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[traduzido por Guilherme de
Almeida]
Morno espírito, antigamente afeito
à luta,
a Esperança que te esporeava outrora o ardor
Não te cavalga mais! Deita-te sem pudor,
a Esperança que te esporeava outrora o ardor
Não te cavalga mais! Deita-te sem pudor,
Cavalo que tropeça em tudo e em
vão reluta.
Dorme, ó meu coração; desiste, ó
massa bruta!
Espírito vencido, em ti, velho
impostor,
Já não tem gosto o amor, nem o tem a disputa;
Não mais a voz do cobre ou da flauta se escuta!
Deixa esta alma sombria, ó Prazer tentador!
Já não tem gosto o amor, nem o tem a disputa;
Não mais a voz do cobre ou da flauta se escuta!
Deixa esta alma sombria, ó Prazer tentador!
Perdeu a Primavera o cheiro de
flor.
E o Tempo me devora em marcha
resoluta,
Como a ampla neve um corpo rijo de torpor;
Contemplo do alto o globo túmido e incolor,
E nele nem procuro o abrigo de uma gruta!
Como a ampla neve um corpo rijo de torpor;
Contemplo do alto o globo túmido e incolor,
E nele nem procuro o abrigo de uma gruta!
Vais levar-me, avalancha, em tua
queda abrupta?
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| Baudelaire |
Le Goût du Néant
Morne esprit, autrefois
amoureux de la lutte,
L'Espoir, dont l'éperon attisait ton ardeur,
Ne veut plus t'enfourcher! Couche-toi sans pudeur,
Vieux cheval dont le pied à chaque obstacle butte.
L'Espoir, dont l'éperon attisait ton ardeur,
Ne veut plus t'enfourcher! Couche-toi sans pudeur,
Vieux cheval dont le pied à chaque obstacle butte.
Résigne-toi, mon coeur;
dors ton sommeil de brute!
Esprit vaincu, fourbu!
Pour toi, vieux maraudeur,
L'amour n'a plus de goût, non plus que la dispute;
Adieu donc, chants du cuivre et soupirs de la flûte!
Plaisirs, ne tentez plus un coeur sombre et boudeur!
L'amour n'a plus de goût, non plus que la dispute;
Adieu donc, chants du cuivre et soupirs de la flûte!
Plaisirs, ne tentez plus un coeur sombre et boudeur!
Le Printemps adorable a
perdu son odeur!
Et le Temps m'engloutit
minute par minute,
Comme la neige immense un corps pris de roideur;
Je contemple d'en haut le globe en sa rondeur
Et je n'y cherche plus l'abri d'une cahute!
Comme la neige immense un corps pris de roideur;
Je contemple d'en haut le globe en sa rondeur
Et je n'y cherche plus l'abri d'une cahute!
Avalanche, veux-tu
m'emporter dans ta chute?
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Algumas Flores de Flores do Mal —
Charles Baudelaire, Seleção dos Textos de Maura Sardinha e Tradução de
Guilherme de Almeida, 1997, Ediouro Publicações S/A, Rio de Janeiro — RJ; Charles-Pierre Baudelaire (1821 — 1867), nascido em Paris — França, foi poeta, crítico de
arte, tradutor e literato; escreveu e publicou As Flores do Mal (poemas,
1857), Os Paraísos Artificiais (ensaios, 1860) e outros; considerado
um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente como um dos
fundadores da tradição moderna em poesia, sua obra teórica também
influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.

