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Vem de longe talvez, talvez de perto,
não sei de onde ela vem. Por entre a bruma
do seu mistério íntimo ressuma
um poema de dores encoberto.
Faz-se em torno de si como um deserto
de onde fugiu toda a alegria em suma,
e uma saudade imensa se avoluma
no seu olhar de um brilho vago, incerto.
Canta ao piano, à noite, umas baladas
de umas doces tristezas perfumadas,
de uns versos melancólicos, tristonhos...
E vêm-lhe d'alma, no tropel das notas,
pedaços, restos de utopias rotas,
tristes fragmentos de um colar de sonhos.
(Mário Linhares — Poetas esquecidos,
Irmãos Pongetti Editores, Rio, 1938.)
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Panorama da Poesia Brasileira,
Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora
Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Lívio da Rocha Barreto (1870 — 1895), cearense de Granja, foi caixeiro, guarda-livros,
empregado no comércio e poeta; seus versos começaram a aparecer na imprensa com a criação da Padaria Espiritual (1892), sociedade literária de Fortaleza, da qual o poeta foi um dos fundadores, e em cuja revista, O Pão, órgão da
sociedade, publicava seus textos sob o pseudônimo de Lucas Bizarro; Lívio Barreto também colaborou com os jornais cearenses A Luz e O Libertador, onde também
divulgava seus textos; editou-se, postumamente, Dolentes (1897), seu único livro;
o poeta também é lembrado em Poetas Esquecidos (1938), de Mário Linhares.