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Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semidéia,
Que, como um acidente em seu sujeito,
Assim como a alma minha se conforma,
Está no pensamento como idéia:
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.

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Poesia Clássica — Literatura Portuguesa, seleção
de Francisco Maciel Silveira, 1988, Global Editora, São Paulo — SP; Luís Vaz de Camões (1524 — 1580), português, teria
nascido em Lisboa ou em Coimbra, foi poeta e é considerado um dos maiores
vultos da literatura em língua portuguesa da Renascença e um dos grandes poetas
do mundo ocidental; foi através de sua obra poética que a língua portuguesa
passou a expressar sentimentos, sensações, fatos e idéias de uma forma até
então jamais alcançada por ninguém; retratou o humanismo e a expansão
ultramarina, dois elementos que caracterizaram o Renascimento Português;
celebrizou-se não tão somente por ter escrito Os Lusíadas, longo
poema épico que expõe a história e a cultura portuguesa até à época vigentes,
mas também pelo desenvolvimento de uma obra lírica na qual se encontram, entre
os poemas mais famosos, os sonetos; foi só após a sua morte que teve reunida,
na coletânea Rimas, sua obra lírica.