Mostrando postagens com marcador Jaque Alves. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jaque Alves. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Jaque Alves: Insônia


____________________
Sufoca
Esgota
Sacrifica
Mutila
Arrasta
Castiga
Calada
Cuspida
Silencia
Quando sufoca, alivia
Quando corta, sacia
Quando machuca, agoniza
Quando grita, silencia
Os dias passam
E essa sua cara de enterro
Incomoda quem passa
As faces amassam
Como se fossem massas manipuladas
Queres mudança?
Leve teu peito a lança
Que quando lançada
Finca na sua pele cansada
Queria dizer luminosas palavras,
Mas minha boca
gesticula com dolorosas mastigadas,
Tua face está borrada
Com tinta guache
apague-a com borracha
Tu já estás trancada
Termine logo com isso
Libere suas desgraças
Só não minta agora,
pois quando menos espera
já passou tua hora
de arrancar tuas mordaças.

____________________
pilares: raízes espelhadas — [poesias]: Jaque Alves & Jessica Marcele, Prefácio de MC Martina e Posfácio de Patrícia Meira, 2019, nosotros, Editorial, São Paulo — SP; Jaque Alves ou Jaqueline Alves Pinto, nascida em 1994, paulista da ZL paulistana, bairro de São Miguel Pta, onde se criou e ali vive até hoje, formou-se em Serviço Social na Universidade Brasil, é atriz, poeta, escritora, articuladora e produtora cultural e mestre de cerimônia; atuante em vários slams pela paulicéia, Slam da Guilhermina entre os quais, integra a equipe Slam Laje (Batalha de Poesia itinerante), participou do Módulo de Pesquisa Teatral Continuada na Aldeia Satélite Espaço Cultural; a poetatriz Jaque Alves teve/tem atuação em dois grupos teatrais: Cia. Cínicos Cênicos e Cia. Utilidade Pública, com as peças Um Em Cada Três e Dia Útil, respectivamente, e foi uma das idealizadoras do coletivo PARDOnizadas, de performances cênico-poéticas, com a ação Sangue Sujo e participa também do coletivo Pilares; suas obras: além deste zine [plaquete, livreto] pilares: raízes espelhadas (2019), participou das antologias O Livro Negro dos Sentidos (2021), Teatro Íntimo: Monólogos Minimalistas (2021) e Sua Língua é o Seu Corpo (2022), também em coautorias, ...

terça-feira, 31 de outubro de 2023

Jessica Marcele: Sobre-viver de arte


____________________
De nível em nível,
Me atraquei com multiníveis
Moedas ganhei, perdi.
Amigos adquiri.
Minha mente eu abri.

É incrível se sentir imbatível e ter coragem pra enfrentar o next level.
Iniciar do zero.
Um passo de cada vez.
Aproximando-se do seu sonho,
e se distanciando do talvez.

“Dar orgulho a quem torce por mim”
Foi a missão que eu escrevi.
E em prol disso permaneci:
Andando, cantando, dançando, atuando, recitando
Foi quando no sarau me encontrei!
Entendi meu porquê, sem porém, só vem
por você, ou por outrem
Onde ontem já é passado,
E o que vale é o que você tem se tornado a cada aprendizado.

Fiz do meu sonho, o nosso!
Eu quero, eu consigo, eu posso!
Criamos nossa produtora,
Almejando a mudança na vida das pessoas.
Há quem diga que não é trabalho,
Mas a arte do viver é trampo pra c**alho!
Contato, convite, fechamento
Roteiro, gravação
Pro nosso ganha pão tem que ter muito argumento!

E eu só lamento,
A quem faz do seu corre um tormento.
Tapando o sol com a peneira,
O rosto cheio de olheira
Sem ter enxergado
que do seu sonho,
É possível S(CIM) se construir um legado!
Me vejo acordado mesmo com os olhos fechados.
A história se repete até fora do set,
E já são sete da matina,
Se repete minha rotina,
Quentinha já tá fria,
Ardência na retina.

Com a mochila nas costas e as rimas na mão,
Saio correndo e perco mais um busão e o trenzão tão lotado de gente
quanto a minha mente:
Como é louco ser independente!

Mais uma vez atrasada pra vida,
Pras minhas fitas,
Eu tô parada, mas fingindo andar.
Essa gaiola que me deixa viva, andorinha avoada sozinha,
MAS NÃO ME IMPEDE DE VOAR!

____________________
pilares: raízes espelhadas — poesias: Jessica Marcele & Jaque Alves, Prefácio de MC Martina e Posfácio de Patrícia Meira, 2019, nosotros, Editorial, São Paulo — SP; Jessica Marcele, paulista e paulistana nascida na ZL, bairro de São Miguel Paulista, aprendeu a ler em karaokê, formou-se na Escola Livre de Teatro de Santo André e no Módulo de Pesquisa Teatral Continuada do Espaço Cultural Aldeia Satélite, é atriz, performer, slammer, poeta, ativista, produtora e empreendedora; foi/é oficineira no projeto Luâncias Crescentes da Cia. EmQuadro, com foco no empoderamento feminino e voltado a jovens do ensino médio em escolas públicas da periferia de sampa; a poetatriz também foi/é cofundadora do selo/produtora CIM Cultura Independente em Movimento e do Brechó Breguenaite, além de integrar [ou ter integrado] as companhias e grupos teatrais: Cia. Cínicos Cênicos, Cia. Utilidade Pública, Melancolia e Visão Periférica; é atuante no Coletivo PARDOnizadas grupo de intervenções cênico-poéticas que aborda temas voltados às mulheres negras e no Coletivo Pilares; obras: pilares: raízes espelhadas (zine [plaquete, livreto] em coautoria com Jaque Alves, 2019), Teatro Íntimo, Monólogos Minimalistas (antologia, diversas autorias, 2021), Sua língua é o seu corpo (antologia também traduzida em libras, várias autorias, 2022); outras intervenções: compõe o elenco de Essa Cia. de Teatro, com Ensaio para dois perdidos, colabora na criação de E lá fora o silêncio, do LABTD Grupo Laboratório de Técnica Dramática, projeto Manifesto das Margens, com o grupo Mundu Rodá, espetáculo itinerante Reset Brasil, com o Coletivo Estopô Balaio.

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Jaque Alves: Corpor'Ação

____________________
Através do espelho,
Enxergo o reflexo das multifacetas
Que refletem nas minhas múltiplas gavetas
Cheias de roupas velhas e problemas velhos
Envelhecem nas minhas pálpebras caídas
E cheias de hematomas
Sugam minha energia
E num sopro, veja que já foram consumidas
Adoro adorar ver minha dor na adoração,
Mas num lapso de solidão
Coloco meu corpo no mundo em ação
Estourando no fervor da ebulição
Semana adentro, perco meu fôlego,
Meu condicionamento remoto,
Minhas vísceras expostas,
Minhas emoções retiradas
E minha humanidade desgastada
Tento tirar um tempo de mim
Na real quero tirar férias de mim
Como de costume, tenho mais uma ficha
Os remédios me ajudam na partida
Como um vulcão entro em erupção
Minha irmã diz: “MÂE, EU NÃO VI, NÃO PERCEBI. ME DESCULPA”.
Esse foi o único momento de lucidez
Desperto na mesa em “choque”,
Me conectando com um tubo
Para a retirada de um pedaço da minha pele
Antes que me soque.
Mãe África me aperta
Como se perdesse o caminho para o continente
Eu queria sangrar tanto
A ponto de voltar pro ventre da [...]ngela
Resgatando minha sanidade
E torcendo pra sentir uma gota de esperança
Queria cair de cabeça no concreto
A ponto de deixar meu corpo todo ereto
Fraturas expostas
Psicológico fraturado
E o corte na garganta
Engasgado de tanto osso
Estou afogada em mim mesma
Eu já disse inúmeras vezes:
EU QUERO SUMIR!
NÃO MAIS EXISTIR!
ACABAR COM ESSA DESGRAÇA
ATÉ O ÚLTIMO INSTANTE E SUCUMBIR
No último vinho do cálice
O sangue é ardente
E suga até a última gota do vale
Quero que se foda o encaixe da lírica
Não estou aqui para ser Harry Potter
E descobrir um enigma
Gostaste da porra da minha métrica
É que cê ainda não viu
O vômito catastrófico que sai da minha dialética

____________________
pilares: raízes espelhadas — [poesias]: Jaque Alves & Jessica Marcele, Prefácio de MC Martina e Posfácio de Patrícia Meira, 2019, nosotros, Editorial, São Paulo — SP; Jaque Alves ou Jaqueline Alves Pinto, nascida em 1994, paulista da ZL paulistana, bairro de São Miguel Pta, onde se criou e ali vive até hoje, formou-se em Serviço Social na Universidade Brasil, é atriz, poeta, escritora, articuladora e produtora cultural e mestre de cerimônia; atuante em vários slams pela paulicéia, Slam da Guilhermina entre os quais, integra a equipe Slam Laje (Batalha de Poesia itinerante), participou do Módulo de Pesquisa Teatral Continuada na Aldeia Satélite Espaço Cultural; a poetatriz Jaque Alves teve/tem atuação em dois grupos teatrais: Cia. Cínicos Cênicos e Cia. Utilidade Pública, com as peças Um Em Cada Três e Dia Útil, respectivamente, e foi uma das idealizadoras do coletivo PARDOnizadas, de performances cênico-poéticas, com a ação Sangue Sujo e participa também do coletivo Pilares; suas obras: além deste zine [plaquete, livreto] pilares: raízes espelhadas (2019), participou das antologias O Livro Negro dos Sentidos (2021), Teatro Íntimo: Monólogos Minimalistas (2021) e Sua Língua é o Seu Corpo (2022), também em coautorias, ...

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Jessica Marcele: Coloniza-dor


____________________
É que eu sou terra, mas me transformo em barro quando me deixo ser
misturada às águas salgadas, do mar, suor e lágrimas.
Moldando e me transformando,
trazendo novos significados à essa vida tão empoeirada.
Areias que passam por meus dedos como uma ampulheta,
Me renovando a cada rima não escrita pela caneta.
Afirmando minha ancestralidade preta.

Camada de relacionamentos rasos, em que só me afogo sem afagos.
Me rasgo o peito
De mente aberta
E coração trancado!
Me sinto perdida, sem lar, sem teto, sem ar, sem afeto... sem... com,
cem, dim, mim, sim, vim, fim.

E agora? O que eu vou recitar?
Excitar
E se tá?
Em si tá
Em ti sa
Atiça
Cobiça
Atira
Mira
Mora
Alisa
Alista
Ali está
A beira
“eu queria falar de amor”
Nem queira
Se não repara a bagunça,
É que
Meu quarto é o reflexo da minha cabeça
E na casa do meu coração
Todos os dias tenho como vista a solidão
e eu a convido pra tomar um chá
Que me mate... de saudade
Mas me sinto tão otária
Tentando me adaptar com esse “estar só” de filha única solitária.

Todo mundo precisa de mim... inclusive eu mesma!
Introspectiva,
intuitiva,
expectativa,
retrospectiva:
Corri, corri, corri,
E morri na praça
Deixada às traças
Traçando metas e medos,
De toda essa bagaça!
Que diz que meu talento tá lento

E eu quase tive um treco com o troco que ela me deu, dizendo:
“Tó minha fia pra vc fazer seus teatro, suas coisinha...”
Pois é minha tia, eu ainda vou pagar minhas contas com poesia!
Assim como Rashid disse um dia:
Eu faço o que amo parceiro, e se vender é fazer o que não gosta pelo
dinheiro!

Ah, isso é LouCURA
FresCURA
Uma Ex... CURA atual
De um passado presente
E um futuro que passou
Uma força braçal que a cabeça não suportou
Nunca esquecerei de quando eu tropecei, quem foi que me levantou

Desde criança aprendi a não demonstrar anseios
Guardo tudo pra mim
O que aos 12 anos me ocasionou uma gastrite
Ceis quer gritar pega a visão pra mim que sou míope?
Vai pingar colírio nessa sua conjuntivite!
Pra ver se ceis enxerga a remela
Que cobre seu ponto de vista
De dentro da hidro na sua suíte,
Enquanto noiz tá na bacia de alumínio tomando banho no cano de
conduíte.

E a água rasgando a pele feita de aço
Forte abraço!
Quantas comun(idades) precisam ser abraçadas?
há 519 anos sendo golpeadas!
É mortal, cruzado excludente
Gancho, soco inglês evidente
faca nas costas, paulada na frente,
“Tira a presidente, depois tira o resto”

Eu tô me interPRETANDO a cada verso disperso,
Imerso na imensidão
Manifesto reverso e só um gesto de interpretação.

E ceis aí se achando plateia
Comendo torrada e geleia
E nossa alcateia
Cheia de fome, de migalha em migalha
Como Marília Casaro cantou “mastigando a miséria e cuspindo o pão”
que noiz mema amassou
Querem se aproveitar da nossa dor
Já disse MC Martina, é a tal “síndrome do colonizador”!

____________________
pilares: raízes espelhadas — poesias: Jessica Marcele & Jaque Alves, Prefácio de MC Martina e Posfácio de Patrícia Meira, 2019, nosotros, Editorial, São Paulo — SP; Jessica Marcele, paulista e paulistana nascida na ZL, bairro de São Miguel Paulista, aprendeu a ler em karaokê, formou-se na Escola Livre de Teatro de Santo André e no Módulo de Pesquisa Teatral Continuada do Espaço Cultural Aldeia Satélite, é atriz, performer, slammer, poeta, ativista, produtora e empreendedora; foi/é oficineira no projeto Luâncias Crescentes da Cia. EmQuadro, com foco no empoderamento feminino e voltado a jovens do ensino médio em escolas públicas da periferia de sampa; a poetatriz também foi/é cofundadora do selo/produtora CIM Cultura Independente em Movimento e do Brechó Breguenaite, além de integrar [ou ter integrado] as companhias e grupos teatrais: Cia. Cínicos Cênicos, Cia. Utilidade Pública, Melancolia e Visão Periférica; é atuante no Coletivo PARDOnizadas grupo de intervenções cênico-poéticas que aborda temas voltados às mulheres negras e no Coletivo Pilares; obras: pilares: raízes espelhadas (zine [plaquete, livreto] em coautoria com Jaque Alves, 2019), Teatro Íntimo, Monólogos Minimalistas (antologia, diversas autorias, 2021), Sua língua é o seu corpo (antologia também traduzida em libras, várias autorias, 2022); outras intervenções: compõe o elenco de Essa Cia. de Teatro, com Ensaio para dois perdidos, colabora na criação de E lá fora o silêncio, do LABTD Grupo Laboratório de Técnica Dramática, projeto Manifesto das Margens, com o grupo Mundu Rodá, espetáculo itinerante Reset Brasil, com o Coletivo Estopô Balaio.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Jaque Alves: Corpo (in)visível


____________________
Capotado,
O corpo permanece no chão
Desacordado,
Derramado,
Desfigurado,
Destruído,
Detonado
E desamparado
Pelo cinza que esconde e sua solidão
Parece perdido, estagnado
Como se estivesse anestesiado
Sem chance de ser acordado
Fede a carniça.
Completamente para consumo televisionado,
Deveria ser olhado
Se acostumam com o vermelho esparramado,
Exposto ao sol ou à noite
Pela eternidade se encontrará paralisado
Submetido a olhares estranhos
Encontra-se um em muitos
Completamente violentado...

Mas não se engane, a maré sempre volta.

____________________
pilares: raízes espelhadas — [poesias]: Jaque Alves & Jessica Marcele, Prefácio de MC Martina e Posfácio de Patrícia Meira, 2019, nosotros, Editorial, São Paulo — SP; Jaque Alves ou Jaqueline Alves Pinto, nascida em 1994, paulista da ZL paulistana, bairro de São Miguel Pta, onde se criou e ali vive até hoje, formou-se em Serviço Social na Universidade Brasil, é atriz, poeta, escritora, articuladora e produtora cultural e mestre de cerimônia; atuante em vários slams pela paulicéia, Slam da Guilhermina entre os quais, integra a equipe Slam Laje (Batalha de Poesia itinerante), participou do Módulo de Pesquisa Teatral Continuada na Aldeia Satélite Espaço Cultural; a poetatriz Jaque Alves teve/tem atuação em dois grupos teatrais: Cia. Cínicos Cênicos e Cia. Utilidade Pública, com as peças Um Em Cada Três e Dia Útil, respectivamente, e foi uma das idealizadoras do coletivo PARDOnizadas, de performances cênico-poéticas, com a ação Sangue Sujo e participa também do coletivo Pilares; suas obras: além deste zine [plaquete, livreto] pilares: raízes espelhadas (2019), participou das antologias O Livro Negro dos Sentidos (2021), Teatro Íntimo: Monólogos Minimalistas (2021) e Sua Língua é o Seu Corpo (2022), também em coautorias, ...