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O circo está armado, a democracia burguesa. Os artistas
circenses já estão se credenciando para as apresentações no picadeiro.
Senhoras e Senhores: Vai começar o espetáculo!!!
As eleições serão no ano que vem, 2022, mas já estão
acontecendo.
A maioria dos artistas se apresenta apenas por dinheiro e
alguns para ver a platéia feliz.
Nesse circo temos a orquestra.
O apresentador, dono de uma belíssima retórica, conduz o
espetáculo. Ele também é o maestro que escolhe as músicas que a platéia gosta e
canta junto.
Lula encanta e quando o espetáculo terminar, sendo eleito
o melhor, sabe que a platéia voltará feliz para casa. O que a platéia quer é
ser feliz.
Num circo não pode faltar o palhaço. Nesse, temos o palhaço Bozo. É sem graça e suas piadas mais fazem chorar do que rir.
É humor negro, piadas tétricas. Dizem que esse palhaço é
de morte.
Vez em quando a platéia grita: “E o palhaço o que é? É
ladrão de...”
Ciro, o contorcionista, ora contorce-se à direita, ora
à esquerda. Não se sabe se ele pensa com a cabeça de baixo ou com a de cima.
Normalmente troca as mãos pelos pés.
Não se pode dizer que são pés, é uma cobertura córnea ou
unha espessa na última falange dos dedos dos angulares. É formado por epitélio
de queratina... vulgo casco.
Temos o trapezista Huck. Não tem muita experiência,
precisa de alguns segurando sua bunda para subir no balanço e tem uma rede para
protegê-lo. Dizem que rede é bobo, mas para ele é necessária.
Doria, o equilibrista, o número principal dele é se
equilibrar em cordas. Salta de uma corda para outra para conseguir o seu
objetivo, ser o protagonista principal do circo.
Temos também uns mágicos com truques baratos, uns
ilusionistas e umas aberrações da natureza que são colocadas para chocar a
platéia.
Os animais foram proibidos em circos por maus tratos, mas
os domadores, uns militares, ainda mantêm a esperança de voltarem ao picadeiro.
Com seus chicotes e varas elétricas, rondam o circo e o picadeiro. Alguns se
apresentam nos bastidores e pressionam os donos dos circos a fazerem alguma
coisa para retomarem com os animais.
Dizem que caso não retornem por bem, retornarão por mal.
Podem até colocar fogo no circo, não importando se tem platéia ou não.
E na platéia?
Temos os camarotes. Estão neles os mais abastados, que
“pagam e recebem” pelo privilégio de verem o espetáculo todo, usufruindo do bom
e do melhor, com garçons, bebidas, petiscos e até... mulheres.
Nas cadeiras numeradas frente ao palco estão os que
gostariam de subir para os camarotes, mas se contentam em contracenar
eventualmente com os artistas.
Logo atrás estão os das cadeiras que sonham um dia
sentarem nas numeradas e perigam um dia caírem na geral.
Me preocupa os da geral. São famílias, pais, mães e
filhos, sentados nas tábuas em volta do picadeiro. Vêem o espetáculo de longe
ou no telão. Volta e meia algum despenca, quando não acontece algum acidente
grave com quebras das tábuas, envolvendo várias pessoas.
Eu sempre amei circos. Quando não tinha dinheiro para o
ingresso, eu dava um jeito e entrava escondido por baixo da lona, correndo o
risco dos seguranças me pegarem, darem uns tabefes na minha cabeça e me jogarem
para fora.
Votarei no Lula, o maestro, mas esse Gran Circus Demo não
me faz feliz.
O que eu gostaria, na realidade, é que os da geral
dirigissem e fizessem o espetáculo.
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Rubens dos Santos, nascido em 1956, paulista de Mirandópolis, é escritor, cronista,
poeta, compositor e letrista; foi bancário e participou da diretoria do Sindicato
dos Bancários de São Paulo, tendo sido eleito em 1979 quando da retomada do sindicato
pela Oposição Bancária; à época, devido atividades grevistas na categoria e com liderança do sindicato, houve intervenção governamental no Seeb-SP, com todos os dirigentes sindicais bancários (Rubens dos Santos incluso) tendo seus mandatos cassados pela ditadura militar que assombrava o país desde 1964 e que durou até
1985; atualmente morando em Mayen, Rubens vive na Alemanha desde a década de 80 do século passado.

