
[traduzido por Maria Teresa Almeida Pina]
Senhor, Senhor, faz já tanto
tempo, um dia
Sonhei um amor como jamais pudera
Sonhá-lo ninguém, algum amor que fora
A vida toda, toda a poesia…
E passava o inverno e não vinha,
E passava também a primavera,
E o verão de novo persistia,
E o outono me encontrava em minha espera.
Senhor, Senhor; minhas costas estão desnudas.
Faça estalar ali, com mão rude,
O açoite que sangra aos perversos!
Que está a tarde já sobre minha vida,
E esta paixão ardente e desmedida,
Sonhá-lo ninguém, algum amor que fora
A vida toda, toda a poesia…
E passava o inverno e não vinha,
E passava também a primavera,
E o verão de novo persistia,
E o outono me encontrava em minha espera.
Senhor, Senhor; minhas costas estão desnudas.
Faça estalar ali, com mão rude,
O açoite que sangra aos perversos!
Que está a tarde já sobre minha vida,
E esta paixão ardente e desmedida,
A hei perdido, Senhor, fazendo versos!
| Alfonsina Storni |
El Ruego
Señor, Señor, hace ya
tiempo, un día
Soñé un amor como jamás pudiera
Soñarlo nadie, algún amor que fuera
La vida toda, toda la poesía.
Y pasaba el invierno y no venía,
Y pasaba también la primavera,
Y el verano de nuevo persistía,
Y el otoño me hallaba con mi espera.
Señor, Señor: mi espalda está desnuda:
¡Haz estallar allí, con mano ruda,
El látigo que sangra a los perversos!
Que está la tarde ya sobre mi vida,
Esta pasión ardiente y desmedida
La he perdido, ¡Señor, haciendo versos!
Soñarlo nadie, algún amor que fuera
La vida toda, toda la poesía.
Y pasaba el invierno y no venía,
Y pasaba también la primavera,
Y el verano de nuevo persistía,
Y el otoño me hallaba con mi espera.
Señor, Señor: mi espalda está desnuda:
¡Haz estallar allí, con mano ruda,
El látigo que sangra a los perversos!
Que está la tarde ya sobre mi vida,
Esta pasión ardiente y desmedida
La he perdido, ¡Señor, haciendo versos!
Languidez — 1920
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Antologia
Poética — Alfonsina Storni, Selección por Alfredo Veirave (Biblioteca
Argentina Fundamental, Capitulo 34), 1968, Centro Editor de America
Latina, Buenos Aires — Argentina; Alfonsina
Storni Martignoni (1892 — 1938), nascida em Sala Capriasca — Suíça, filha
de pais argentinos, foi poeta, atriz e professora; aos 4 anos de idade
retornou à Argentina, levou uma vida com dificuldades financeiras e, para o
sustento familiar, trabalhou como costureira e operária; colaborou com seus
textos nas revistas Caras y Caretas, Fray Mocho, e nos
jornais La Nota e La Nacion; escreveu e publicou La
inquietud del rosal (1916), El dulce daño (1918), Irremediablemente (1919), Languidez (1920), Ocre (1925), Poemas
de amor (em prosa, 1926), Dos farsas pirotécnicas — Cimbellina
en 1900 y pico e Polixena y la cenicienta (peças teatrais,
1931), Mundo de siete pozos (1934) e outros títulos em verso, prosa e
para teatro; consta que a poeta suicidou-se caminhando para dentro do mar, e
tal ato foi registrado poeticamente na canção ‘Alfonsina y el mar’ gravada por
Mercedes Sosa; seu corpo foi resgatado do oceano no dia 25 de outubro de 1938;
três dias antes de suicidar-se envia para publicação em um jornal o soneto ‘Voy
a dormir’.