trazia sua juba ao chão.

Ao seu pescoço, o leão veio
E, ao lamber-lhe os seios,
Com seus dois olhos em chama,
Um choro de sangue derrama.

Enquanto a leoa afrouxava
O vestido que ela usava,
Conduziram-na despida
Às cavernas, adormecida.

(Canções da Inocência — 1789)

William Blake

The Little Girl Lost

In futurity
I prophetic see.
That the earth from sleep.
(Grave the sentence deep)

Shall arise and seek
For her maker meek;
And the desart wild
Become a garden mild.

In the southern clime,
Where the summr’s prime
Never fades away,
Lovely Lyca lay.

Seven summers old
Lovely Lyca told;
She had wander’d long
Hearing wild birds’ song.

“Sweet sleep, come to me
Underneath this tree.
Do father, mother weep,
Where can Lyca sleep?

Lost in desart wild
Is your little child.
How can Lyca sleep
If her mother weep?

If her heart does ake
Then let Lyca wake;
If my mother sleep,
Lyca shall not weep.

Frowning, frowning night,
O'er this desart bright.
Let thy moon arise
While I close my eyes.”

Sleeping Lyca lay
While the beasts of prey,
Come from caverns deep,
View'd the maid asleep.

The kingly lion stood
And the virgin view'd,
Then he gambol’d round
O'er the hallow’d ground.

Leopards, tygers, play
Round her as she lay;
While the lion old
Bow'd his mane of gold

And her bosom lick,
And upon her neck
From his eyes of flame
Ruby tears there came;

While the lioness
Loos'd her slender dress
And naked they convey'd
To caves the sleeping maid.

(Songs of Innocence — 1789)
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William Blake — Canções da Inocência e Canções da Experiência, Edição bilíngue comentada, Tradução e Textos Introdutórios e Comentários de Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho, 2005, Disal Editora, São Paulo — SP; William Blake (1757 1827), inglês e londrino, foi tipógrafo, escritor, poeta, gravurista e artista plástico do pré-romantismo na Inglaterra; consta de sua biografia que, por decisão paterna, o poeta esteve alheio às escolas, não cumpriu a pedagogia oficial de então e foi incentivado a trilhar seu próprio caminho e desenvolver seus dotes artísticos; aprendeu técnicas de gravura e iniciou-se como gravurista; associou-se ao tipógrafo James Parker, abriu um atelier de impressão e passou a imprimir seus livros e suas gravuras; em 1779, foi admitido na Academia Real londrina, “a quem produziu gravuras para romances e catálogos em troca de instrução”; William Blake pode ser considerado um dos fundadores do movimento romântico, o Romantismo, na literatura inglesa; suas obras: Poetical Sketches (Esboços Poéticos, 1783), Songs of Innocence (Canções da Inocência, 1789), The French Revolution: A Poem in Seven Books (A Revolução Francesa, 1791), The Marriage of Heaven and Hell (O Casamento do Céu e do Inferno, 1793), Songs of Experience (Canções da Experiência, 1794), Milton (1804), Jerusalem (1820), “Rossetti” Manuscript (Manuscrito “Rossetti", publicação póstuma) e outros títulos, além de ilustrações e pinturas.

domingo, 22 de março de 2026

William Blake: A Garotinha Encontrada

 
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[traduzido por Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho]

A noite toda em aflição
Os pais de Lyca se vão,
Por vales penetrantes e
Desertos, em choro incessante.

Exaustos, por dor banidos,
Roucos de tantos gemidos:
Sete dias, lado a lado,
Haviam o deserto cruzado.

Ao sono o casal se entrega,
Por sete noites de trevas;
Num sonho vêem a criança,
À míngua e sem esperança.

Sem atalhos, em palidez,
A imagem então se desfez:
Faminta, fraca e chorosa,
Com voz vazia e lamentosa.

Saindo do dessossego
Refez-se a mulher, em medo;
Com pés tristes de cansaço,
Não podia dar um passo.

Nos braços ele a tomou
E de tristeza se armou;
Até que avistou um leão,
O qual descansava ao chão.

Retornar daria em nada;
Logo sua juba pesada
Os forçou a ajoelhar.
Ele se pôs a espreitar,

Sentindo o cheiro da caça.
Mas desfaz-se a ameaça
Quando lhes lambe as mãos
E, silente, se posta então.

Seus olhos fitam-no enquanto
São pegos por grande espanto:
E presenciam, pasmados,
O Espírito iluminado.

Na cabeça, coroado;
E seu cabelo dourado
Pelas costas escorria.
Preocupação não mais havia.

“Venham comigo”, ele disse;
“Não há porque estarem tristes;
Em meu palácio, a sonhar,
Lyca está a repousar”.

O casal então seguiu
A visão que os conduziu:
Da criança viram a imagem,
Em meio a tigres selvagens.

Eles habitam, desde então,
Um vale de solidão;
Sem temer do lobo o uivar,
Nem do leão seu urrar.

(Canções da Inocência — 1789)

William Blake

The Litttle Girl Found

All the night in woe
Lyca's parents go
Over valleys deep,
While the deserts weep.

Tired and woe-begone,
Hoarse with making moan,
Arm in arm, seven days
They trac’d the desert ways.

Seven nights they sleep
Among shadows deep,
And dream they see their child
Starved in desert wild.

Pale thro’ pathless ways
The fancied image strays,
Famish’d, weeping, weak,
With hollow piteous shriek.

Rising from unrest,
The trembling woman prest
With feet of weary woe;
She could no further go.

In his arms he bore
Her, arm’d with sorrow sore;
Till before their way
A couching lion lay.

Turning back was vain:
Soon his heavy mane
Bore them to the ground.
Then he stalked around,

Smelling to his prey;
But their fears allay
When he licks their hands,
And silent by them stands.

They look upon his eyes
Filled with deep surprise;
And wondering behold
A Spirit arm’d in gold.

On his head a crown,
On his shoulders down
Flow’d his golden hair.
Gone was all their care.

“Follow me,” he said;
“Weep not for the maid;
In my palace deep,
Lyca lies asleep.”

Then they followed
Where the vision led,
And saw their sleeping child
Among tygers wild.

To this day they dwell
In a lonely dell,
Nor fear the wolvish howl
Nor the lions’ growl.

(Songs of Innocence — 1789)
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William Blake — Canções da Inocência e Canções da Experiência, Edição bilíngue comentada, Tradução e Textos Introdutórios e Comentários de Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho, 2005, Disal Editora, São Paulo — SP; William Blake (1757 1827), inglês e londrino, foi tipógrafo, escritor, poeta, gravurista e artista plástico do pré-romantismo na Inglaterra; consta de sua biografia que, por decisão paterna, o poeta esteve alheio às escolas, não cumpriu a pedagogia oficial de então e foi incentivado a trilhar seu próprio caminho e desenvolver seus dotes artísticos; aprendeu técnicas de gravura e iniciou-se como gravurista; associou-se ao tipógrafo James Parker, abriu um atelier de impressão e passou a imprimir seus livros e suas gravuras; em 1779, foi admitido na Academia Real londrina, “a quem produziu gravuras para romances e catálogos em troca de instrução"; William Blake pode ser considerado um dos fundadores do movimento romântico, o Romantismo, na literatura inglesa; suas obras: Poetical Sketches (Esboços Poéticos, 1783), Songs of Innocence (Canções da Inocência, 1789), The French Revolution: A Poem in Seven Books (A Revolução Francesa, 1791), The Marriage of Heaven and Hell (O Casamento do Céu e do Inferno, 1793), Songs of Experience (Canções da Experiência, 1794), Milton (1804), Jerusalem (1820), “Rossetti” Manuscript (Manuscrito “Rossetti", publicação póstuma) e outros títulos, além de ilustrações e pinturas.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

William Blake: A Resposta da Terra

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[traduzido por Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho]

A face da Terra é surgida
Do breu, funesta e temida;
Sua lua fugida,
Espavorida!
Trancada, aflita, escondida:

“Na praia, entocada;
Pelo Ciúme do Céu confinada;
Cinza e gelada,
Angustiada,
Ouço o Pai de eras passadas.

Vaidoso pai da criação!
Cruel e ciumenta aflição!
Poderia a satisfação,
Cativa na escuridão,
Às virgens dar concepção?

A primavera oculta seu deleite
Quando os botões são florescentes?
Pode quem planta a semente
Fazê-lo à noite somente?
E há quem are ao sol poente?

Rompei este grilhão,
Egoísta e vão,
Que meus ossos congela em sua ação!
Eterna maldição,
Que fez do livre Amor escravidão!”

(Canções da Experiência — 1794)

William Blake

Earth’s Answer

Earth rais'd up her head,
From the darkness dread & drear.
Her light fled,
Stony dread!
And her locks cover'd with grey despair.

“Prison'd on wat’ry shore,
Starry Jealousy does keep my den:
Cold and hoar,
Weeping o'er,
I hear the Father of the ancient men.

Selfish father of men!
Cruel, jealous, selfish fear!
Can delight,
Chain'd in night,
The virgins of youth and morning bear?

Does spring hide its joy
When buds and blossoms grow?
Does the sower
Sow by night,
Or the plowman in darkness plow?

Break this heavy chain
That does freeze my bones around.
Selfish! vain!
Eternal bane!
That free Love with bondage bound.”

(Songs of Experience — 1794)
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William Blake — Canções da Inocência e Canções da Experiência, Edição bilíngue comentada, Tradução e Textos Introdutórios e Comentários de Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho, 2005, Disal Editora, São Paulo — SP; William Blake (1757 1827), inglês e londrino, foi tipógrafo, escritor, poeta, gravurista e artista plástico do pré-romantismo na Inglaterra; consta de sua biografia que, por decisão paterna, o poeta esteve alheio às escolas, não cumpriu a pedagogia oficial de então e foi incentivado a trilhar seu próprio caminho e desenvolver seus dotes artísticos; aprendeu técnicas de gravura e iniciou-se como gravurista; associou-se ao tipógrafo James Parker, abriu um atelier de impressão e passou a imprimir seus livros e suas gravuras; em 1779, foi admitido na Academia Real londrina, “a quem produziu gravuras para romances e catálogos em troca de instrução”; William Blake pode ser considerado um dos fundadores do movimento romântico, o Romantismo, na literatura inglesa; suas obras: Poetical Sketches (Esboços Poéticos, 1783), Songs of Innocence (Canções da Inocência, 1789), The French Revolution: A Poem in Seven Books (A Revolução Francesa, 1791), The Marriage of Heaven and Hell (O Casamento do Céu e do Inferno, 1793), Songs of Experience (Canções da Experiência, 1794), Milton (1804), Jerusalem (1820), “Rossetti” Manuscript (Manuscrito “Rossetti", publicação póstuma) e outros títulos, além de ilustrações e pinturas.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

William Blake: O Garotinho Perdido & O Garotinho Encontrado

 
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[traduzidos por Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho]

O Garotinho Perdido

“Ó meu Pai! Para onde vais?
Tu andas rápido demais!
Fala com teu garotinho,
Ou perderei meu caminho”.

Na noite escura, pai não havia;
O orvalho o umedeceu;
Na lama funda ele sofria,
E a bruma então se esvaeceu.

O Garotinho Enconrado

O garotinho pedido na lama,
Guiado por uma errante chama
Pôs-se a chorar; mas Deus, ao seu lado,
Lembrava-lhe o pai em branco trajado:

E tomando sua mão, ao beijar-lhe,
O trouxe até a mãe, que chorava
Em tristeza no deserto vale,
Onde seu garotinho buscava.

(Canções da Inocência — 1789)

William Blake

The Little Boy Lost

“Father! Father! Where are you going?
O do not walk so fast.
Speak, father, speak to your little boy.
Or else I shall be lost.”

The night was dark, no father was there;
The child was wet with dew;
The mire was deep, & the child did weep,
And away the vapour flew.

The Little Boy Found

The little boy lost in the lonely fen,
Led by the wand’ring light,
Began to cry; but God, ever nigh,
Appear’d like his father in white.

He kissed the child & by the hand led
And to his mother brought,
Who in sorrow pale, thro’ the lonely dale,
Her little boy weeping sought.

(Songs of Innocence — 1789)
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William Blake — Canções da Inocência e Canções da Experiência, Edição bilíngue comentada, Tradução e Textos Introdutórios e Comentários de Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho, 2005, Disal Editora, São Paulo — SP; William Blake (1757 1827), inglês e londrino, foi tipógrafo, escritor, poeta, gravurista e artista plástico do pré-romantismo na Inglaterra; consta de sua biografia que, por decisão paterna, o poeta esteve alheio às escolas, não cumpriu a pedagogia oficial de então e foi incentivado a trilhar seu próprio caminho e desenvolver seus dotes artísticos; aprendeu técnicas de gravura e iniciou-se como gravurista; associou-se ao tipógrafo James Parker, abriu um atelier de impressão e passou a imprimir seus livros e suas gravuras; em 1779, foi admitido na Academia Real londrina, “a quem produziu gravuras para romances e catálogos em troca de instrução”; William Blake pode ser considerado um dos fundadores do movimento romântico, o Romantismo, na literatura inglesa; suas obras: Poetical Sketches (Esboços Poéticos, 1783), Songs of Innocence (Canções da Inocência, 1789), The French Revolution: A Poem in Seven Books (A Revolução Francesa, 1791), The Marriage of Heaven and Hell (O Casamento do Céu e do Inferno, 1793), Songs of Experience (Canções da Experiência, 1794), Milton (1804), Jerusalem (1820), “Rossetti” Manuscript (Manuscrito “Rossetti", publicação póstuma) e outros títulos, além de ilustrações e pinturas.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

William Blake: Um Garotinho Perdido

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[traduzido por Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho]

“Nada ama o outro como a si,
Nem o venera tanto assim;
Nem lhe é possível conceber
Um alguém maior conhecer:

Como posso amar-te, ó Pai,
Ou qualquer de meus irmãos mais?
Amo-te como ao passarinho,
Que à porta cisca pedacinhos”.

O Padre ao garoto escutou;
Com zelo, agarrou-lhe o cabelo;
Seu traje, puxou com cuidado;
E todos viram, admirados.

E disse, no altar elevado:
“Olha esta coisa do diabo;
Toma a razão por magistrado
Do Mistério mais sagrado”.

Ninguém podia ouvir a criança;
Seus pais choravam, sem esperança;
Em parca veste a deixaram
E, com ferro, a acorrentaram;

E a cremaram em solo sagrado,
Onde outros haviam abrasado:
O choro dos pais foi em vão.
E tudo, nas praias de Albion?

(Canções da Experiência — 1794)

William Blake

A Little Boy Lost

"Nought loves another as itself,
Nor venerates another so,
Nor is it possible to Thought
A greater than itself to know:

And Father, how can I love you
Or any of my brothers more?
I love you like the little bird
That picks up crumbs around the door."

The Priest sat by and heard the child,
In trembling zeal he seiz’d his hair:
He led him by his little coat,
And all admir’d the Priestly care.

And standing on the altar high,
"Lo, what a fiend is here!” said he,
"One who sets reason up for judge
Of our most holy Mystery."

The weeping child could not be heard,
The weeping parents wept in vain;
They strip’d him to his little shirt,
And bound him in an iron chain;

And burn’d him in a holy place,
Where many had been burn’d before:
The weeping parents wept in vain.
Are such things done on Albion's shore?

(Songs of Experience — 1794)
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William Blake — Canções da Inocência e Canções da Experiência, Edição bilíngue comentada, Tradução e Textos Introdutórios e Comentários de Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho, 2005, Disal Editora, São Paulo — SP; William Blake (1757 1827), inglês e londrino, foi tipógrafo, escritor, poeta, gravurista e artista plástico do pré-romantismo na Inglaterra; consta de sua biografia que, por decisão paterna, o poeta esteve alheio às escolas, não cumpriu a pedagogia oficial de então e foi incentivado a trilhar seu próprio caminho e desenvolver seus dotes artísticos; aprendeu técnicas de gravura e iniciou-se como gravurista; associou-se ao tipógrafo James Parker, abriu um atelier de impressão e passou a imprimir seus livros e suas gravuras; em 1779, foi admitido na Academia Real londrina, “a quem produziu gravuras para romances e catálogos em troca de instrução”; William Blake pode ser considerado um dos fundadores do movimento romântico, o Romantismo, na literatura inglesa; suas obras: Poetical Sketches (Esboços Poéticos, 1783), Songs of Innocence (Canções da Inocência, 1789), The French Revolution: A Poem in Seven Books (A Revolução Francesa, 1791), The Marriage of Heaven and Hell (O Casamento do Céu e do Inferno, 1793), Songs of Experience (Canções da Experiência, 1794), Milton (1804), Jerusalem (1820), “Rossetti” Manuscript (Manuscrito “Rossetti", publicação póstuma) e outros títulos, além de ilustrações e pinturas.

segunda-feira, 30 de junho de 2025

William Blake: Sobre a Dor de Um Outro Alguém

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[traduzido por Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho]

Posso ver a dor de alguém
Sem que eu sinta dor também?
E ver o martírio do outro
Sem buscar próprio conforto?

Ver uma lágrima cair
E nenhum sofrimento sentir?
Pode um pai ver chorar o filho
Sem que a angústia venha a atingi-lo?

Pode uma mãe não dar ouvidos
Ao medo do filho aos gemidos?
Ah, não! Jamais poderão!
Nunca! Jamais poderão!

Pode ele, que a tudo sorri,
Ouvir o pássaro a fremir;
Ouvir a carriça que pena
E o choro de crianças pequenas,

Abandonando o próprio ninho
Onde, em dó, nutre os filhotinhos;
E afastar-se do berço enquanto
O próprio filho está em prantos,

Sem recostar-se em nenhum escoro,
Secando todo e qualquer choro?
Ó, não! Jamais poderá!
Nunca! Jamais poderá!

Ele dá a todos sua alegria;
Ele também se torna cria;
Torna-se um homem em agonia
E, como ele, se angustia.

Não podes suspirar em dor
Sem a presença do criador;
E não penses que podes chorar
Sem que ele steja a te olhar.

Ele nos dá contentamento,
Põe fim ao nosso sofrimento;
E até que a dor tenha passado
Ele lamenta ao nosso lado.

(Canções da Inocência — 1789)

William Blake

On Another’s Sorrow

Can I see another’s woe,
And not be in sorrow too?
Can I see another’s grief,
And not seek for kind relief?

Can I see a falling tear,
And not feel my sorrow’s share?
Can a father see his child
Weep, nor be with sorrow fill'd?

Can a mother sit and hear
An infant groan, an infant fear?
No, no! never can it be!
Never, never can it be!

And can he who smiles on all
Hear the wren with sorrows small,
Hear the small bird's grief & care,
Hear the woes that infants bear,

And not sit beside the nest,
Pouring pity in their breast;
And not sit the cradle near,
Weeping tear on infant's tear;

And not sit both night & day,
Wiping all our tears away?
O! no never can it be!
Never, never can it be!

He doth give his joy to all;
He becomes an infant small;
He becomes a man of woe;
He doth feel the sorrow too.

Think not thou canst sigh a sigh
And thy maker is not by;
Think not thou canst weep a tear
And thy maker is not near.

O! he gives to us his joy
That our grief he may destroy;
Till our grief is fled & gone
He doth sit by us and moan.

(Songs of Innocence — 1789)
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William Blake — Canções da Inocência e Canções da Experiência, Edição bilíngue comentada, Tradução e Textos Introdutórios e Comentários de Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho, 2005, Disal Editora, São Paulo — SP; William Blake (1757 1827), inglês e londrino, foi tipógrafo, escritor, poeta, gravurista e artista plástico do pré-romantismo na Inglaterra; consta de sua biografia que, por decisão paterna, o poeta esteve alheio às escolas, não cumpriu a pedagogia oficial de então e foi incentivado a trilhar seu próprio caminho e desenvolver seus dotes artísticos; aprendeu técnicas de gravura e iniciou-se como gravurista; associou-se ao tipógrafo James Parker, abriu um atelier de impressão e passou a imprimir seus livros e suas gravuras; em 1779, foi admitido na Academia Real londrina, “a quem produziu gravuras para romances e catálogos em troca de instrução”; William Blake pode ser considerado um dos fundadores do movimento romântico, o Romantismo, na literatura inglesa; suas obras: Poetical Sketches (Esboços Poéticos, 1783), Songs of Innocence (Canções da Inocência, 1789), The French Revolution: A Poem in Seven Books (A Revolução Francesa, 1791), The Marriage of Heaven and Hell (O Casamento do Céu e do Inferno, 1793), Songs of Experience (Canções da Experiência, 1794), Milton (1804), Jerusalem (1820), “Rossetti” Manuscript (Manuscrito “Rossetti", publicação póstuma) e outros títulos, além de ilustrações e pinturas.