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Vemos bem longe, alma adorada,
Em nossa barca toda doirada,
Singrar as ondas em pleno mar.
Quero perder-me na espessa
bruma,
E sobre as vagas de branca
espuma
Vogar... vogar...
Todos meus sonhos
encantadores,
Meus risos ternos ou minhas
dores,
Só conto às águas em pleno
mar;
Leva-me, leva-me e bem
distante,
Quero, ao balouço da barca
errante,
Sonhar... sonhar...
Quem expandir-te meu
pensamento,
Tendo meus olhos no firmamento,
Ouvindo as vagas em pleno
mar...
Passar as horas num devaneio.
E nesse mago divino enleio
Amar... amar...
[0]4 — 12 — [18]99
[revista A Mensageira, de 15 de Janeiro de 1900,
Ano II, nº 36, São
Paulo — SP
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A
Mensageira — Revista Literária dedicada à mulher brasileira,
Diretora: Presciliana Duarte de Almeida (1897 a 1900), Edição fac-similar,
Volume II, Apresentação de Bete Mendes e comentários de Zuleika
Alambert, 1987, Imprensa Oficial do Estado S/A — IMESP, São Paulo —
SP; Ridelina Ferreira, pseudônimo de Camila Riedel (1867 — ? ), natural do Rio Grande
do Sul, foi professora, escritora e poeta; escreveu os contos 'Um episódio da roça'
e 'O Tio Job' (ambos em 1899), e os poemas 'Escuta!' (1898), 'Nênia' e 'Barcarola'
(ambos em 1899); consta que, em vida, suas obras aparentam ter sido publicadas apenas
na revista A Mensageira; foi esposa do também poeta, jornalista repórter e editor do Diário de Campinas, Júlio Riedel
(1867 — 1895), que cometeu suicídio; eis o obtido dos dados biográficos da poetisa e registrados
em 2009 na obra Escritoras Brasileiras do Século XIX, organização de Zahidé Lupinacci
Muzart, volume 3, páginas 1057, 1058 e 1082, Editora Mulheres, Florianópolis — SC; faleceu no Rio de Janeiro.
