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segunda-feira, 19 de março de 2018

Djalma Andrade: Ato de Caridade

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Que eu faça o bem e de tal modo o faça,
que ninguém saiba o quanto me custou.
Mãe, espero em ti mais esta graça:
 que eu seja bom sem parecer que o sou.

Que o pouco que me dês me satisfaça,
e se do pouco mesmo algum sobrou,
que eu leve esta migalha onde a desgraça
inesperadamente penetrou.

Que a minha mesa, a mais, tenha um talher
que será, minha Mãe, Senhora nossa,
para o pobre faminto que vier.

Que eu transponha tropeços e embaraços:
 que eu não coma, sozinho, o pão que possa
ser partido, por mim, em dois pedaços!

(Vinha Ressequida — 1922)

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Antologia de Poemas para a Juventude (vários autores) — Organização e Apresentação de Henriqueta Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações S/A, Rio de Janeiro — RJ; Djalma Andrade (1891  1975), mineiro de Congonhas do Campo, formado em Direito, foi jornalista, professor e poeta; durante muitos anos, com os pseudônimos de Guilherme Tell ou Félix D'Arruda, colaborou com jornais de Minas Gerais; escreveu e publicou Vinha Ressequida (1922), Balas de Estalo (sob o pseudônimo de Guilherme Tell),  Brasil, Ditosa Pátria (coletânea de versos patrióticos, 1925), Versos Escolhidos (1928),  Sátiras (1939), Cartuchos de FestimPoemas de Ontem e de Hoje (1937), Versos Escolhidos e Epigramas (1946); lecionou História e Literatura Brasileira.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Djalma Andrade: Artista

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Que graças pões, Maria, e que cuidado
No arranjo e na feitura do teu ninho!
Eu nunca vi um quarto de noivado
Feito com arte tal, com tal carinho...

Nas fronhas lindas e no cortinado,
Na alvura dos lençóis de puro linho,
Transparece o teu gosto requintado.
Benditas sejam tuas mãos de arminho!

No teu leito há talento, eu te asseguro,
E ninguém poderia, amor, supô-lo:
— Em tão pequena coisa, tanto apuro...

E eu penso vendo o teu bom gosto e zelo,
Se tal arte tu mostras em compô-lo
Que perícia terás em revolvê-lo!...

(Poemas de Ontem e de Hoje,
 sem data, págs. 39 e 40)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Djalma Andrade (1891 1975), mineiro de Congonhas do Campo, formado em Direito, foi jornalista, professor e poeta; durante muitos anos, com os pseudônimos de Guilherme Tell ou Félix D'Arruda, colaborou com jornais de Minas Gerais; escreveu e publicou Vinha Ressequida (1922), Balas de Estalo (sob o pseudônimo de Guilherme Tell), Brasil, Ditosa Pátria (coletânea de versos patrióticos, 1925), Versos Escolhidos (1928), Sátiras (1939), Cartuchos de Festim, Poemas de Ontem e de Hoje (1937), Versos Escolhidos e Epigramas (1946); lecionou História e Literatura Brasileira.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Djalma Andrade: Angústia *

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O meu filho, que é doce, que é inocente
Quando comigo sai, luz que fascina,
Põe seus claros pezinhos, brandamente,
Nas marcas dos meus pés, na areia fina.

Ele segue-me os passos, inconsciente,
Mas uma estranha angústia me domina,
E calcando os meus pés mais firmemente
Meu coração, aos poucos se ilumina.

Sem saber, tu me obrigas, filho amado,
A procurar a rota mais segura,
A ter firmeza em cada passo dado...

Nunca dirás 
 que horror n'alma me vai! 
 Que te perdeste numa estrada escura
Por seguires os passos de teu pai!"

(Poemas de Ontem e de Hoje, sem data, Oliveira,
Costa & Cia., Belo Horizonte, págs. 57 e 60)

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Nota do Organizador:
* Nos Versos escolhidos e Epigramas, 1952, Belo Horizonte, terceira edição, págs. 35  36, figura sob o título de "Luiz" e é o primeiro de uma séria intitulada "Aos meus filhos".
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Djalma Andrade (1891 1975), mineiro de Congonhas do Campo, formado em Direito, foi jornalista, professor e poeta; durante muitos anos, com os pseudônimos de Guilherme Tell ou Félix D'Arruda, colaborou com jornais de Minas Gerais; escreveu e publicou Vinha Ressequida (1922), Balas de Estalo (sob o pseudônimo de Guilherme Tell), Brasil, Ditosa Pátria (coletânea de versos patrióticos, 1925), Versos Escolhidos (1928), Sátiras (1939), Cartuchos de Festim, Poemas de Ontem e de Hoje (1937), Versos Escolhidos e Epigramas ( 1946); lecionou História e Literatura Brasileira.