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domingo, 9 de novembro de 2025

Gilka Machado: Ciúme

 
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[Meu glorioso pecado III]

A que buscas em mim, que vive em meio
de nós, e nos unindo nos separa,
não sei bem aonde vai, de onde veio,
trago-a no sangue assim como uma tara

Dou-te a carne que sou, mas teu anseio
fora possuí-la, a espiritual, a rara,
essa que tem o olhar ao mundo alheio,
essa que tão-somente astros encara.

Por que não sou como as demais mulheres?
Sinto que me possuindo, em mim preferes
aquela que é o meu íntimo avantesma...

E, ó meu amor, que ciúme dessa estranha,
dessa rival que os dias me acompanha,
para ruína gloriosa de mim mesma!

[Carne e Alma s/d], (Carne e Alma — 1931)

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Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras [inúmeras biografias e bibliografias]: (1711 — 2001), de Nelly Novaes Coelho, 2002, Editora Escrituras, São Paulo — SP; Gilka da Costa Melo Machado (1893 1980), nascida no Rio de Janeiro RJ, vinda de uma família de artistas, também trazia a arte nas veias, foi poetisa do simbolismo, feminista e sufragista; desde criança fazia versos, “com seus 13 para 14 anos ela venceu um concurso promovido pelo jornal A Imprensa, tendo conquistado não apenas o primeiro, mas também o segundo e o terceiro lugar com seus poemas (poemas quais foram assinados com seu nome e com pseudônimo)”; participou da fundação da revista de orientação simbolista Rosa Cruz e colaborou na maioria dos jornais cariocas da época  Mundo Brasileiro, A Cidade, Brasil Centenário, Jornal do Comércio, entre os quais; escreveu e publicou Cristais Partidos (1915), A revelação dos perfumes (1916), Estados de Alma (1917), Mulher Nua (1922), Meu Glorioso Pecado (1928), Poesia (1929), Carne e Alma (1931), Sublimação (1938), Meu Rosto (1947), Velha poesia (1965) e Poesias Completas (1987); a respeito da poeta, o crítico literário Péricles Eugênio da Silva Ramos comenta que “foi a maior figura feminina de nosso Simbolismo, em cuja ortodoxia se encaixa com seus dois livros capitais, Cristais Partidos e Estados de Alma.”; Gilka Machado foi pioneira no uso do erótico na poesia feminina brasileira, e, como feminista e sufragista, fez parte do grupo de mulheres que, ao lado de Bertha Lutz, criaram o Partido Republicano Feminino no ano de 1910 e no qual lutavam prioritariamente “pelo direito da mulher em votar”; recebeu premiações por sua obra: Revista O Malho (1933) e Academia Brasileira de Letras Prêmio Machado de Assis (1979).