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quarta-feira, 25 de março de 2026

Agrippa d’Aubigné: Vamos fazer, Diana, o jardim cultivado: . . . [soneto]

 
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[traduzido por Renata Cordeiro]

Vamos fazer, Diana, o jardim cultivado:
Vós sereis guardiã e dama, eu, lavrador.
Fornecereis o campo, e darei o labor,
Para sermos por ele os dois dignificados.

Nossos olhos serão por flores deleitados,
De um verde-flóreo, sendo o canteiro senhor
Das sementes, e só meus olhos, regador,
E seus zéfiros, meus suspiros inflamados;

Nele, podereis ver lindezas mil, floridas:
Lis, cravos, rosas, sem espinhos, margaridas,
A ancólia e o amor-perfeito, e mais tarde escolher

Depois da flor da espera, as frutas adoçadas
Pelo tempo, e deixar a renda partilhada:
A mim todo o labor, a vós todo o prazer.

Agrippa d'Aubigné

Nous ferons, ma Diane, un jardin fructueux

Nous ferons, ma Diane, un jardin fructueux:
J'en serai laboureur, vous dame et gardienne.
Vous donnerez le champ, je fournirai de peine,
Afin que son honneur soit commun à nous deux.

Les fleurs dont ce parterre éjouira nos yeux
Seront vert-florissant, leurs sujets sont la graine,
Mes yeux l'arroseront et seront sa fontaine,
Il aura pour zéphyrs mes soupirs amoureux;

Vous y verrez mêlés mille beautés écloses,
Soucis, oeillets et lys, sans épines les roses,
Ancolie et pensée, et pourrez y choisir

Fruits sucrés de durée, après des fleurs d'attente,
Et puis nous partirons à votre choix la rente:
A moi toute la peine, et à vous le plaisir.
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Pequena Antologia de Poemas Franceses: De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção, Introdução, Tradução e Notas de Renata Maria Parreira Cordeiro, 2002, Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo — SP; Theodore Agrippa D’Aubigné (1552 1630), francês de Saint-Maury de Saintonge, comuna de Pons, teve educação “esmerada”, desde criança já lia o francês e também o latim, o grego e o hebraico, foi poeta satírico, soldado e cronista; após a morte do pai em 1563, estudou em Paris e em Genebra; consta de sua biografia ter mostrado seu valor tanto na guerra quanto nos conselhos da política; com a coroação de Henrique de Navarra como rei da França, Agrippa D’Aubigné foi nomeado governador em Maillezais Vendéia e, “não podendo mais empunhar as armas, empunhou a pena e escreveu suas duas obras capitais”: História Universal e Os Trágicos, duas criações que “foram condenadas a ser queimadas”, o que fez com que o poeta não mais se sentisse seguro na França [Paris] e voltasse para Genebra; após seu segundo casamento, em 1623, “levou uma vida reservada, ocupando-se em revisar e completar as suas obras e publicar novos poemas.”; escreveu e publicou Os Trágicos (Les Tragiques, poema épico satírico composto por sete livros, 1616), A Primavera do Senhor d’Aubigné ou Hecatombe a Diana, 1568 — 1575 (Printemps, L'Hécatombe à Diane, uma centena de sonetos, mais estrofes e odes, publicação póstuma, 1874), História Universal de 1550 a 1601 (Histoire Universsele, 1616 1618), Confissão do Muito Católico Senhor de Sancy (Confession du Sieur de Sancy, publicação póstuma, 1660), As Aventuras do Barão de Faeneste (Les Aventures du baron de Faeneste, publicado entre 1617 e1630), Pequenas obras mistas do Senhor de Aubigné (Petites Oeuvres Mêlées du sieur d’Aubigné — Meditações sobre os Salmos, poesia religiosa, epigramas, 1630), Sua Vida aos Filhos (Sa Vie à ses enfants, obras da velhice, póstumo, 1729); Agrippa D’Aubigné é tido como um dos maiores autores barrocos da França, sua obra “foi redescoberta no século XIX, período do Romantismo, notadamente por Victor Hugo e Sainte-Beuve.”

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Agrippa d'Aubigné: Nós faremos, Diana, um jardim frutuoso: . . . [soneto]

 
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[traduzido por Mário Laranjeira]

II

Nós faremos, Diana, um jardim frutuoso:
Eu serei o cultor, tu, senhora e guardiã.
Fornecerás o campo, eu darei o afã,
Para que de nós dois seja o usufruto honroso.

Cada flor que nos vai dar à vista mil gozos
Será verde-florente, e prenhe de sementes,
Meus prantos vão regá-lo como águas correntes,
Por zéfiros terá meus suspiros ansiosos;

Verás juntas ali mil florinhas formosas,
Cravos, lírios, lilás, e sem espinhos rosas,
Ancólia e violeta, e poderás colher.

Frutas doces do tempo, após flores de esperas,
E vamos repartir a renda como queiras:
Toda a dor para mim, para ti o prazer.

Agrippa d'Aubigné

Nous ferons, ma Diane, un jardin fructueux [sonnet]

II

Nous ferons, ma Diane, un jardin fructueux:
J'en serai laboureur, vous dame et gardienne.
Vous donnerez le champ, je fournirai de peine,
Afin que son honneur soit commun à nous deux.

Les fleurs dont ce parterre éjouira nos yeux
Seront vert-florissant, leurs sujets sont la graine,
Mes yeux l'arroseront et seront sa fontaine,
Il aura pour zéphyrs mes soupirs amoureux;

Vous y verrez mêlés mille beautés écloses,
Soucis, oeillets et lys, sans épines les rosres,
Ancolie et pensée, et pourrez y choisir

Fruits sucrés de durée, après des fleurs d'attente,
Et puis nous partirons à votre choix la rente:
A moi toute la peine, et à vous le plaisir.
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Poetas franceses da Renascença [edição bilíngue], Seleção, Apresentação e Tradução de Mário Laranjeira, 1ª edição, agosto de 2004, Martins Fontes Editora, São Paulo — SP; Theodore Agrippa D’Aubigné (1552 1630), francês de Saint-Maury de Saintonge, comuna de Pons, teve educação “esmerada”, desde criança já lia o francês e também o latim, o grego e o hebraico, foi poeta satírico, soldado e cronista; após a morte do pai em 1563, estudou em Paris e em Genebra; consta de sua biografia ter mostrado seu valor tanto na guerra quanto nos conselhos da política; com a coroação de Henrique de Navarra como rei da França, Agrippa D’Aubigné foi nomeado governador em Maillezais Vendéia e, “não podendo mais empunhar as armas, empunhou a pena e escreveu suas duas obras capitais”: História Universal e Os Trágicos, duas criações que “foram condenadas a ser queimadas”, o que fez com que o poeta não mais se sentisse seguro na França [Paris] e voltasse para Genebra; após seu segundo casamento, em 1623, “levou uma vida reservada, ocupando-se em revisar e completar as suas obras e publicar novos poemas.”; suas obras: Os Trágicos (Les Tragiques, poema épico satírico composto por sete livros, 1616), A Primavera do Senhor d’Aubigné ou Hecatombe a Diana, 1568 — 1575 (Printemps, L'Hécatombe à Diane, uma centena de sonetos, mais estrofes e odes, publicação póstuma, 1874), História Universal de 1550 a 1601 (Histoire Universsele, 1616 1618), Confissão do Muito Católico Senhor de Sancy (Confession du Sieur de Sancy, publicação póstuma, 1660), As Aventuras do Barão de Faeneste (Les Aventures du baron de Faeneste, publicado entre 1617 e1630), Pequenas obras mistas do Senhor de Aubigné (Petites Oeuvres Mêlées du sieur d’Aubigné Meditações sobre os Salmos, poesia religiosa, epigramas, 1630), Sua Vida aos Filhos (Sa Vie à ses enfants, obras da velhice, póstumo, 1729); Agrippa D’Aubigné é tido como um dos maiores autores barrocos da França, sua obra “foi redescoberta no século XIX, período do Romantismo, notadamente por Victor Hugo e Sainte-Beuve.”

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Agrippa d’Aubigné: Ronsard, si tu soubeste pelo mundo vasto . . . [soneto]

 
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[traduzido por Mário Laranjeira]

I

Ronsard, si tu soubeste pelo mundo vasto
Espalhar a amizade, a doçura, a nobreza,
Os favores, o tédio, o lazer, a crueza,
E de ti e Cassandra o amor mais lindo e casto,

Não desejo, à porfia, exaltar sua sobrinha,
Voltando a celebrar o que tu já cantaste,
Apenas comparar belezas em contraste,
E teus fogos aos meus, e tua cinza à minha.

Eu não posso dizer, como tu, com talento,
Abandono o saber, enfrento o argumento
Que da escrita incrementa ou enfraquece a graça.

Sirvo a aurora que nasce, e tu o poente ousado,
Quando do Oceano o adultério obstinado
Jamais quer ao Oriente expor a sua face.

Agrippa d'Aubigné

Ronsard, si tu as su par tout le monde épandre

I

Ronsard, si tu as su par tout le monde épandre
L’amitié, la douceur, les grâces, la fierté,
Les ferveurs, les ennuis, l’aise et la cruauté,
Et les chastes amours de roi et de Cassandre,

Je ne veux à l'envi pour sa nièce, entreprendre,
D'en rechanter autant comme tu as chanté,
Mais je veux comparer à beauté la beauté,
Et mes feux à tes feux, et ma cendre à ta cendre.

Je sais que je ne puis dire si doctement,
Je quitte le savoir, je brave l'argument
Qui de l'écrit augmente ou affaiblit la grâce.

Je sers l'aube qui naît, toi le soir mutiné,
Lorsque de l'Océan l'adultère obstiné
Jamais ne veux tourner à l'Orient sa face.
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Poetas franceses da Renascença [edição bilíngue], Seleção, Apresentação e Tradução de Mário Laranjeira, 1ª edição, agosto de 2004, Martins Fontes Editora, São Paulo — SP; Theodore Agrippa D’Aubigné (1552 1630), francês de Saint-Maury de Saintonge, comuna de Pons, teve educação “esmerada”, desde criança já lia o francês e também o latim, o grego e o hebraico, foi poeta satírico, soldado e cronista; após a morte do pai em 1563, estudou em Paris e em Genebra; consta de sua biografia ter mostrado seu valor tanto na guerra quanto nos conselhos da política; com a coroação de Henrique de Navarra como rei da França, Agrippa D’Aubigné foi nomeado governador em Maillezais Vendéia e, “não podendo mais empunhar as armas, empunhou a pena e escreveu suas duas obras capitais”: História Universal e Os Trágicos, duas criações que “foram condenadas a ser queimadas”, o que fez com que o poeta não mais se sentisse seguro na França [Paris] e voltasse para Genebra; após seu segundo casamento, em 1623, “levou uma vida reservada, ocupando-se em revisar e completar as suas obras e publicar novos poemas.”; suas obras: Os Trágicos (Les Tragiques, poema épico satírico composto por sete livros, 1616), A Primavera do Senhor d’Aubigné ou Hecatombe a Diana, 1568 — 1575 (Printemps, L'Hécatombe à Diane, uma centena de sonetos, mais estrofes e odes, publicação póstuma, 1874), História Universal de 1550 a 1601 (Histoire Universsele, 1616 1618), Confissão do Muito Católico Senhor de Sancy (Confession du Sieur de Sancy, publicação póstuma, 1660), As Aventuras do Barão de Faeneste (Les Aventures du baron de Faeneste, publicado entre 1617 e1630), Pequenas obras mistas do Senhor de Aubigné (Petites Oeuvres Mêlées du sieur d’Aubigné Meditações sobre os Salmos, poesia religiosa, epigramas, 1630), Sua Vida aos Filhos (Sa Vie à ses enfants, obras da velhice, póstumo, 1729); Agrippa D’Aubigné é tido como um dos maiores autores barrocos da França, sua obra “foi redescoberta no século XIX, período do Romantismo, notadamente por Victor Hugo e Sainte-Beuve.”