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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

António Barbosa Bacelar: A uma ausência

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Sinto-me sem sentir todo abrasado
No rigoroso fogo, que me alenta,
O mal, que me consome, me sustenta,
O bem, que me entretém, me dá cuidado:
Ando sem me mover, falo calado,
O que mais perto vejo, se me ausenta,
E o que estou sem ver, mais me atormenta,
Alegro-me de ver-me atormentado:
Choro no mesmo ponto, em que me rio,
No mor risco me anima a confiança,
Do que menos se espera estou mais certo;
Mas se de confiado desconfio,
É porque entre os receios da mudança
Ando perdido em mim, como em deserto.
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Grandes Sonetos da Nossa Língua — Seleção, Organização e breve Prefácio, de José Lino Grünewald, 1987, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; António Barbosa Bacelar (1610  1663), português nascido em Lisboa, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, dedicou-se ao magistério e à magistratura, foi poeta e escreveu também obras em prosa; o que chegou até nós, de seus poemas, encontra-se registrado na Fênix Renascida ou Obras Poéticas dos Melhores Engenhos Portugueses, um cancioneiro seiscentista português, editado sob a direção de Matias Pereira da Silva, em cinco volumes, de 1716 a 1728; na área de historiografia, registre-se Relação Diária do Sítio e Tomada da Forte Praça do Recife (publicada em 1654), Relação da Vitória que Alcançaram as Armas do Muito Alto e Poderoso Rei D. Afonso VI, em 14 de Janeiro de 1609, Uma e Outra Fortuna do Marquês de Montalvor, D. João de Mascarenhas e A Vida de D. Francisco de Almeida.