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sexta-feira, 1 de abril de 2022

Luciano Gualberto: Gaivotas

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Minh’alma é uma gaivota; as asas pandas solta
Pela planície azul de um mar de águas serenas!
Ora desce e a gritar molha de leve as penas,
Ora sobe, vai, vem, e novamente volta.

E quando o mar blasfema um uivo de revolta,
Ela, as asas sacode e o vôo eleva apenas...
Sobre esse mar jamais voaram, de gozo plenas,
Gaivotas bipartindo os azuis, em recolta.

Tua alma, outra gaivota, a voar por outros mares,
Caminha para mim, que a te buscar caminho,
Nos separem, embora, a distância e os pesares;

Até que chegue um dia, em paragens remotas,
Que a minha encontre a tua e vão buscar um ninho,
A voar, a voar, a voar desposadas gaivotas!

(Gôndola Azul, [poemas, previsto e não
publicado, pelo menos com este nome];
jornal Tagarela — semanário humorístico:
crítica, política, propaganda, comercial. Rio
de Janeiro, ano 2, nº 54, 5 mar. 1903, p.9)

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Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Luciano Gualberto de Oliveira (1883 1959), fluminense de Petrópolis, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico, professor e reitor universitário, poeta e frequentador da Roda Literária do Café Paris de Niterói; aos dezesseis anos de idade iniciou sua carreira jornalístico-literária com a publicação de um seu poema n’O Reverbero, logo depois, também publicou n’A Revista e n’A Nova Geração, todos periódicos de Petrópolis; daí vieram publicações n’A Estação, no Tagarela e no Rua do Ouvidor, todos do Rio de Janeiro, n’O Pharol, de Juiz de Fora MG e em outros jornais e revistas; obras: Poemas (1944), Torre de Babel (1948), Gôndola Azul (poemas, previsto e não publicado, pelo menos com este nome), além de ter participado em coletâneas poéticas; consta de seus traços biográficos ter escrito as ficções Cidade Moderna e O Homem que perdeu a Fé; Luciano Gualberto, entre outros cargos administrativos, foi reitor da USP Universidade de São Paulo (19501951), vereador, deputado estadual, vice prefeito e prefeito interino da capital paulista.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Isidro Nunes: Manhã tropical

 
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Surge das bandas rubras do Levante,
Envolto em gaze de ouro e rosa o Dia.
Vibra no espaço a nota dominante
D’uma orquestral e terna sinfonia!

A luz do sol, no azul, forte e vibrante
Vem colorindo a esconsa serrania
Que, muito ao longe, em vulto de gigante,
O céu e o mar, soberba desafia!

E as brumas vão precipites fugindo...
Vão como pombas tímidas, medrosas
Das encostas no báratro caindo.

Há pelo ar uns frêmitos de festa...
Florescem lírios, desabrocham rosas,
E a vida em tudo, a rir, se manifesta!

(Meteoros — 1906, 2ª edição, 1911)

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Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Isidro Nunes Ferreira (1879 1955), nascido em Resende RJ, caixeiro comercial, militar, jornalista, cronista e poeta, foi um dos pioneiros frequentadores do Café Paris, reduto de intelectuais em Niterói no início do século XX; colaborou na revista A Cruzada, de Niterói, nos jornais Imprensa e Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, na revista literária Nova Cruz, de São Paulo, no jornal O Pharol, de Juiz de Fora MG, entre outros periódicos da época, e tendo exercido cargos de direção em alguns deles; obras: Ninfas (1902), Meteoros (1906 e 1911, 2ª edição), Torre Azul (1923 e 1953, 2ª edição), Horas de Leitura (coletânea de ensaios, crônicas e poemas, 1928), Última Colheita (1933 e 1953, 2ª edição).

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Luciano Gualberto: Retrospecto

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Tirei da vida tudo quanto pude,
Ao lado da bondade e da justiça.
Por muita feita tive que ser rude,
Outras baixei a fronte submissa.

Tive a glória do sonho e da saúde,
Ardendo no desejo e na cobiça.
Toda a ilusão que a humanidade ilude,
Ainda hoje, n’alma me floresce e viça.

Descendo a encosta da existência, vejo
Que o mesmo sempre fui, sem ter mudança:
Justo com os maus, com os justos, benfazejo.

Do amor o sonho, a cada passo dado,
Trago comigo a bem aventurança,
Mas não remorsos de não ter pecado.

(Torre de Babel — 1948)

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Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Luciano Gualberto de Oliveira (1883 1959), fluminense de Petrópolis, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico, professor e reitor universitário, poeta e frequentador da Roda Literária do Café Paris de Niterói; aos dezesseis anos de idade iniciou sua carreira jornalístico-literária com a publicação de um seu poema n’O Reverbero, logo depois, também publicou n’A Revista e n’A Nova Geração, todos periódicos de Petrópolis; daí vieram publicações n’A Estação, no Tagarela, no Rua do Ouvidor, todos do Rio de Janeiro, n’O Pharol, de Juiz de Fora MG e em outros jornais e revistas; obras: Poemas (1944), Torre de Babel (1948), Gôndola Azul (poemas, previsto e não publicado, pelo menos com este nome), além de ter participado em coletâneas poéticas; consta de seus traços biográficos ter escrito as ficções Cidade Moderna e O Homem que perdeu a Fé; Luciano Gualberto, entre outros cargos administrativos, foi reitor da USP Universidade de São Paulo (19501951), vereador, deputado estadual, vice prefeito e prefeito interino da capital paulista.

domingo, 21 de novembro de 2021

Isidro Nunes: Agonia do Sol

 
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É de tarde. No espaço iluminado e quente,
Paira funda expressão de grande nostalgia!
Que paisagem sublime e que doce poesia
Neste nosso formoso e vasto continente!...

Cessara por completo, o bulício do dia...
O horizonte estremece, e a gaze transparente
Do crepúsculo cai, serena e brandamente,
Como um floco de neve, além de serrania.

E nessa hora de paz e recolhimento,
Em que mais sugestiva a saudade nos arde,
De alguém cuja alma vibra em nosso pensamento,

Há por tudo o gemer de misteriosa lira!
E lá, no Ocaso em fogo, à surdina da tarde,
O Sol, o morno Sol, agonizando expira!...

(A Cithara: revista bi-mensal, Niterói,
ano 1, nº 1, 28 de fev. 1905, p. 8.)

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Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Isidro Nunes Ferreira (1879 1955), nascido em Resende RJ, caixeiro comercial, militar, jornalista, cronista e poeta, foi um dos pioneiros frequentadores do Café Paris, reduto de intelectuais em Niterói no início do século XX; colaborou na revista A Cruzada, de Niterói, nos jornais Imprensa e Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, na revista literária Nova Cruz, de São Paulo, no jornal O Pharol, de Juiz de Fora MG, entre outros periódicos da época, e tendo exercido cargos de direção em alguns deles; obras: Ninfas (1902), Meteoros (1906 e 1911, 2ª edição), Torre Azul (1923 e 1953, 2ª edição), Horas de Leitura (coletânea de ensaios, crônicas e poemas, 1928), Última Colheita (1933 e 1953, 2ª edição).

domingo, 17 de outubro de 2021

Isidro Nunes: No ermo

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Ao meigo poeta A. Gonçalves

A noite é escura, é tenebrosa, é feia,
Tudo repousa em volta da choupana
Somente o leque da palmeira abana
A deusa bruma que no ar serpeia...

Desliza em baixo fugitiva veia
Correm ofídias entre os pés de cana,
E solitária, dentro da cabana
Jaz uma pobre já do mundo alheia!...

Soluça, e chega convulsando choro...
A Deus socorro tristemente implora,
E à vida espera o laciente termo!

O vento ulula qual cruel açoite
Na imensa e treda solidão da noite
E a pobre expira no sombrio ermo!...

(jornal O Fluminense, Niterói,
26 nov. 1902, p. 2.)

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Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Isidro Nunes Ferreira (1879 1955), nascido em Resende RJ, caixeiro comercial, militar, jornalista, cronista e poeta, foi um dos pioneiros frequentadores do Café Paris, reduto de intelectuais em Niterói no início do século XX; colaborou na revista A Cruzada, de Niterói, nos jornais Imprensa e Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, na revista literária Nova Cruz, de São Paulo, no jornal O Pharol, de Juiz de Fora MG, entre outros periódicos da época, e tendo exercido cargos de direção em alguns deles; obras: Ninfas (1902), Meteoros (1906 e 1911, 2ª edição), Torre Azul (1923 e 1953, 2ª edição), Horas de Leitura (coletânea de ensaios, crônicas e poemas, 1928), Última Colheita (1933 e 1953, 2ª edição).

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Luciano Gualberto: Cigarra

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Quando o mundo foi feito, em paz, sem algazarra,
Não sei porque processo e tão pouco em que dia,
Apareceu, também, nossa amiga, a cigarra,
Cantando uma canção de funda nostalgia.

Boemia extraordinária, hospedou-se no galho
De um jasmineiro em flor, a seu belo contento.
E disse: quem quiser, que viva de trabalho!
Não deve trabalhar quem tem alta e talento!

E cantou e viveu de sonhos, curta vida,
É verdade, porém consoante ao que auria...
Que ventura maior para um’alma incontida,
Ter tudo o que deseja, embora viva um dia.

Cantou e envelheceu, pois o inverno é a velhice
Da cigarra e, afinal, achou-se na miséria.
E cantou e sorriu... morreu, mas nada disse:
Que coisa é uma cigarra em face da matéria!

Rechinando, a cigarra é um símbolo e nos fala
De homens que, sem saber, dela são irmãos gêmeos.
E resume, tranquila e, perfeita propala
A epopeia genial de todos os boêmios!

(Torre de Babel  1948)

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Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Luciano Gualberto de Oliveira (1883 1959), fluminense de Petrópolis, formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, foi médico, professor e reitor universitário, poeta e frequentador da Roda Literária do Café Paris de Niterói; aos dezesseis anos de idade iniciou sua carreira jornalístico-literária com a publicação de um seu poema n’O Reverbero, logo depois, também publicou n’A Revista e n’A Nova Geração, todos periódicos de Petrópolis; daí vieram publicações n’A Estação, no Tagarela e no Rua do Ouvidor, todos do Rio de Janeiro, n’O Pharol, de Juiz de Fora MG e em outros jornais e revistas; suas obras: Poemas (1944), Torre de Babel (1948), Gôndola Azul (poemas, previsto e não publicado, pelo menos com este nome), além de ter participado em coletâneas poéticas; consta de seus traços biográficos ter escrito as ficções Cidade Moderna e O Homem que perdeu a Fé; Luciano Gualberto, entre outros cargos administrativos, foi reitor da USP Universidade de São Paulo (19501951), vereador, deputado estadual, vice prefeito e prefeito interino da capital paulista.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Max de Vasconcellos: De volta

Livro: Max de Vasconcellos o Poeta da Agonia - Emilio Maciel ...
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Ao cabo, enfim de tanta inglória lida,
na ânsia de falso bem, inutilmente,
por meus loucos desejos combatida,
torno ao teu seio hospitaleiro e quente.

Mas, venho de alma triste e arrependida,
de passo tardo e músculos de doente;
sentindo que falhou em minha vida,
tudo o que nela foi anseio ardente;

que em vão deram à dor dos meus desejos,
 bocas e taças mil vinhos e beijos,
pois só trago hoje, ao regressar cansado,

a alma em febre e nos nervos doloridos,
a impressão dos martírios lá vividos
e o desespero de não ter gozado...

Transcrito em: PAIXÃO, Mucio da.
Movimento literário em Campos. Rio de
Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio, 1924.

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Max de Vasconcellos — O Poeta da Agonia, Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Maria José da Silva Fernandes, Monique da Costa Ribeiro, Thiago Roza Ialdo Montilha e outros, 2012, In-Fólio, Rio de Janeiro — RJ; Max de Vasconcellos Azevedo (1891 1919), fluminense de Campos dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói, formou-se na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, militante anarquista e boêmio frequentador da Roda Literária do Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença em outros cafés da Lapa carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos niteroienses e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não publicou livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados em inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista: Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista do Novo Cenáculo, de Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate), ambos de São Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes etc; poliglota, o poeta também escreveu e deixou registrado versos em italiano, francês e romeno; a Roda Literária do Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se chamar Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la Cenáculo) e mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e Letras CFHL, ativo até os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose em 10 de abril de 1919.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Max de Vasconcellos: Sino

Resultado de imagem para max de vasconcellos o poeta da agonia
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Sino, boca do Além falando à vida...
Voz do Passado orando no presente,
Ai compassivo da alma dolorida...
Murmúrio em bronze de quem já foi crente...

O humano coração que hoje duvida,
Ama-te o badalar, ao Sol nascente;
Nas catedrais na cúpula da ermida,
Dobrando pela luz, à hora poente!...

Amo-te em toda a parte onde teu vulto
A meus olhos de cético aparece...
Porque me lembras que já tive um culto;

E porque um dia, de teu bojo forte,
Se há de erguer para o azul a única prece
Que a vida rezará por minha morte!

Transcrito em: REZENDE, Edgard (Org.).
Os mais belos poemas brasileiros. 3. ed. rev.
Rio de Janeiro: F. Bastos, 1945

MAX VASCONCELOS – Brasil – Poesia dos Brasis - Rio de Janeiro ...
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Max de Vasconcellos — O Poeta da Agonia, Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Maria José da Silva Fernandes, Monique da Costa Ribeiro, Thiago Roza Ialdo Montilha e outros, 2012, In-Fólio, Rio de Janeiro — RJ; Max de Vasconcellos Azevedo (1891 1919), fluminense de Campos dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói, formou-se na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, militante anarquista e boêmio frequentador da Roda Literária do Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença em outros cafés da Lapa carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos niteroienses e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não publicou livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados em inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista: Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista do Novo Cenáculo, de Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate), ambos de São Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes etc; poliglota, o poeta também escreveu e deixou registrado versos em italiano, francês e romeno; a Roda Literária do Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se chamar Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la Cenáculo) e mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e Letras CFHL, ativo até os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose em 10 de abril de 1919.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Max de Vasconcellos: 13 de Maio

Livro: Max de Vasconcellos o Poeta da Agonia - Emilio Maciel ...
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13 de maio! Há perto de trinta anos
Uma raça gritou ao sol que te dourava:
Acabou-se afinal o tempo dos tiranos,
já não há raça pelo mundo escrava,
Com a carta de alforria!
E entanto ainda durava e dura a tirania...
O homem negro deixou de ser a propriedade
Do branco fazendeiro,
Mas continua entanto o cativeiro
Do rico sobre o pobre...
E há grandes prantos pela Humanidade!

O que nada produz tudo consome:
E morre no hospital nas prisões ou de fome,
O produtor de tudo...
E a lei serve de escudo,
Com sabres e canhões, a toda esta injustiça!
A lei é, pois, o mal; lute-se contra a lei!
E assim como se fez contra o feitor e o rei,
Faça-se contra toda a autoridade!
Em busca de justiça,
Alcemos a bandeira da equidade,
Que é a bandeira flamante da Anarquia,
... grande promessa a memória!

Nós, anarquistas, somos a nova era...
Dentro da nossa esplêndida quimera,
Encerramos o mundo de amanhã;
Quando a lira, vibrada ao som do malho,
Cantar os hinos fortes do trabalho
À luz tranqüila e morna da manhã.

É com alma fita neste mundo novo,
Que vamos despertar no coração do Povo
Os estos de coragem que outrora,
Nas praças de Paris, cantando a Marselhesa,
Levantou contra as armas da nobreza
A grande barricada redentora!

E em breve há de luzir também o dia
Em que o Povo, acordando, em voz sonora,
Denodado e viril, há de saudar a aurora
Com vivas à anarquia!

(Recorte de jornal não identificado)

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Max de Vasconcellos — O Poeta da Agonia, Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Maria José da Silva Fernandes, Monique da Costa Ribeiro, Thiago Roza Ialdo Montilha e outros, 2012, In-Fólio, Rio de Janeiro — RJ; Max de Vasconcellos Azevedo (1891 1919), fluminense de Campos dos Goytacazes, estudou no Colégio Abílio, de Niterói, formou-se na Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, militante anarquista e boêmio frequentador da Roda Literária do Café Paris, de Niterói, além de também fazer presença em outros cafés da Lapa carioca; o poeta trabalhou como jornalista em diversos periódicos niteroienses e da então capital do país, Rio de Janeiro; Max de Vasconcellos não publicou livros em vida, porém seus poemas, crônicas e resenhas ficaram registrados em inúmeros jornais e revistas da época, muitos deles de orientação anarquista: Athena Fluminense (hebdomedário literário e noticioso) e Gazeta da Manhã, ambos de Niterói, O Debate, A Razão, A Luta (Revista da Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro), Guerra Social, Gazeta de Notícias, A Voz do Trabalhador (Órgão da Confederação Operária Brasileira), La Rinascenza Latina — Settimanale politico dell’italo-americanismo in Brasile e ABC, todos do Rio de Janeiro, Fanal — revista do Novo Cenáculo, de Curitiba, A Plebe e A Lanterna (jornal anticlerical e de combate), ambos de São Paulo, O Dia, de Campos dos Goytacazes etc; poliglota, o poeta também escreveu e deixou registrado versos em italiano, francês e romeno; a Roda Literária do Café Paris frequentada pelo poeta e boêmio, algum tempo depois passou a se chamar Cenáculo Ambulante (consta ter sido o poeta o primeiro a designá-la Cenáculo) e mais tarde (1923) deu origem ao Cenáculo Fluminense de História e Letras CFHL, ativo até os dias de hoje; o poeta simbolista, boêmio e jovem, morreu de tuberculose em 10 de abril de 1919.