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sábado, 17 de fevereiro de 2024

matusalém da silva: "tropeçando em risca de ladrilho"


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Constatei-me velho desde o instante em que
me vi tropeçando em taco, em risca de ladrilho.
[Ziraldo, carthumorista].

sinto em mim sua presença
embora ausente põe limites no que faço
até controla o que penso
imagino-a à espreita
na curva do caminho

quando eu estiver bem velhinho
alquebrado com vista fraca ouvindo pouco
“tropeçando em risca de ladrilho”
é inevitável que venha

o ontem: acabou-se o que era doce
o instantâneo hoje: de modo algum traz amargor
o amanhã? deixemos pra depois...

sem pressa sem pressa...
não sou vidente mas ela vem
que assim seja

sp — 05.02.24
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matusalém da silva e alguns outros silva, além de genésio dos santos, são um só ativista da palavra.

sábado, 3 de fevereiro de 2024

Carlos Drummond de Andrade: A festa de Ziraldo


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Vou à festa de Ziraldo,
vou levando o Jeremias.
Ziraldo vai me mostrando
o tom de Flicts da Lua.
Jeremias, meu compadre,
meu anjo da guarda de óculos,
dá uma de milagreiro
fazendo que a supermãe
largue o súper, se tornando
mãe comum ao natural.
A festa vai esquentando
dentro e fora da piscina.
Jeremias e Ziraldo
ao soar a concertina
já se tornam Jerizaldo
e Ziralmias, no caos?
Entra a Rainha, entra o Príncipe
da Grã-Britânia ou Caxias,
entra toda a macacada
com sentido na cerveja,
no hot-dog e no restante
que se pega ou se fareja,
mas Ziraldo, ziraldando,
e Jeremias, quebrando
o galho de toda gente,
me mostram que a melhor festa,
de todas a mais bacana,
inserida no contexto,
está nos livros-mandinga,
nos cartoons, bonecos, bolas
incomparáveis de um certo
mineiro de Caratinga.

Amar se aprende amando — 1985

Ziraldo & Drummond
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Amar Se Aprende Amando, poesia de convívio e de humor — Carlos Drummond de Andrade, 6ª edição, 1986, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Carlos Drummond de Andrade (1902 1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista, viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso e prosa publicadas em livros, jornais e revistas pelo país afora e no resto do mundo; suas obras: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940); José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945); Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952); Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira, crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo; Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967); Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970); O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo — Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar, crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988); Farewell (1996) e outros textos...

terça-feira, 16 de abril de 2019

p. da silva: só o humor corrói

Resultado de imagem para só dói quando eu rio *
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da série #contemporaníssima2019

  • seria a loucura apenas um jeito de recusar a razão vigente no nosso tempo? alienista da silva
  • não proliferariam vendedores de gato por lebre se não existissem potenciais compradores no mercado. abravanel da silva
  • quando o ruim fica bom, está pior do que nunca. fernando apparício brinkerhoff torelly
  • se eu me atrasar, comece a crise sem mim. gail sheehy
  • não confunda o meu silêncio com aprovação a qualquer idiotice, só não quero ser tagarela. introspectivo da silva
  • idiota mesmo é o sujeito que ouvindo uma história com duplo sentido não entende nenhum dos dois. millôr fernandes
  • hobbes fracassou ou é tão somente o início de tempos hobbesianos? rousseau da silva
  • burrice conheço certos sujeitos que se caírem de quatro não só não se levantam como nem têm a menor vontade. millôr
  • viver no mundo da lua não tem graça nenhuma. la boétie da silva
  • senzala pra todo mundo ou locupletemo-nos todos. estanislau da silva
  • só o humor corrói. p. da silva

* nota do aprendiz de blogueiro deste verso e conversa: ziraldo
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p. da silva, abravanel da silva, estanislau da silva, rousseau da silva, la boétie da silva, introspectivo da silva e alienista da silva são um só frasista e uma só pessoa; os outros são os outros.