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[traduzido por Renata Cordeiro]
Vamos fazer, Diana, o jardim cultivado:
Vós sereis guardiã e dama, eu, lavrador.
Fornecereis o campo, e darei o labor,
Para sermos por ele os dois dignificados.
Nossos olhos serão por flores deleitados,
De um verde-flóreo, sendo o canteiro senhor
Das sementes, e só meus olhos, regador,
E seus zéfiros, meus suspiros inflamados;
Nele, podereis ver lindezas mil, floridas:
Lis, cravos, rosas, sem espinhos, margaridas,
A ancólia e o amor-perfeito, e mais tarde escolher
Depois da flor da espera, as frutas adoçadas
Pelo tempo, e deixar a renda partilhada:
A mim todo o labor, a vós todo o prazer.
Nous ferons, ma Diane, un jardin fructueux
Nous ferons, ma Diane, un jardin
fructueux:
J'en serai laboureur, vous dame et
gardienne.
Vous donnerez le champ, je
fournirai de peine,
Afin que son honneur soit commun à
nous deux.
Les fleurs dont ce parterre éjouira
nos yeux
Seront vert-florissant, leurs
sujets sont la graine,
Mes yeux l'arroseront et seront sa fontaine,
Il aura pour zéphyrs mes soupirs
amoureux;
Vous y verrez mêlés mille beautés
écloses,
Soucis, oeillets et lys, sans
épines les roses,
Ancolie et pensée, et pourrez y
choisir
Fruits sucrés de durée, après des
fleurs d'attente,
Et puis nous partirons à votre choix
la rente:
A moi toute la peine, et à vous le
plaisir.
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Pequena Antologia
de Poemas Franceses: De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção,
Introdução, Tradução e Notas de Renata Maria Parreira Cordeiro, 2002, Landy Livraria
Editora e Distribuidora Ltda., São Paulo — SP; Theodore Agrippa D’Aubigné
(1552 — 1630), francês de Saint-Maury de Saintonge, comuna de Pons, teve educação
“esmerada”, desde criança já lia o francês e também o latim, o grego e o
hebraico, foi poeta satírico, soldado e cronista; após a morte do pai em 1563,
estudou em Paris e em Genebra; consta de sua biografia ter mostrado seu valor
tanto na guerra quanto nos conselhos da política; com a coroação de Henrique de
Navarra como rei da França, Agrippa D’Aubigné foi nomeado governador em
Maillezais — Vendéia e, “não podendo mais empunhar as armas, empunhou a pena e
escreveu suas duas obras capitais”: História Universal e Os Trágicos, duas
criações que “foram condenadas a ser queimadas”, o que fez com que o poeta não
mais se sentisse seguro na França [Paris] e voltasse para Genebra; após seu
segundo casamento, em 1623, “levou uma vida reservada, ocupando-se em revisar e
completar as suas obras e publicar novos poemas.”; escreveu e publicou Os Trágicos
(Les Tragiques, poema épico satírico composto por sete livros, 1616), A
Primavera do Senhor d’Aubigné ou Hecatombe a Diana, 1568 — 1575 (Printemps, L'Hécatombe
à Diane, uma centena de sonetos, mais estrofes e odes, publicação póstuma,
1874), História Universal de 1550 a 1601 (Histoire Universsele, 1616 — 1618),
Confissão do Muito Católico Senhor de Sancy (Confession du Sieur de Sancy,
publicação póstuma, 1660), As Aventuras do Barão de Faeneste (Les Aventures du
baron de Faeneste, publicado entre 1617 e1630), Pequenas obras mistas do Senhor
de Aubigné (Petites Oeuvres Mêlées du sieur d’Aubigné — Meditações sobre os
Salmos, poesia religiosa, epigramas, 1630), Sua Vida aos Filhos (Sa Vie à ses
enfants, obras da velhice, póstumo, 1729); Agrippa D’Aubigné é tido como um dos
maiores autores barrocos da França, sua obra “foi redescoberta no século XIX,
período do Romantismo, notadamente por Victor Hugo e Sainte-Beuve.”