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domingo, 24 de maio de 2026

Musset: Claustros silenciosos, abóbodas monásticas, . . . [excerto de Rolla, IV]

 

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[traduzido por Gomes Júnior]

Claustros silenciosos, abóbodas monásticas,
Só vós, túmulos frios, só vós sabeis amar!
São vossas naves frias, vossas lousas fantásticas,
Que nunca lábio em fogo beijou sem desmaiar!

Oh! vinde, vinde abrir vossas entranhas frias
Á estes entes lindos, que invejam vossa sorte,
Sobre um macio leito, cercado de magias,
Que é bom unicamente para o sono ou para a morte!

Tocar, por piedade, nos vossos sacrifícios,
Seos corações mimosos, que morrem de langor,
E nas sangrentas dores de bárbaros cilícios
Mostrai-lhes o mistério do vosso puro amor.

Banhai-lhes, pois, as frontes nas águas batismais,
Dizei-lhes quantos anos, com que constância, a sós,
Devem ajoelhar-se nas pedras sepulcrais
Antes de suspeitarem que amàm como vós!

Alfred de Musset

Cloîtres silencieux, voûtes des monastères, . . .
[Rolla IV, fragment]

[ . . . ]

Cloîtres silencieux, voûtes des monastères,
C’est vous, sombres caveaux, vous qui savez aimer!
Ce sont vos froides nefs, vos pavés et vos pierres,
Que jamais lèvre en feu n’a baisés sans pâmer.
Oh! venez donc rouvrir vos profondes entrailles
À ces deux enfants-là qui cherchent le plaisir
Sur un lit qui n’est bon qu’à dormir ou mourir;
Frappez-leur donc le cœur sur vos saintes murailles,
Que la haire sanglante y fasse entrer ses clous.
Trempez-leur donc le front dans les eaux baptismales,
Dites-leur donc un peu ce qu’avec leurs genoux
Il leur faudrait user de pierres sépulcrales
Avant de soupçonner qu’on aime comme vous!

[ . . . ]

(Rolla: I, II, III, IV and V — 1833)
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Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França [111 autorias e vários tradutores], Organização, Seleção e Prefácio por R. Magalhães Jr., e Texto à Guisa de Introdução por Michel Simon, Clássicos de bolso Ediouro nº 12126, sem data, [1985?], Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Alfred Louis Charles de Musset (1810 1857), francês e parisiense, antes de completar 9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri IV, concluiu o ensino médio, depois aventurou-se nos estudos de medicina, direito, pintura, música, logo os abandonou, e passou a se dedicar com determinação e interesse à literatura, foi poeta, novelista, romancista, crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible" do período romantista em Paris; “desde os 14 anos já fazia seus versos": A ma mére (1824), À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve et L’anglais mangeur d’opium (1828)...; escreveu e publicou Premières poésies (1829), Une nuit vénitienne (teatro, 1830), Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de poemas, Contos da Espanha e da Itália, 1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos secretos de Raphael, 1830), Voeux stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema narrativo, 1831), La coupe et les lèvres (teatro, 1832), Rolla: I, II, III, IV and V (longo poema narrativo, 1833), On ne badine pas avec l'amour (Com o amor não se brinca, teatro comédia, 1834), Lorenzaccio (drama romântico, 1834), Fantasio (teatro comédia, 1834), Le Chandelier (comédia em três atos, 1835), La confession d'un enfant du siècle (A confissão de um filho do século, novela autobiográfica, 1836), Les Nuits: La Nuit de Mai [1835], La Nuit de Décembre [1835], La Nuit d'Août [1836], La Nuit d'Octobre [1837], La Nuit d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838), Lettres du Dupuis et Cotonet (crítica, Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir (Recordação, 1841), Il faut qu'une porte soit ouverte ou fermé (É preciso que uma porta esteja aberta ou fechada, comédia, 1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850), Bettine (comédia, 1851) e outros textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas musicados por Hector Berlioz [poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano, Venise, 1849], Édouard Lalo [trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et La Zuecca, 1870], Claude Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole, 1883] etc.; pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos frequentadores do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier bibliotecário da Bibliotéque de l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros; passou a viver como um “dândi devasso”, teve várias amantes, uma das quais a escritora George Sand [pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado com a Legião de Honra em reconhecimento à sua influência na literatura francesa; com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo alcoolismo, pela ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de maio de 1857”, aos 46 anos.