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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Emily Dickinson: A aranha traz uma bola de prata . . .

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[traduzido por Ivo Bender]

A aranha traz uma bola de prata
Nas mãos que não se veem
E ao dançar, leve e sozinha,
Desata seu perolado novelo.

Com artes imateriais,
De nada em nada vai tecendo;
Sua trama supera as nossas,
Na metade do tempo.

Rapidamente levanta
Territórios luzidios,
Pendentes depois de uma vassoura 
Seus limites, esquecidos.

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Emily Dickinson

The spider holds a Silver Ball
In unperceived Hands 
And dancing softly to Himself
His Yarn of Pearl  unwinds 

He plies from Nought to Nought 
In unsubstantial Trade 
Supplants our Tapestries with His 
In half the period 

An Hour to rear supreme
His Continents of Light 
Then dangle from the Housewife's Broom 
His Boundaries  forgot 
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Emily Dickinson — Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre — RS; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

sábado, 29 de dezembro de 2018

Emily Dickinson: À noite, como deve sentir-se solitário o vento . . .

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[traduzido por Ivo Bender]

À noite, como deve sentir-se solitário o vento
Quando todos apagam a luz
E quem possui um abrigo
Fecha a janela e vai dormir.

Ao meio-dia, como deve sentir-se imponente o vento
Ao pisar em incorpórea música,
Corrigindo erros do firmamento
E limpando a cena.

Pela manhã, como deve sentir-se poderoso o vento
Ao se deter em mil auroras,
Desposando cada uma, rejeitando todas
E voando para seu esguio templo, depois.

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Emily Dickinson

How lonesome the Wind must feel Nights 
When people have put out the Lights
And everything that has an Inn
Closes the shutter and goes in 

How pompous the Wind must feel Noons
Stepping to incorporeal Tunes
Correcting errors of the sky
And clarifying scenery

How mighty the Wind must feel Morns
Encamping on a thousand dawns
Espousing each and spurning all
Then soaring to his Temple Tall 
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Emily Dickinson — Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre — RS; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Emily Dickinson: Banir a mim de mim mesma, . . .

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[traduzido por Ivo Bender]

Banir a mim de mim mesma,
Tivera eu esse dom!
Inexpugnável fosse a minha fortaleza,
Ante toda audácia.

Uma vez, porém, que eu mesma me assalto,
Como terei paz
A não ser sujeitando
A consciência?

E desde que somos monarcas um para o outro,
Como poderei alcançá-lo
A não ser abdicando
De mim mesma?

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Emily Dickinson

Me from Myself  to banish 
Had I Art 
Impregnable my Fortress
Unto All Heart 

But since Myself  assault Me 
How have I peace
Except by subjugating
Consciousness?

And since We’re mutual Monarch
How this be
Except by Abdication 
Me  of me?
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Emily Dickinson — Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre — RS; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Emily Dickinson: Para as assombrações, desnecessária é a alcova, . . .

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[traduzido por Ivo Bender]

Para as assombrações, desnecessária é a alcova,
Desnecessária, a casa 
O cérebro tem corredores que superam
Os espaços materiais.

Mais seguro é encontrar à meia-noite
Um fantasma,
Que enfrentar, internamente,
Aquele hóspede mais pálido.

Mais seguro é galopar cruzando um cemitério
Por pedras tumulares ameaçado,
Que, ausente a lua, encontrar-se a si mesmo
Em desolado espaço.

O “eu”, por trás de nós oculto,
É muito mais assustador,
E um assassino escondido em nosso quarto,
Dentre os horrores, é o menor.

O homem prudente leva consigo uma arma
E cerra os ferrolhos da porta,
Sem perceber um outro espectro,
Mais ínfimo e maior.

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Emily Dickinson

One need not be a Chamber  to be Haunted 
One need not be a house 
The Brain has Corridors  surpassing
Material Place 

Far safer, of a Midnight Meeting
External Ghost 
Than its interior Confronting 
That cooler Host.

Far safer, through an Abbey gallop,
The Stones a’chase 
Than Unarmed, one’s a self encounter
In lonesome Place 

Ourself behind ourself, concealed 
Should startle most 
Assassin hid in our Apartment
Be Horror's least.

The Body  borrows a Revolver 
He bolts the Door 
O’erlooking a superior spectre 
Or More 
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Emily Dickinson — Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre — RS; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890). 

domingo, 11 de março de 2018

Emily Dickinson: É mais fácil encontrar um amigo que é sombra para os dias quentes

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[traduzido por Ivo Bender]

É mais fácil encontrar
Um amigo que é sombra para os dias quentes,
Do que algum outro, caloroso,
Para as horas frias da mente.

Voltado um tanto para o leste, o catavento
Põe em fuga as almas de musselina;
E se mais firmes são os corações de seda
Do que os feitos de organdi,

A quem culpar? Ao tecelão?
Ó os enganadores fios!
No paraíso, as alfombras
Têm urdidura invisível.

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Emily Dickinson

A shady friend  for Torrid days 
Is easier to find 
Than one of higher temperature
For Frigid  hour of Mind 

The Vane a little to the East 
Scares Muslin souls  away 
If Broadcloth Hearts are firmer 
Than those of Organdy 

Who is to blame? The Weaver? 
Ah, the bewildering thread! 
The Tapestries of Paradise
So notelessly  are made!
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Emily Dickinson — Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre — RS; Emily Elizabeth Dickinson (1830   1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Emily Dickinson: Ao varrer o sagrado desvão denominado Memória

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Ao varrer o sagrado desvão
Denominado Memória,
Escolhe uma vassoura reverente
E faz um silêncio em teu trabalho.

Será um labor de surpresas 
Além da própria identidade,
Outros interlocutores
São uma possibilidade.

Nesses domínios é nobre a poeira,
Deixe que repouse intocada 
Não tens como removê-la,
Mas ela pode silenciar-te.

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Emily Dickinson

That sacred Closet when you sweep 
Entitled "Memory" 
Select a reverential Broom 
And do it silently.

'Twill be a Labor of surprise 
Besides Identity
Of other Interlocutors
A probability 

August the Dust of that Domain 
Unchallenged  let it lie 
You cannot supersede itself
But it can silence you 
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Emily Dickinson — Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre — RS; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma enorme quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Emily Dickinson: Minha vida, uma arma carregada

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[traduzido por Ivo Bender]

Minha vida, uma arma carregada,
Ficou pelos cantos até o dia
Em que o dono passou e, ao reconhecer-me,
Levou-me dali consigo.

Agora, vagueamos por régios bosques
E damos caça ao cervo;
E sempre que por meu amo falo,
Os montes respondem céleres.

Se eu sorrio, uma luz tão calorosa
Rebrilha por sobre o vale
Como se a face de um Vesúvio
Seu prazer deixasse vazar.

E, cumprido mais um dia, estar à noite
Em guarda à cabeceira de meu mestre
É melhor que partilhar
Um farto travesseiro de penas.

De seu inimigo, mortal inimiga sou
E, ao que insiste em afrontá-lo,
Oponho um olho amarelo
Ou um polegar enfático.

Embora mais que ele, talvez eu viva,
Mais que eu deveria ele viver;
Pois tenho tão só o poder de matar,
Não me é dado o poder de morrer.

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Emily Dickinson

My Life had stood  a Loaded Gun 
In Corners  till a Day
The Owner passed  identified 
And carried Me away 

And now We roam in Sovereign Woods 
And now We hunt the Doe 
And every time I speak for Him 
The Mountains straight reply 

And do I smile, such cordial light
Upon the Valley glow 
It is as a Vesuvian face
Had let its pleasure through 

And when at Night  our good Day done 
I guard My Master's Head 
'Tis better than the Eider-Duck's
Deep Pillow  to have shared 

To foe of His  I'm deadly foe 
None stir the second time 
On whom I lay a Yellow Eye 
Or an emphatic Thumb 

Though I than He  may longer live
He longer must  than I 
For I have but the power to kill,
Without  the power to die 
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Emily Dickinson — Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre — RS; Emily Elizabeth Dickinson (1830 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passando a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).

domingo, 31 de dezembro de 2017

Emily Dickinson: Examinar, reverente, uma caixa de ébano

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[traduzido por Ivo Bender]

Examinar, reverente, uma caixa de ébano
Depois de passados os anos;
Remover o aveludado pó
Ali deixado pelos verões.

Trazer, sob a luz, uma carta
Pelo tempo esmaecida,
Perscrutar a letra pálida
Que nos aqueceu, feito vinho.

Entre os guardados talvez se encontrem
A corola fanada de uma flor,
Colhida por mão nobre e fértil
Certa manhã, muito longe.

Ou caracóis de frontes,
Por nossa constância olvidadas;
Talvez um antiquado adorno
Em perdidas vestes usado.

Depois, tornar a guardar essas coisas
E voltar aos afazeres,
Como se a pequena caixa de ébano
Não nos dissesse respeito.

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Emily Dickinson

In Ebon Box, when years have flown
To reverently peer 
Wiping away the velvet dust
Summers have sprinkled there!

To hold a letter to the light 
Grown Tawny now, with time 
To con the faded syllables
That quickened us like Wine!

Perhaps a Flower's shrivelled cheek
Among its stores to find 
Plucked far away, some morning 
By gallant  mouldering hand!

A curl, perhaps, from foreheads
Our Constancy forgot 
Perhaps, an Antique trinket 
In vanished fashions set!

And then to lay them quiet back 
And go about its care 
As if the little Ebon Box
Were none of our affair!
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Emily Dickinson  Poemas escolhidos, edição bilíngue, Seleção, Tradução e Introdução de Ivo Bender, Coleção L&PM Pocket, vol. 436,  2016, L&PM, Porto Alegre  RS; Emily Elizabeth  Dickinson (1830  — 1886), nascida em Amherst, Massachusetts, Estados Unidos, foi poeta; cursou durante um ano o South Hadley Female Seminary e o abandonou após recusa pública em declarar sua fé, daí passou a viver reclusa em sua própria casa, por mais de vinte anos; nada publicou em vida; após sua morte, uma sua irmã, Lavínia, encontrou todos seus textos, uma grande quantidade de poemas inéditos, em cadernos e folhas soltas, e dispôs-se a publicá-los; editou-se, assim, Poems by Emily Dickinson (1890).