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[traduzido
por A. Herculano de Carvalho]
Da chuva
da manhã, por fim, emerso,
Na pureza
do azul o céu resplende,
E deste
sol de maio ao universo,
O sorriso
de Deus, lento, descende;
Quando álacre,
ao espírito submerso,
Asas de
luz, meu pensamento estende
E ao sol
dos olhos teus voa meu verso
Como a
trinar dum pássaro que ascende.
Mas sinto
ardor no peito essa luz turva
Das
pupilas, nas quais vagueia e fala
Um desejo
de ignoto e estranho fito,
Quando a
lua contemplo, erma de chuva,
A cidade
marmórea que se cala,
Contar
melancolias do infinito.
XXII.
Mattutino e notturno
Al mattin da la pioggia ecco deterso
In purità d’azzurro il ciel risplende,
E dal sole di maggio a l’universo
Il sorriso di Dio benigno scende;
Quando alacre da l’animo sommerso
L’ali innovate il mio pensiero stende,
E al sol de gli occhi tuoi rivola il verso
Come trillo di lodola che ascende.
Ma sento ardermi in cor la luce bruna
De le pupille in cui erra dolente
Il desio d’un ignoto estraneo lito,
Quando ammiro da i poggi ermi la luna
A la città marmorea tacente
Dir le malinconie de l’infinito.
[Verona, 17 luglio 1883]
(Rime
nuove/Libro II — 1887),
[Rime
nuove, libro II — 1906].
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Poesias Escolhidas:
Giosuè Carducci, Tradução e Notas de Jamil Almansur Haddad, Estudo Introdutivo e
Vida e Obra de Giosuè Carducci, por Paul Renucci, Ilustrações de Michel Cauvet e
Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Giosuè Carducci, por Gunnar Ahlström
— Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1971, Editora Opera Mundi, Rio de
Janeiro — RJ; Giosuè Alessandro Giuseppe Carducci ou Joshua Carducci (1835 — 1907),
italiano de Val di Castello, comuna de Pietrasanta, hoje Pietrasanta-Carducci, estudou
na Scuola Normale de Pisa, formou-se em Filosofia e Filologia, além de ter sido
professor por quase meio século, foi poeta e crítico; até os quatorze anos, Carducci
não teve outro mestre além de seus pais — o pai, médico “sem fortuna”, era “sustentado
por uma clientela camponesa miserável” e também não era favorecido na busca de uma
“clínica mais afortunada” por manter suas opiniões políticas não ao gosto das comunidades
por onde passava, assim vivia mudando de localidade e de sede de clínica; foi em
Florença que o poeta, já aos quatorze anos, passou a frequentar o colégio Scuole
Pio, fez dois anos de retórica, escreveu seus primeiros sonetos, depois frequentou
um curso de ciências e continuou com seus estudos“, o gosto já adquirido pela leitura
cresceu, leu Os Noivos, de Manzoni, os épicos Ilíada, de Homero, Eneida, de Virgílio,
e Jerusalém Libertada, de Torquato Tasso, os “poemas cavaleirescos” Orlando Amoroso,
de Boiardo, e Orlando Furioso, de Ariosto; deu aulas em estabelecimentos secundários
de San Miniato al Tedesco e Pistóia e, desde os vinte e cinco anos, lecionou Literatura
Italiana na Faculdade de Letras da Universidade de Bolonha; também escreveu poemas
por quase meio século — o primeiro que se tem conservado, A Dio, um soneto a Deus,
foi escrito em maio de 1848, e o último, uma quadra, O Castelo de São Martinho,
traz a data de 10 de novembro de 1902; suas obras: em poesia: Rime (1857), Inno
a Satana (1863), Levia Gravia [1857—1870] (1868), Poesie (edição, num só volume,
de Deccenalli [1860—1870], Levia Gravia [1857—1870] e Juvenilia [1850—1857], 1871),
Primavere elleniche (1872), Nuove poesie (1873, e 2ª
edição melhorada e aumentada, 1875), Odi Barbare
(primeira série, 1877), Juvenilia [1850—1857] (edição definitiva, 1880), Nuove Odi
Barbare (1882, 2ª edição melhorada e aumentada, 1886), Ça Ira (1883), Rime Nuove
(1887), Terze Odi Barbare (1889), Rime e Ritme (1899), em prosa: Ricordi Autobiografici,
Saggi e Frammenti [1850—1907], Prose Giovanili [1851—1859], Primi Sagi [1857—1865],
Poeti e Figure del Risorgimento [1858—1901], Petrarca e Boccacio [1861—1882], Scritti
di Storia e di Erudizione [1862—1895], Dante [1864—1904], Discorsi Letterari e Storicci
[1868—1897], Leopardi e Manzoni [1873—1898], todas publicadas entre 1940 e 1942,
além de outras publicações e reedições em verso e prosa; Giosuè Carducci foi laureado
com o Prêmio Nobel de Literatura em 1906.