[traduzido por Lisindo Coppoli]
O Gato preto, que era Presidente
Da Associação do Livre Pensamento,
Ficou furioso quando, de repente,
Durante uma sessão,
Ouviu o Gato cinzento
Pedir-lhe explicação
Sobre seus modos de fazer política,
Que estavam merecendo alguma crítica.
— Cala a boca! — gritou-lhe o Gato preto —
Eu não estou disposto
A permitir tal falta de respeito;
Tu falas sem razão:
Se aqui te sentes tanto a contragosto
Será melhor que peças demissão.
Poderás, sim, pensar como tu queiras,
Conforme tua idéia, livremente;
Porém sem contrariar o Presidente,
Ficando muito quieto nas fileiras.
— Queira-me perdoar: falei asneiras!
— Disse o Gato cinzento —
Reconheço que dei grande mancada.
E pra ficar no Livre Pensamento
Dali por diante não pensou mais nada.
La libertà di pensiero
Trilussa — Cento e uma fábulas, Seleção, Apresentação e Tradução de Lisindo Coppoli, 1957, Rede Latina Editora, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 — 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma — Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; inicialmente, Trilussa publicou seus poemas em jornais, coletando-os depois em volumes, selecionando-os e aprimorando-os; bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori — Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos; em português, além deste Cento e uma fábulas, os versos do poeta fabulista também foram compilados e traduzidos por Paulo Duarte na edição Versos de Trilussa (1973).
O Gato preto, que era Presidente
Da Associação do Livre Pensamento,
Ficou furioso quando, de repente,
Durante uma sessão,
Ouviu o Gato cinzento
Pedir-lhe explicação
Sobre seus modos de fazer política,
Que estavam merecendo alguma crítica.
— Cala a boca! — gritou-lhe o Gato preto —
Eu não estou disposto
A permitir tal falta de respeito;
Tu falas sem razão:
Se aqui te sentes tanto a contragosto
Será melhor que peças demissão.
Poderás, sim, pensar como tu queiras,
Conforme tua idéia, livremente;
Porém sem contrariar o Presidente,
Ficando muito quieto nas fileiras.
— Queira-me perdoar: falei asneiras!
— Disse o Gato cinzento —
Reconheço que dei grande mancada.
E pra ficar no Livre Pensamento
Dali por diante não pensou mais nada.
| Trilussa |
La libertà di pensiero
Un Gatto bianco, ch’era Presidente
der Circolo der Libbero Pensiero,
senti che er Gatto nero,
libbero pensatore come lui,
je faceva la critica
riguardo a la politica
ch’era contraria a li principi sui.
— Giacchè nun badi a li fattacci tui,
— je disse er gatto bianco inviperito —
rassegnerai le proprie dimissioni
e uscirai dalle file der partito:
chè qui la poi pensa’ libberamente
come te pare a te, ma a condizzione
che t’associ a l’idee der presidente
e a le proposte della commissione!
— E’ vero, ho torto, ho aggito malamente... —
rispose er Gatto nero.
E pe’ resta’ ner Libbero Pensiero
da quella vorta nun penso’ piu’ gnente.
____________________Trilussa — Cento e uma fábulas, Seleção, Apresentação e Tradução de Lisindo Coppoli, 1957, Rede Latina Editora, São Paulo — SP; Carlo Alberto Camillo Mariano Salustri (1871 — 1950), Trilussa (anagrama do sobrenome), nascido em Roma — Itália, foi poeta dialetal de sátiras político social, fabulista, escritor e jornalista; escreveu em dialeto romanesco; inicialmente, Trilussa publicou seus poemas em jornais, coletando-os depois em volumes, selecionando-os e aprimorando-os; bibliografia: Stelle de Roma: versi romaneschi (Cerroni e Solaro, Roma, 1889); Quaranta sonetti romaneschi (Enrico Voghera, Roma, 1895); Favole romanesche (Enrico Voghera, Roma, 1901); Ommini e bestie (Enrico Voghera, Roma, 1914); Lupi e agnelli (Enrico Voghera, Roma, 1919); La Gente (A. Mondadori, Milano, 1927); Acqua e vino (A. Mondadori — Tip. Operaia Romana, Roma, 1945) e outros títulos; em português, além deste Cento e uma fábulas, os versos do poeta fabulista também foram compilados e traduzidos por Paulo Duarte na edição Versos de Trilussa (1973).










