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Na terra verde, os homens cor de sangue,
adorando a lua,
estirando cordas,
— pele nua, ao vento —
encurvavam arcos, ao calor do sol.
Os brancos vieram, através dos mares verdes,
em monstros pardos de asas brancas, longas,
temperando violas, esticando cordas,
ao passar do vento.
Os negros vieram, através dos mares negros,
em repelentes bojos de navios;
e, num banzo agoniado, esticaram correntes,
lanhando-se na alma nostálgica, branca...
E hoje inda vibra, na alma brasileira,
aquela indecisão de corda que, estirada,
não sabe se o alvo há-de ser atingido;
vibram as vibrações das cordas da guitarra,
numa saudade mole, que inda espera;
tinem uns elos de correntes retrementes,
ansiando ainda pela liberdade!
São Paulo, 08.09.1935

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Poesias — Manoel Cerqueira Leite, Tomo I: Terra Verde, Água na Cuia, Fonte na Serra, Prefácio de Fernando de Azevedo, 1974, Editora Alfa Ômega Ltda., São Paulo — SP; Manoel
Cerqueira Leite (1916 — 1975), paulista de Sarapuí, formado
pela USP — Universidade
de São Paulo, foi poeta, crítico literário, professor de literatura brasileira
(USP e UNESP) e colaborou com jornais da capital (Folha da Manhã, Jornal de São Paulo) e do interior paulista (O Democrata, de Itapetininga);
escreveu e publicou: Terra Verde, poemas (1946); Água na Cuia, sonetilhos (1948); Rumo; Fonte na Serra,
poemas (1959); Pairando sobre o abismo (prosa, 1966); História da Literatura Brasileira — volume I — Introdução (incompleto, 1967); Poesias (1974); A Crítica
Funcional I, II, III e IV (crítica literária, 1972 — 1974).





