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Ao gozo, ao gozo, amiga. O chão que pisas
A cada instante te oferece a cova.
Pisemos devagar. Olhe que a terra
Não sinta o
nosso peso.
Deitemo-nos aqui. Abre-me os braços.
Escondamo-nos um no seio do outro.
Não há de assim nos avistar a morte,
Ou
morreremos juntos.
Não fales muito. Uma palavra basta
Murmurada, em segredo, ao pé do ouvido.
Nada, nada de voz, — nem um suspiro,
Nem um
arfar mais forte.
Fala-me só com o revolver dos olhos.
Tenho-me afeito à inteligência deles.
Deixa-me os lábios teus, rubros de encanto,
Somente pra
os meus beijos.
Ao gozo, ao gozo, amiga. O chão que pisas
A cada instante te oferece a cova.
Pisemos devagar. Olha que a terra
Não sinta o
nosso peso.
(Grandes Poetas Românticos do Brasil, organização,
revisão
e notas de Federico José da Silva Ramos
— Edições Lep, São Paulo, 1952, pág. 477.)
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Panorama
da Poesia Brasileira, Volume II — O Romantismo
[antologia: vários poetas e poemas], Seleção, Introdução, Traços biobibliográficos
e Notas de Edgard Cavalheiro, 1959, Editora Civilização Brasileira, São Paulo — SP; Luis José Junqueira Freire (1832 — 1855), baiano
e soteropolitano, aos sete anos iniciou de forma irregular seus estudos
primários e os de Latim, eis que era acometido de moléstia cardíaca; em 1849,
matriculou-se no Liceu Provincial, de Salvador, tendo sido “excelente aluno,
grande ledor e já poeta”; em 1851, por razões familiares, ingressou na Ordem
Beneditina, mas a abandonou por não se considerar vocacionado para a vida
monástica, “embora permanecesse sacerdote, por força dos votos perpétuos”; teve
um único livro publicado em vida: Inspirações do Claustro (1855) e, postumamente,
seguiu-se Contradições Poéticas (1868); faleceu em 24 de junho de 1855, com
apenas 23 anos de idade.