____________________
Que eu faça o bem e de tal modo o
faça,
que ninguém saiba o quanto me
custou.
Mãe, espero em ti mais esta graça:
— que eu seja bom sem parecer que o
sou.
Que o pouco que me dês me
satisfaça,
e se do pouco mesmo algum sobrou,
que eu leve esta migalha onde a
desgraça
inesperadamente penetrou.
Que a minha mesa, a mais, tenha um
talher
que será, minha Mãe, Senhora nossa,
para o pobre faminto que vier.
Que eu transponha tropeços e
embaraços:
— que eu não coma, sozinho, o pão
que possa
ser partido, por mim, em dois
pedaços!
(Vinha Ressequida — 1922)

____________________
Antologia de Poemas para a
Juventude (vários autores) — Organização e Apresentação de Henriqueta
Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações S/A, Rio de
Janeiro — RJ; Djalma Andrade (1891 — 1975), mineiro de
Congonhas do Campo, formado em Direito, foi jornalista, professor e poeta;
durante muitos anos, com os pseudônimos de Guilherme Tell ou Félix D'Arruda,
colaborou com jornais de Minas Gerais; escreveu e publicou Vinha
Ressequida (1922), Balas de Estalo (sob o pseudônimo de Guilherme
Tell), Brasil, Ditosa Pátria (coletânea de versos patrióticos,
1925), Versos Escolhidos (1928), Sátiras (1939), Cartuchos de
Festim, Poemas de Ontem e de Hoje (1937), Versos Escolhidos e
Epigramas (1946); lecionou História e Literatura Brasileira.

