Mostrando postagens com marcador Maria Teresa Almeida Pina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maria Teresa Almeida Pina. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de março de 2016

Alfonsina Storni: O Rogo

Resultado de imagem para Antologia Poética — Alfonsina Storni capitulo 34
____________________
[traduzido por Maria Teresa Almeida Pina]

Senhor, Senhor, faz já tanto tempo, um dia 
Sonhei um amor como jamais pudera
Sonhá-lo ninguém, algum amor que fora
A vida toda, toda a poesia…

E passava o inverno e não vinha,
E passava também a primavera,
E o verão de novo persistia,
E o outono me encontrava em minha espera.

Senhor, Senhor; minhas costas estão desnudas.
Faça estalar ali, com mão rude,
O açoite que sangra aos perversos!

Que está a tarde já sobre minha vida,
E esta paixão ardente e desmedida,
A hei perdido, Senhor, fazendo versos!

Resultado de imagem para alfonsina storni poesia
Alfonsina Storni

El Ruego

Señor, Señor, hace ya tiempo, un día
Soñé un amor como jamás pudiera
Soñarlo nadie, algún amor que fuera
La vida toda, toda la poesía.
            
Y pasaba el invierno y no venía,
Y pasaba también la primavera,
Y el verano de nuevo persistía,
Y el otoño me hallaba con mi espera.
            
Señor, Señor: mi espalda está desnuda:
¡Haz estallar allí, con mano ruda,
El látigo que sangra a los perversos!
            
Que está la tarde ya sobre mi vida,
Esta pasión ardiente y desmedida
La he perdido, ¡Señor, haciendo versos!

Languidez  1920
____________________
Antologia Poética — Alfonsina Storni, Selección por Alfredo Veirave (Biblioteca Argentina Fundamental, Capitulo 34), 1968, Centro Editor de America Latina, Buenos Aires — Argentina; Alfonsina Storni Martignoni (1892 1938), nascida em Sala Capriasca Suíça, filha de pais argentinos, foi poeta, atriz e professora; aos 4 anos de idade retornou à Argentina, levou uma vida com dificuldades financeiras e, para o sustento familiar, trabalhou como costureira e operária; colaborou com seus textos nas revistas Caras y Caretas, Fray Mocho, e nos jornais La Nota e La Nacion; escreveu e publicou La inquietud del rosal (1916), El dulce daño (1918), Irremediablemente (1919), Languidez (1920), Ocre (1925), Poemas de amor (em prosa, 1926), Dos farsas pirotécnicas — Cimbellina en 1900 y pico e Polixena y la cenicienta (peças teatrais, 1931), Mundo de siete pozos (1934) e outros títulos em verso, prosa e para teatro; consta que a poeta suicidou-se caminhando para dentro do mar, e tal ato foi registrado poeticamente na canção ‘Alfonsina y el mar’ gravada por Mercedes Sosa; seu corpo foi resgatado do oceano no dia 25 de outubro de 1938; três dias antes de suicidar-se envia para publicação em um jornal o soneto ‘Voy a dormir’.