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[traduzido por Antonio Medina Rodrigues]
Some, ó belo sol, se em ti
Mal repararam, nem, bendito, ah, te souberam:
Sem descanso e manso, em cima de varões
Atarefados, na corola esperdiçaste.
Ó luz, que amável desces para mim e de mim sobes,
Bem te conhece o olho meu, ó senhorial!
A venerar-te em calma e divo afã bem aprendi,
Quando os sentidos me sanou Diotima.
Ó tu, núncia do céu, como eu — Amor! — te olhava,
Ó Diotima! E como do teu ser já se inspirava
O meu olhar com vista aos áureos dias,
Fulgurante em torno, e agradecido. Ciciavam com mais vida.
Então as fontes, da terra negra trescalavam
Seu amor por mim as flores.
E sorrindo, sobre os cirros prateados,
Tombava, com suas bênçãos, sobre nós, o Etéreo.
Geh
unter, schöne Sonne...
Geh unter, schöne Sonne, sie
achteten
Nur wenig dein, sie kannten
dich, Heilge, nicht,
Denn mühelos und stille bist
du
Über den Mühsamen aufgegangen.
Mir gehst du freundlich unter
und auf, o Licht!
Und wohl erkennt mein Auge
dich, Herrliches!
Denn göttlich stille ehren
lernt ich,
Da Diotima den Sinn mir
heilte.
O du des Himmels Botin! wie
lauscht ich dir!
Dir, Diotima! Liebe! wie sah
von dir
Zum goldnen Tage dieses Auge
Glänzend und dankend empor. Da
rauschten
Lebendiger die Quellen, es
atmeten
Der dunkeln Erde Blüten mich
liebend an,
Und lächelnd über Silberwolken
Neigte sich segnend herab der Äther.
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Hölderlin: Canto do Destino e outros cantos, Organização, Tradução e Ensaio
de Antonio Medina Rodrigues e Apresentação de Nelson Ascher, edição bilíngue, 1994,
Editora Iluminuras, São Paulo — SP; Johann Christian Friedrich Hölderlin (1770 — 1843), alemão de Lauffen, região da Suábia, foi
poeta, romancista, dramaturgo, tradutor e filósofo; em 1784, Hölderlin foi
encaminhado para Klosterschule, em Denkendorf, iniciando preparação para o
pastorato e ali também fez suas primeiras tentativas literárias; estudou teologia
no convento de Tübingen, recebeu formação humanística, conviveu com Hegel e Schelling,
tendo colaborado com estes na formação inicial da corrente filosófica conhecida
como Idealismo alemão, obteve cátedra de Filosofia em 1790; frequentou a Universidade
de Iena; na sua trajetória intelectual, também conviveu e estabeleceu relações com
Schiller, Fichte e Goethe; o poeta teve quatro de suas poesias publicadas pela primeira
vez no Almanaque das Musas para o ano de 1792 (Musenalmanach für das Jahr 1792),
depois vieram outras publicações no Florilégio Poético para o Ano de 1793 (Poetische
Blumenlese für das Jahr 1793), na edição de inverno da revista Nova Thalia (Neue
Thalia), Almanaque das Musas de 1807 (Musenalmanach 1807)...; traduziu Sófocles
e os fragmentos de Píndaro; suas obras: A Morte de Empédocles (fragmentos, drama,
1797—1800), Hiperion ou O Eremita na Grécia (1797—1799), Tragédias de Sófocles (1804), Poemas de
Friedrich Hölderlin (editados por Ludwig Uhland e Gustav Schwab, 1826), Gedichte
vor 1800 (Poemas anteriores a 1800, volume 1, 1944), Gedichte nach 1800 (Poemas
após 1800, volume 2, 1961)...; relata a sua biografia que, a partir de 1807 e pelo
resto de sua vida, o poeta viveu confinado em uma torre, sendo cuidado pela família
e auxiliares, após ter recebido o diagnóstico médico de loucura ou insanidade irreversível;
Hölderlin, mesmo após esta data, continuou escrevendo e produziu textos em seus
momentos de lucidez.