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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

J. G. de Araújo Jorge: O sábio

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E em meio da algazarra atordoante das partidas,
e a zueira das alegrias
dos risos
dos foguetes,
dos trens transbordantes de quépis,
dos navios com canhões e mastros embandeirados,

ele conteve nos olhos uma lágrima grande
e brilhante.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Se perguntassem ao homem sozinho porque estava chorando
ele havia de dizer:
 estes que riem e cantam ainda estão partindo
— eu já estou voltando...

(1939)

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O Canto da Terra — poemas — J. G. de Araújo Jorge, 1945, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; J. G. de Araújo Jorge (1914 1987), acreano de Tarauacá, foi poeta, locutor, redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura e político; estudou nos colégios Anglo-Americano e Pedro II, no Rio de Janeiro, e formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Faculdade de Direito UFRJ; escrevendo poemas desde os tempos ginasianos, teve seus textos divulgados pelos periódicos cariocas Correio da Manhã e Almanaque Bertrand; colaborou também nos jornais A Manhã, Tribuna da Imprensa, A Nação e nas revistas Carioca, Vamos Ler, etc.; escreveu e publicou Meu Céu Interior (1934), Bazar de ritmos (1935), Cântico dos Cânticos (1937), Amo! (1938), Poesias (1938), Cântico do Homem Prisioneiro (1941), Um Besouro contra a Vidraça (1942), Eterno Motivo (1943), O Canto da Terra (1945), Festa de Imagens, Harpa Submersa e outros títulos, além de ter gravado 3 LPs poéticos: Poemas de Amor, Amor e A Sós.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

J. G. de Araújo Jorge: Eu . . . e Arvers


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Hás de ler estes versos algum dia
e mais ou menos pensarás assim:

 ele ainda sofre muito, e esta poesia
escreveu-a, bem sei, pensando em mim...

Sou a mulher que a inspira e que a anima,
pensava em mim no instante em que compôs,
e na incógnita sutil de cada rima
há um pedaço da história de nós dois...
Sinto-me em cada verso, em cada frase,
e as palavras que leio são as minhas...
 sou eu essa mulher!... Vejo-me quase
na expressiva mudez das entrelinhas...”

E sorrirás... Eu sei que sorrirás
ante a certeza do meu sofrimento,
 é o teu prazer, sorrir desse tormento
que me causaste... e que não finda mais...
Ah! Feliz foi Arvers, bem mais do que eu!
Ao menos, essa a quem ele escrevia,
perguntou certa vez depois que o leu:
 “que mulher será esta...”
                                                          e não sorria...

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O Soneto de Arvers — Mello Nóbrega, 1957, 2ª edição, Livraria São José, Rio de Janeiro — RJ; J. G. de Araújo Jorge (1914 1987), acreano de Tarauacá, foi poeta, locutor, redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura e político; estudou nos colégios Anglo-Americano e Pedro II, no Rio de Janeiro, e formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Faculdade de Direito UFRJ; escrevendo poemas desde os tempos ginasianos, teve seus textos divulgados pelos periódicos cariocas Correio da Manhã e Almanaque Bertrand; colaborou também nos jornais A Manhã, Tribuna da Imprensa, A Nação e nas revistas Carioca, Vamos Ler, etc.; escreveu e publicou Meu Céu Interior (1934), Bazar de Ritmos (1935), Cântico dos Cânticos (1937), Amo! (1938), Poesias (1938), Cântico do Homem Prisioneiro (1941), Um Besouro contra a Vidraça (1942), Eterno Motivo (1943), O Canto da Terra (1945), Festa de Imagens, Harpa Submersa e outros títulos, além de ter gravado 3 LPs poéticos: Poemas de Amor, Amor e A Sós.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

J. G. de Araújo Jorge: Serenidade

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Cheguei enfim a essa serenidade
de quem sorrir condescendente,
do homem que não pragueja, na vaidade
de impor aquilo que hoje pensa ou sente...

Desprezo a inútil religiosidade
e o fanatismo histérico de um crente...
Nem vestirei jamais a liberdade
nos dogmas de uma força onipotente!

Não afirmo mentiras nem me exalto,
toda verdade por mais forte é incerta
e não convenço por falar mais alto...

Libertei-me! E afinal concluí, na vida,
que a verdadeira voz que se liberta
não afirma nem nega... mas duvida!

(1940)

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O Canto da Terra — poemas — J. G. de Araújo Jorge, 1945, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; J. G. de Araújo Jorge (1914 1987), acreano de Tarauacá, foi poeta, locutor, redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura e político; estudou nos colégios Anglo-Americano e Pedro II, no Rio de Janeiro, e formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Faculdade de Direito UFRJ; escrevendo poemas desde os tempos ginasianos, teve seus textos divulgados pelos periódicos cariocas Correio da Manhã e Almanaque Bertrand; colaborou também nos jornais A Manhã, Tribuna da Imprensa, A Nação e nas revistas Carioca, Vamos Ler, etc.; escreveu e publicou Meu Céu Interior (1934), Bazar de ritmos (1935), Cântico dos Cânticos (1937), Amo! (1938), Poesias (1938), Cântico do Homem Prisioneiro (1941), Um Besouro contra a Vidraça (1942), Eterno Motivo (1943), O Canto da Terra (1945), Festa de Imagens, Harpa Submersa e outros títulos, além de ter gravado 3 LPs poéticos: Poemas de Amor, Amor e A Sós.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

J. G. de Araújo Jorge: Poema do amor universal

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A Osmundo Lima

Love
liebe
amour
amor!
parecem diferentes, no entanto se ela está
nos teus braços presa,
hás de ver com certeza
que
love
liebe
amour
amor,
é tudo a mesma coisa: dois olhares tontos,
duas bocas ansiosas,
dois corpos que se estreitam com o mesmo calor!

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Se o amor conhecesse idiomas,
se houvesse gramáticas para os amantes
que seria dos marinheiros nos portos distantes?


(1940)

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O Canto da Terra — poemas — J. G. de Araújo Jorge, 1945, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; J. G. de Araújo Jorge (1914 1987), acreano de Tarauacá, foi poeta, locutor, redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura e político; estudou nos colégios Anglo-Americano e Pedro II, no Rio de Janeiro, e formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Faculdade de Direito UFRJ; escrevendo poemas desde os tempos ginasianos, teve seus textos divulgados pelos periódicos cariocas Correio da Manhã e Almanaque Bertrand; colaborou também nos jornais A Manhã, Tribuna da Imprensa, A Nação e nas revistas Carioca, Vamos Ler, etc.; escreveu e publicou Meu Céu Interior (1934), Bazar de ritmos (1935), Cântico dos Cânticos (1937), Amo! (1938), Poesias (1938), Cântico do Homem Prisioneiro (1941), Um Besouro contra a Vidraça (1942), Eterno Motivo (1943), O Canto da Terra (1945), Festa de Imagens, Harpa Submersa e outros títulos, além de ter gravado 3 LPs poéticos: Poemas de Amor, Amor e A Sós.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

J. G. de Araújo Jorge: Vergonha

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Num mundo em que há migalhas e esperdícios
pratos cheios de restos enfastiados
e bocas que salivam sem ter pão;

e em que há crianças tristes, maltrapilhas,
que não terão nem livros nem recreios
nem mesmo infância no seu coração;

num mundo onde os enfermos são tratados
com a caridade irônica dos homens
que são donos dos próprios hospitais;

onde alguns já nasceram infelizes
e hão de viver sem segurança e paz
sem meios de lutar, abandonados;
e outros, trazem do berço as regalias
que hão de inutilizar, despreocupados;

num mundo, onde há mãos cheias, trasbordantes,
e há mendigando, pobres mãos vazias;
onde há mãos duras, ásperas, cansadas,
e suaves mãos inúteis e macias;

onde uns têm casas grandes, com jardins,
e outros, quartos estreitos, sem paisagem;

num mundo onde os artistas, prisioneiros
fazem "roda" nos mesmos quarteirões
sonhando sempre uma impossível viagem;
e há homens displicentes, nos navios
carregando "kodaks" distraídas
que têm mais alma que os seus olhos frios;

num mundo onde os que podem não têm filhos
e os que têm filhos quase sempre lutam
porque não podem constituir um lar;

num mundo, onde ao mais leve olhar humano
vê-se que não há nada em seu lugar,
e onde, no entanto, fala-se em Direito,
em Justiça, em Razão, em Liberdade;

num mundo onde os que plantam, pouco colhem
e os que colhem, não sabem, na verdade,
de onde vêm as colheitas que consomem;

num mundo, onde uns jejuam muitos dia,
e outros, por vício, muitas vezes comem

 sinto a angústia fatal de ter nascido
e a suprema vergonha de ser homem!

1943

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O Canto da Terra — poemas — J. G. de Araújo Jorge, 1945, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; J. G. de Araújo Jorge (1914 1987), acreano de Tarauacá, foi poeta, locutor, redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura e político; estudou nos colégios Anglo-Americano e Pedro II, no Rio de Janeiro, e formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Faculdade de Direito UFRJ; escrevendo poemas desde os tempos ginasianos, teve seus textos divulgados pelos periódicos cariocas Correio da Manhã e Almanaque Bertrand; colaborou também nos jornais A Manhã, Tribuna da Imprensa, A Nação e nas revistas Carioca, Vamos Ler, etc.; escreveu e publicou Meu Céu Interior (1934), Bazar de Ritmos (1935), Cântico dos Cânticos (1937), Amo! (1938), Poesias (1938), Cântico do Homem Prisioneiro (1941), Um Besouro contra a Vidraça (1942), Eterno Motivo (1943), O Canto da Terra (1945), Festa de Imagens, Harpa Submersa e outros títulos, além de ter gravado 3 LPs poéticos: Poemas de Amor, Amor e A Sós.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

J. G. de Araújo Jorge: Descida

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O que tinha que ser já foi... E está perdida
aquela ânsia de espera, de desejo e fé,
e tudo o que virá será cópia esbatida
da Vida que foi Vida e hoje Vida não é...

Muito pouco de tudo ainda resta de pé...
Agora, nunca mais estréias... Repetida
a alma se reverá num desespero, até
que a vida já não valha a pena ser vivida...

Do que foi canto e flor restam só as raízes,
e ao tédio que envenena os dias mais risonhos
repito: nunca mas estréias... só “reprises”...

E que importa o que vier? Sejam anos ou meses?
Nunca mais a beleza dos primeiros sonhos!
Nunca mais a surpresa das primeiras vezes!

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Os Mais Belos Poemas que o Amor Inspirou — J. G. de Araújo Jorge — Livro 3, 1973, Editora Theor S/A, São Paulo — SP; J. G. de Araújo Jorge (1914 1987), acreano de Tarauacá, foi poeta, locutor e redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura e político; estudou nos colégios Anglo-Americano e Pedro II, no Rio de Janeiro, e formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Faculdade de Direito UFRJ; escrevendo poemas desde os tempos ginasianos, teve seus textos divulgados pelos periódicos cariocas Correio da Manhã e Almanaque Bertrand; colaborou também nos jornais A Manhã, Tribuna da Imprensa, A Nação e nas revistas Carioca, Vamos Ler, etc.; escreveu e publicou Meu Céu Interior (1934), Bazar de ritmos (1935), Cântico dos Cânticos (1937), Amo! (1938), Poesias (1938), Cântico do Homem Prisioneiro (1941), Um Besouro contra a Vidraça (1942), Eterno Motivo (1943), O Canto da Terra (1945), Festa de Imagens, Harpa Submersa e outros títulos, além de ter gravado 3 LPs poéticos: Poemas de Amor, Amor e A Sós.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

J. G. de Araújo Jorge: Brinquedo

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O amor é como um brinquedo
só dura enquanto na loja.

Tambor ou boneca
o amor é imenso enquanto o escolhemos
entre tantos,
em nossas mãos sua existência é o intervalo
entre a sua conquista e uma nova visita
à casa de brinquedos.

Sim, seria eterno amor, se em face dele
deixássemos de ser crianças.


Ou, quem sabe? se o amor não fosse
um brinquedo.

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Os Mais Belos Poemas que o Amor Inspirou — J. G. de Araújo Jorge — Livro 3, 1973, Editora Theor S/A, São Paulo — SP; J. G. de Araújo Jorge (1914 1987), acreano de Tarauacá, foi poeta, locutor e redator de programas radiofônicos, professor de História e Literatura e político; estudou nos colégios Anglo-Americano e Pedro II, no Rio de Janeiro, e formou-se pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Faculdade de Direito UFRJ; escrevendo poemas desde os tempos ginasianos, teve seus textos divulgados pelos periódicos cariocas Correio da Manhã e Almanaque Bertrand; colaborou também nos jornais A Manhã, Tribuna da Imprensa, A Nação e nas revistas Carioca, Vamos Ler, etc.; escreveu e publicou Meu Céu Interior (1934), Bazar de ritmos (1935), Cântico dos Cânticos (1937), Amo! (1938), Poesias (1938), Cântico do Homem Prisioneiro (1941), Um Besouro contra a Vidraça (1942), Eterno Motivo (1943), O Canto da Terra (1945), Festa de Imagens, Harpa Submersa e outros títulos, além de ter gravado 3 LPs poéticos: Poemas de Amor, Amor e A Sós.