quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Rückert: A casa do coração

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(Tradução de Antero de Quental)

O coração tem dois quartos:
Moram ali, sem se ver,
Num a Dor, noutro o Prazer.

Quando o Prazer no seu quarto
Acorda cheio de ardor,
No seu, adormece a Dor...

Cuidado, Prazer! Cautela,
Canta e ri mais devagar...
Não vá a Dor acordar...

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Clássicos Jackson, Volume XXXIX Poesia, segundo volume Selecção e Notas de Ary de Mesquita, 1958, W. M. Jackson Editores, Rio de Janeiro RJ; Friedrich Rückert (1788 1866), nascido em Schweinfurt Alemanha, de pseudônimo Freimund Raimar, estudou Direito e Filologia; poeta e escritor, autodidata em línguas orientais, apresentou a seus leitores alemães a literatura árabe, persa, indiana e chinesa, através de traduções e imitações literárias; foi professor de Filologia Oriental em escolas alemãs; escreveu Geharnischte Sonette ('Sonetos Exigentes', 1914), Die Weisheit des Brahmanen ('A Sabedoria do Brâmane', seis volumes, 1836 1839), Liebesfrühling ('Primavera de Amor', 1844) entre outros títulos.

domingo, 26 de outubro de 2014

Henfil: Fradim Baixim


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Henfil, Henrique de Sousa Filho (1944  1988), mineiro de Ribeirão das Neves, foi cartunista, quadrinista, jornalista e escritor, conhecido pelos seus cartuns publicados no jornal O Pasquim e na revista Fradim; iniciou sua carreira na revista Alterosa, depois seus trabalhos foram publicados nos jornais Diário de Minas e Jornal dos Sports, e nas revistas Realidade, Visão, Placar, O Cruzeiro e Isto É (Cartas à mãe); no Rio de Janeiro, trabalhou no Jornal do Brasil e n'O Pasquim, este último uma publicação que confrontava o regime militar então vigente; no auge da ditadura militar, criou a revista Fradim, na qual, de forma massiva, divulgou seus personagens; escreveu e publicou Hiroshima, meu amor (1966), Diário de um cucaracha (1976), Henfil na China  (1980), Dez em humor (coletânea, 1984), Diretas Já! (1984), Fradim de Libertação (1984), Como se faz humor político (1984); em televisão, Henfil redigiu textos para o programa TV Mulher  Rede Globo, grande audiência do público feminino entre os anos 70 e 80; no cinema, fez Tanga: Deu no New York Times? (1987); como um dos fundadores do PT, produziu e ilustrou inúmeros materiais de divulgação do Partido e de campanhas eleitorais na década de 80; hemofílico, morreu em  decorrência de contração do vírus da Aids, doença que adquiriu através  de transfusão de sangue..

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Genésio dos Santos: No limite

Era uma vez um racional obcecado em transitar entre a razão e a loucura. Queria entender e vivenciar o processo do seu próprio enlouquecimento.

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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, é poeta e cronista não tão ativo e, hoje, bancário aposentado e aprendiz de blogueiro; escreveu Número Um (poesias, 1978), Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981), além de ter colaborado com crônicas e outros textos em jornais sindicais, O Espelho-SP e Folha Bancária, e também pilotado o devezenquandário Na Moita (1991  1997), sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Lope de Vega: Lucinda, a loira, quando a um'ave abria (soneto)

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(Tradução de Raimundo Correia)

Lucinda, a loira, quando a um’ave abria,
Certa vez, a gaiola, a prisioneira,
Da gaiola escapando-se ligeira,
Deixou confusa a moça... E esta dizia:

"Ave, por que me foges e erradia
Voas? Talvez nos bosques, forasteira,
Laço, armadilha ou bala traiçoeira
De falaz caçador te aguarde um dia!

Por que ao risco e ao perigo dás a vida?
Por quê...?" — Mas nisto, de queixosa, em pranto
Desfez-se toda a pálida senhora...

E a ave à gaiola volta comovida,
Comovida por vê-la chorar tanto,
Que tanto pode uma mulher que chora.

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30 Séculos de Poesia de IX a.C. até o século XVIII, Seleção, Prefácio e Notas de Ary de Mesquita, 1966, Edições de Ouro, Rio de Janeiro RJ; Lope Felix de Vega Carpio (1562 1635), espanhol de Madrid, poeta, escritor e dramaturgo, foi um menino prodígio: aos cinco anos lia em castelhano e latim, aos dez fez traduções do latim para o espanhol, aos doze escreveu sua primeira peça teatral; estudou na Universidade de Salamanca e teve vasta produção teatral e literária; escreveu centenas de comédias e autos, além de milhares de poesias líricas, cartas, romances, poemas épicos e outros; de sua bibliografia, cite-se La Dragontea (poema extenso, 1598), Rimas (poemas, 1604), Arte Nuevo de Hacer Comedias (teatro barroco espanhol, 1606), Jerusalém Libertada (1609), Pastores de Belém (1612), Rimas Sacras (1614), Romance Espiritual (1619), La Dorotea (romance dramático, 1632), Amarílis (écogla, 1633), La Gatomaquia (poema extenso, 1634), além de tantos outros escritos em versos inspirados em histórias e lendas espanholas; é considerado o fundador da comédia hispânica e, por sua inesgotável capacidade criativa, um dos mais prolíficos autores da literatura universal, chamado por seus contemporâneos de "O Monstro da Natureza".

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Alberto Isaac: As engraxatarias completavam a elegância dos itapetininganos

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                              Era uma vez, aqui em Itapetininga, um tempo em que só se usava tênis para fazer ginástica ou, para poucos, jogar tênis. Calçado era obrigatoriamente sinônimo de sapato de couro, usado por todos, dos mais pobres aos mais ricos, sem distinção, fossem botinas rangedeiras, de elástico no cano, fabricadas então pelas sapatarias Gensen, Matarazzo, Zequinha, ou Indalécio, Miguel Pucci, ou os sapatos produzidos pelo famoso Tuim, Cauchiolli e outros.
                              Esse uso generalizado de sapatos de couro levou à ascensão e glória de um serviço que rapidamente se disseminaria pela cidade, o dos engraxates (profissionais). Não se refere nesse caso aos pequenos que circulavam com suas escovas e caixinhas de madeira a tiracolo, em busca de eventuais interessados, como ocorre hoje e isto com poucos engraxates pelas ruas. Tratava-se dos verdadeiros profissionais que faziam lustrar com perfeição um oficio levado muito a sério e que, não raro, passava de pai para filho.
                              Os dedicados em regime de tempo integral à função, geralmente trabalhavam em salas alugadas ou então nas proximidades de barbearias no centro da cidade, sob o comando de um microempresário que supervisionava de perto os trabalhos e não se fazia de rogado quando também tinha de meter a mão na graxa.
                              Algumas das engraxatarias de tamanho razoável como as que funcionavam na rua Monsenhor Soares, próximo ao cine Itapetininga, antigo Ideal ou a de Joaquim Pereira na José Bonifácio, junto ao famoso bar Garcia, eram justamente as mais renomadas. Chegar e instalar-se numa de suas poltronas anatômicas de madeira, podia até aspirar o aroma de loção que vinha da barbearia localizada na José Bonifácio, de propriedade de Pedro Paca e, posteriormente, de Dito (Gamela), originário de Capão Bonito. O cliente podia falar ou manter-se em silêncio. Se preferisse ler, havia os jornais da cidade: Tribuna Popular, Aparecida do Sul ou Diário de Itapetininga, além da Gazeta Esportiva, que se encontravam em disponibilidade. Tomava conhecimento de todos os fatos sucedidos na cidade e também se punha em dia com respeito a atuação dos clubes de futebol locais, primeiro Associação e depois CASI ou DERAC. E quem não queria  ou não sabia ler podia ser informado pelo próprio engraxate, a pedido, de tudo, que ia da crônica policial até a esportiva, política ou social.
                              Enquanto isso o serviço propriamente era conduzido. Com as meias do cliente devidamente protegidas por placas de papelão, o profissional seguia uma invariável rotina de trabalho: primeiro, uma limpeza completa e cuidadosa do calçado, com esponja úmida, para retirada de pó e demais sujeiras. Depois, a primeira mão geral de graxa a chamada pomada inglesa, que era "Nugget", custava um pouco mais que a tida por nacional, mais o resultado compensava , a que se seguia escovação geral e completa, a seco. A seguir vinha a segunda mão de graxa, terceira escovação geral e caprichada, mais uma lambuja de graxa na biqueira e finalização com pano macio para realçar o brilho reduzido e com direito a um batuque executado pelo engraxate com o pano.
                              Átila, não o rei dos hunos, mas um itapetiningano simpático e que todo carnaval colocava um bloco na rua, possuía a engraxataria na Monsenhor Soares, bem junto ao cinema agora demolido; Joaquim Pereira, pai do bancário José Joaquim Pereira, conduzia a engraxataria na José Bonifácio, onde antes mantinha uma garaparia; Rubião, violonista dos melhores, era proprietário de outra engraxataria no Largo dos Amores, próximo à sede da Viação Cometa, e na Campos Sales existia uma engraxataria em que o dirigente era o pai de Roberto, o pasteleiro conhecido em toda cidade.
                              Todas caracterizavam-se pelo intenso movimento de clientes, pois os cidadãos primavam em andar com os sapatos bem lustrosos, principalmente quando participavam de festas e bailes realizados nos clubes locais.
                              Agora o uso cada vez mais constante do tênis modernos e sofisticados praticamente acabou com as engraxatarias, profissão já em extinção, restando as recordações daqueles que exerceram esse trabalho e daqueles que viveram essa fase da vida.

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Vivas Memórias, Alberto Isaac — histórias, personagens, crônicas, volume I, 2009, Editora Correio de Itapetininga, Itapetininga — SP; Alberto Isaac, nascido em 1925, de Itapetininga SP, comerciante, professor, cronista e jornalista, é colunista do jornal Correio de Itapetininga; colaborou com os jornais O Estado de São Paulo, O Diário de São Paulo, Diário de Sorocaba, Folha de Itapetininga, Aparecida do Sul.

domingo, 5 de outubro de 2014

Virgínia Victorino: O que eu te não digo

O meu desejo era mandar-te prosa
cheia de cor, de brilho, de relevo,
na pequenina folha cor-de-rosa
deste papel vulgar em que te escrevo.

Palavras de ternura? Não me atrevo.
Se penso numa frase carinhosa
arrependo-me logo:  “Não… Não devo…”
E a página sai fria, dolorosa.

Lamentas-te. Bem sei que tens razão.
Quero escrever, falar, e não consigo…
Vê que perturbadora comoção!

E, contudo, tu tens de compreender
o que eu, por mais que faça, te não digo;
o que eu não sou capaz de te escrever.

(Namorados  1918)

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Português no colégio — primeiro e segundo anos dos cursos clássico, científico, normal e para a iniciação às Faculdades de Filosofia, de Raul Moreira Léllis, 14a. edição, 1970, Companhia Editora Nacional, São Paulo — SP; Virgínia Villa Nova de Sousa Victorino (1895 1967), natural de Alcobaça  Portugal, foi professora, dramaturga e poetisa; cursou Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, e piano, canto, harmonia e italiano no Conservatório Nacional de Lisboa; dirigiu o teatro radiofônico na Emissora Nacional; escreveu e publicou Namorados (poemas, 1918  reeditado mais de uma dezena de vezes) e A Volta (teatro, 1932), entre outros livros de poesia e de peças teatrais; teve vasta colaboração em jornais e revistas portuguesas e brasileiras; recebeu premiações por sua obra.

sábado, 4 de outubro de 2014

Antero de Quental: O Palácio da Ventura

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Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão  e nada mais!

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Português no colégio — primeiro e segundo anos dos cursos clássico, científico, normal e para a iniciação às Faculdades de Filosofia, de Raul Moreira Léllis, 14a. edição, 1970, Companhia Editora Nacional, São Paulo — SP; Antero Tarquínio de Quental (1842 1891), português de Ponta Delgada (Ilha dos Açores), formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi poeta e escritor; publica seus primeiros sonetos em 1861 e, quatro anos após, influenciado pelo socialismo experimental de Pierre J. Proudhon, publica Odes Modernas, na qual enaltece a revolução e cuja obra esteve na origem da Questão Coimbrã, polêmica vivida pelo poeta e outros autores da época por instigarem a revolução intelectual; em 1866, indo viver em Lisboa, experimentou a vida de operário ao trabalhar como tipógrafo; foi um dos fundadores do Partido Socialista Português;  em 1869, ajudou a fundar o jornal A República; em 1872, participou da edição da revista O Pensamento Social, colaborando igualmente em diversas outras publicações periódicas; escreveu e publicou: Sonetos de Antero (1861), Odes Modernas (na origem da polêmica Questão Coimbrã, 1865), Bom Senso e Bom Gosto (opúsculos, 1865), A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais (também na origem da Questão Coimbrã, 1865), Portugal perante a Revolução da Espanha (1868), Primaveras Românticas (1872), Considerações sobre a Filosofia da História Literária Portuguesa (1872), A Poesia na Actualidade (1881), Sonetos Completos (1886), A Filosofia da Natureza dos Naturistas (1886) entre outros títulos; suicidou-se com dois tiros de revólver, em 11 de setembro de 1891.

Menotti Del Picchia: Banzo

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E por que deixou na areia do Congo
a aldeia de palmas;
e porque seus ídolos negros
não fazem mais feitiços;
e porque o homem branco o enganou com missangas
e atulhou o porão do navio negreiro
com seu desespero covarde;
e porque não vê mais de ânfora ao ombro
a imagem do conga nas águas do Kuango,
ele fica na porta da senzala
de mão no queixo e cachimbo na boca,
varado de angústia,
olhando o horizonte,
calado, dormente,
pensando,
sofrendo,
chorando.
morrendo.

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Antologia da Literatura Mundial — Antologia de Poetas Brasileiros, Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, Quarta edição, 1961, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Paulo Menotti Del Picchia (1892 1988), paulista e paulistano, poeta, jornalista, romancista, contista, ensaísta, teatrólogo e historiador, empenhou-se em polêmicas na defesa da Semana De Arte Moderna, embora com uma poesia com poucos sinais de vanguardismo; em período tardio lança O Deus sem rosto (1968) onde estão contidos os mais modernistas de seus poemas; estreou na literatura com Poemas do Vício e da Virtude (1913), depois escreveu Juca Mulato (1917), Chuva de Pedra (1924), República dos Estados Unidos do Brasil (1928), Jesus (1933), Noturno (1970), entre tantos outros títulos; trabalhou nos jornais A Tribuna (de Santos), A Gazeta, Correio Paulistano, Diário de São Paulo e Diário da Noite; fundou a revista Papel e Tinta (com Oswald de Andrade) e o jornal Anhanguera (órgão informativo do movimento Bandeira, criado junto com Cassiano Ricardo e Cândido Mota Filho).

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Corrêa de Almeida: Gente que vem da Corte para a roça (soneto)

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Gente que vem da Corte para a roça
Só acha em nossa casa porcaria;
Tudo lhe causa nojo, engulho, azia,
À mesa quando janta ou quando almoça.

Agradar-lhe não há cousa que possa,
Pois crendo que palácios acharia,
Foi hospedado em lôbrega vazia,
Misérrima e vilíssima palhoça.

À vista da sujíssima torpeza,
Pretende convencer-nos da limpeza
Exclusiva da Corte, mãe do luxo.

Não reflete, porém, que se fabrica
Com salobro suor correndo em bica
O pão que lá se leva para o buxo.

José Joaquim CORREA DE ALMEIDA
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Antologia de Humorismo e Sátira (de Gregório de Matos a Vão Gôgo) — por R. Magalhães Júnior, 1957, Editora Civilização Brasileira S.A., Rio de Janeiro — RJ; José Joaquim Corrêa de Almeida (1820  1905), mineiro de Barbacena, foi poeta satírico; escreveu Satyras, Epigrammas e outras poesias (1854), Sonetos e Sonetinhos (1884), Sonetos e Sonetinhos segundo volume (1887), Sensaborias Métricas  2 volumes, Decrepitude Metromaníaca (1894), Produções da Caducidade (1896); presbítero secular (padre), teve as ordens sacerdotais cassadas por uma vez ter revelado coisas de sabor cômico lhe confidenciado por uma beata no segredo do confessionário.

Fagundes Varela: Armas

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Qual a mais forte das armas,
A mais firme, a mais certeira?
A lança, a espada, a clavina,
Ou a funda aventureira?
A pistola? O bacamarte?
A espingarda, ou a flecha?
O canhão que em praça forte
Faz em dez minutos brecha?

Qual a mais firme das armas?
O terçado, a fisga, o chuço,
O dardo, a maça, o virote?
A faca, o florete, o laço,
O punhal, ou o chifarote?
— A mais tremenda das armas,
Pior que a durindana,
Atendei, meus bons amigos:
Se apelida: a língua humana!

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Antologia de Humorismo e Sátira (de Gregório de Matos a Vão Gôgo) — por R. Magalhães Júnior, 1957, Editora Civilização Brasileira S.A., Rio de Janeiro — RJ; Luís Nicolau Fagundes Varela (1841  1875), nascido em Rio Claro RJ, foi poeta romântico e boêmio inveterado; é considerado um dos expoentes da poesia brasileira em seu tempo (terceira geração do Romantismo); obra poética: Noturnas (1860), Vozes da América (1864), Pendão Auri-verde (poemas patrióticos), Cantos e Fantasias (1865), Cantos Meridionais (1869), Cantos do Ermo e da Cidade (1869), Anchieta ou O Evangelho nas Selvas (publicação póstuma, 1875), Obras Completas — 3 volumes (1886?, Editora Garnier, Le Havre  França); morreu de alcoolismo.