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sábado, 23 de maio de 2020

Friedrich Schiller: Colombo

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[traduzido por Raimundo Correia]

Não te venha esmagar a mofa e a injúria imunda 
Nem aos teus, nem a ti  a fadiga e o torpor;
E a região que entreviste em teus sonhos, fecunda,

Que o clarão de outro sol no outro hemisfério inunda,
E que buscas, verás em seu todo esplendor!

Se é acaso esse mundo ilusão, rutilante
Das águas romperá como do caos a luz:
Porque em vínculo forte, insolúvel, constante,
Une-se a natureza ao gênio palpitante 
E o que este só semeia é que aquela produz.

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Friedrich Schiller

Kolumbus

Steure, mutiger Segler! Es mag der Witz dich verhöhnen,
Und der Schiffer am Steur senken die lässige Hand 
Immer, immer nach West! Dort muss die Küste sich zeigen,
Liegt sie doch deutlich und liegt schimmernd vor deinem Verstand.
Traue dem leitenden Gott und folge dem schweigenden Weltmeer,
Wär sie noch nicht, sie stieg jetzt aus den Fluten empor.
Mit dem Genius steht die Natur in ewigem Bunde:
Was der eine verspricht, leistet die andre gewiss.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologia de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 1805), alemão de Marbach am Neckar, inicia o curso de Direito, abandona, e forma-se em Medicina; foi poeta, filósofo, médico, professor, dramaturgo e historiador; considerado grande homem das letras, foi um dos principais representantes do Romantismo e do Classicismo alemão; sua obra: em dramaturgia: Os Bandoleiros (1781), Wallestein (1799), Maria Stuart (1800), A Noiva de Messina (1803), Guilherm Tell (18031804) etc., em poesia: Os Artistas (1788), Ode à Alegria (1785), A Luva (1797), O Canto do Sino (1799) e outros, em prosa: Cartas Filosóficas (1786), Da Arte Trágica (1792), Do Patético (1793), Poesia Ingênua e Sentimental (1796), História da Separação dos Países Baixos (1788), História da Guerra dos Trinta Anos (inacabada, 17911793) e outros títulos.

domingo, 10 de maio de 2020

Friedrich Schiller: A forasteira

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[versão de Roswitha Kempf]

Em cada nova primavera,
Com o canto do rouxinol
Vinha ao vale dos pastores
E jovem bela como o sol.

Não nascera neste vale,
Ninguém sabia de onde veio.
Seu rastro logo se perdia
Nas colinas rumo ao céu.

Ditosa era sua presença,
E os corações se lhe abriam.
Mas dignidade emanava
E altivez, que distanciam.

Trazia flores e belos frutos
Crescidos em ignoto país,
Em outro sol amadurados,
E natureza mais feliz.

A todos ela presenteava
De flor ou fruto, um por vez,
Ao lar volviam agraciados,
Anciões e jovens satisfez.

Com graça acolhia a todos,
Mas reservava o melhor:
Das flores dava a mais bela
Aos unidos no amor.

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Friedrich Schiller

Das Mädchen aus der Fremde

In einem Tal bei armen Hirten
Erschien mit jedem jungen Jahr,
Sobald die ersten Lerchen schwirrten,
Ein Mädchen, schön und wunderbar.

Sie war nicht in dem Tal geboren,
Man wußte nicht, woher sie kam,
Und schnell war ihre Spur verloren,
Sobald das Mädchen Abschied nahm.

Beseligend war ihre Nähe,
Und alle Herzen wurden weit,
Doch eine Würde, eine Höhe
Entfernte die Vertraulichkeit.

Sie brachte Blumen mit und Früchte,
Gereift auf einer andern Flur,
In einem andern Sonnenlichte,
In einer glücklichern Natur.

Und teilte jedem eine Gabe,
Dem Früchte, jenem Blumen aus,
Der Jüngling und der Greis am Stabe,
Ein jeder ging beschenkt nach Haus.

Willkommen waren alle Gäste,
Doch nahte sich ein liebend Paar,
Dem reichte sie der Gaben beste,
Der Blumen allerschönste dar.
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A Poesia Alemã — Breve Antologia (diversos autores), Versão de Roswitha Kempf, 1981, Massao Ohno Editor, São Paulo — SP; Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 1805), alemão de Marbach am Neckar, inicia o curso de Direito, abandona, e forma-se em Medicina; foi poeta, filósofo, médico, professor, dramaturgo e historiador; considerado grande homem das letras, foi um dos principais representantes do Romantismo e do Classicismo alemão; sua obra: em dramaturgia: Os Bandoleiros (1781), Wallestein (1799), Maria Stuart (1800), A Noiva de Messina (1803), Guilherm Tell (18031804) etc., em poesia: Os Artistas (1788), Ode à Alegria (1785), A Luva (1797), O Canto do Sino (1799) e outros, em prosa: Cartas Filosóficas (1786), Da Arte Trágica (1792), Do Patético (1793), Poesia Ingênua e Sentimental (1796), História da Separação dos Países Baixos (1788), História da Guerra dos Trinta Anos (inacabada, 17911793) e outros títulos.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Friedrich Schiller: Os Cantores do Mundo Antigo

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[traduzido por Rudolf Bölting]

Dize-me, aonde foram os seres excelsos, onde encontrarei os cantores
Que com sua palavra encantaram os povos,
Aqueles que trouxeram Deus do céu e ao céu levaram,
Nas asas do canto, nosso espírito.
Sim, eles ainda vivem, mas faltam-lhes ações, a lira falta
Que desperte um ouvido interessado, de que há falta também.
Poetas felizes do mundo feliz! De boca em boca
Foi, de geração em geração, a vossa palavra sentida.
As vossas ideias tão aplaudidas, com tanto ardor,
Como fosse o Deus em pessoa que ia ser recebido.
Na chama do canto aqueceu o ouvinte os sentimentos
E nestes sentimentos hauriu ardor o cantor,
Purificando-o cada vez mais. Feliz aquele que na voz do povo
Ouviu ecoar a alma do seu canto,
Aquele a quem, ainda na vida, apareceu a divindade
Que o homem moderno nem no coração percebe.

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Friedrich Schiller

Die Sänger der Vorwelt

Sagt, wo sind die Vortrefflichen hin, wo find ich die Sänger,
Die mit dem lebenden Wort horchende Völker entzückt,
Die vom Himmel den Gott, zum Himmel den Menschen gesungen
Und getragen den Geist hoch auf den Flügeln des Lieds?
Ach, noch leben die Sänger, nur fehlen die Taten, die Lyra
Freudig zu wecken, es fehlt, ach! ein empfangendes Ohr.
Glückliche Dichter der glücklichen Welt! Von Munde zu Munde
Flog, von Geschlecht zu Geschlecht euer empfundenes Wort.
Wie man die Götter empfängt, so begrüsste jeder mit Andacht,
Was der Genius ihm, redend und bildend, erschuf.
An der Glut des Gesangs entflammten des Hörers Gefühle,
An des Hörers Gefühle nährte der Sänger die Glut,
Nährt und reinigte sie! Der Glückliche, dem in des Volkes
Stimme noch hell zurück tönte die Seele des Lieds,
Dem noch von aussen erschien, im Leben, die himmlische Gottheit,
Die der Neuere kaum, kaum noch im Herzen vernimmt.
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologias de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 1805), alemão de Marbach am Neckar, inicia o curso de Direito, abandona, e forma-se em Medicina; foi poeta, filósofo, médico, professor, dramaturgo e historiador; considerado grande homem das letras, foi um dos principais representantes do Romantismo e do Classicismo alemão; sua obra: em dramaturgia: Os Bandoleiros (1781), Wallestein (1799), Maria Stuart (1800), A Noiva de Messina (1803), Guilherm Tell (18031804) etc., em poesia: Os Artistas (1788), Ode à Alegria (1785), A Luva (1797), O Canto do Sino (1799) e outros, em prosa: Cartas Filosóficas (1786), Da Arte Trágica (1792), Do Patético (1793), Poesia Ingênua e Sentimental (1796), História da Separação dos Países Baixos (1788), História da Guerra dos Trinta Anos (inacabada, 17911793) e outros títulos.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Friedrich Schiller: saudade

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[versão de Roswitha Kempf]

Do profundo deste vale
Que a fria névoa oprime,
Pudesse eu achar saída,
Quão feliz me sentiria.
Lá veria lindos morros
Sempre verdes, juvenis,
Tivesse asas, voaria
Às colinas tão gentis.

Harmonias doces ouço,
Sons de paz celestial
E as leves brisas trazem
Um balsâmico olor.
Pomos d’ouro fulgenteiam
Entre o verde da folhagem
E as flores que lá floram
O inverno não vitima.

Que prazer eu sentiria
Nesta eterna luz do sol,
E o ar daqueles morros
Refrigério me traria.
Mas o rio furioso
Veda-me a travessia,
Suas águas estão revoltas
E minha alma se angustia.

Vejo um barco sobre as ondas,
Mas falta, ai, quem o navegue.
Corajosos embarquemos,
Seu velame já se anima.
Deves crer e arriscar-te
Pois os deuses não ajudam,
Só um milagre pode dar-te
A bela terra dos milagres.

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Friedrich Schiller

Sehnsucht

Ach, aus dieses Tales Gründen,
Die der kalte Nebel drückt,
Könnt ich doch den Ausgang finden,
Ach wie fühlt ich mich b
eglückt!
Dort erblick ich schöne Hügel,
Ewig jung und ewig grün!
Hätt ich Schwingen, hätt ich Flügel,
Nach den Hügeln zög ich hin.

Harmonien hör ich klingen,
Töne süßer Himmelsruh,
Und die leichten Winde bringen
Mir der Düfte Balsam zu,
Goldne Früchte seh ich glühen,
Winkend zwischen dunkelm Laub,
Und die Blumen, die dort blühen,
Werden keines Winters Raub.

Ach wie schön muß sichs ergehen
Dort im ewgen Sonnenschein,
Und die Luft auf jenen Höhen,
O wie labend muß sie sein!
Doch mir wehrt des Stromes Toben,
Der ergrimmt dazwischen braust,
Seine Wellen sind gehoben,
Daß die Seele mir ergraust.

Einen Nachen seh ich schwanken,
Aber ach! der Fährmann fehlt.
Frisch hinein und ohne Wanken,
Seine Segel sind beseelt.
Du mußt glauben, du mußt wagen,
Denn die Götter leihn kein Pfand,
Nur ein Wunder kann dich tragen
In das schöne Wunderland.
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A Poesia Alemã — Breve Antologia (diversos autores), Versão de Roswitha Kempf, 1981, Massao Ohno Editor, São Paulo — SP; Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 1805), alemão de Marbach am Neckar, inicia o curso de Direito, abandona, e forma-se em Medicina; foi poeta, filósofo, médico, professor, dramaturgo e historiador; considerado grande homem das letras, foi um dos principais representantes do Romantismo e do Classicismo alemão; sua obra: em dramaturgia: Os Bandoleiros (1781), Wallestein (1799), Maria Stuart (1800), A Noiva de Messina (1803), Guilherm Tell (18031804) etc., em poesia: Os Artistas (1788), Ode à Alegria (1785), A Luva (1797), O Canto do Sino (1799) e outros, em prosa: Cartas Filosóficas (1786), Da Arte Trágica (1792), Do Patético (1793), Poesia Ingênua e Sentimental (1796), História da Separação dos Países Baixos (1788), História da Guerra dos Trinta Anos (inacabada, 17911793) e outros títulos.

sábado, 26 de outubro de 2019

Friedrich Schiller: O Peregrino

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[traduzido por Barão de Paranapiacaba]

Na primavera da vida
Deixei a paterna herdade,
Abandonando os prazeres
Da risonha mocidade.

À herança renunciando,
E a tudo que possuía,
Encetei minha viagem
Crente e cheio de alegria;

E, de infantis sentimentos
Transbordando o coração,
Segui levando na dextra
Do peregrino o bordão.

A voz da crença indistinta
E da esperança fervente
Dizia-me: é livre a estrada,
Vai sempre para o nascente

Té que topes e transponhas
Fulgurante porta de ouro
Onde tudo que se avista
É celeste e imorredouro!

Veio a noite, e novo dia,
E eu sempre a andar, na esperança;
Ver o que busco e desejo
Minha alma ainda não alcança.

Embargaram-me a passagem
Barreiras de águas e montes;
Vales, abismos, torrentes
Vinguei por meio de pontes.

Cheguei a um rio que a leste
Corria em manso coleio,
E em suas águas tranquilas
Atirei-me sem receio;

Pela corrente impelido
Eu fui até um vasto mar,
Sem que neste ainda pudesse,
O que buscava encontrar.

O meu alvo está distante,
Na imensidade sem fim:
Vou-lhe após, mas não me é dado
Vê-lo mais perto de mim.

Ai de mim! Ninguém me aponta
Caminho que me conduza
Ao que me está de contínuo
A fugir da vista ilusa!

Acima de nós, bem alto,
Ai! o céu meus olhos vêem...
Mas não toca o céu na terra,
E não há na terra o Além.

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Friedrich Schiller

Der Pilgrim

Noch in meines Lebens Lenze
War ich, und ich wandert aus,
Und der Jugend frohe Tänze
Liess ich in des Vaters Haus.

All mein Erbtheil, meine Habe
Warf ich fröhlich glaubend hin,
Und am leichten Pilgerstabe
Zog ich fort mit Kindersinn.

Denn mich trieb ein mächtig Hoffen
Und ein dunkles Glaubenswort:
Wandle, riefs, der Weg ist offen,
Immer nach dem Aufgang fort,

Bis zu einer goldnen Pforten
Du gelangst, da gehst du ein,
Denn das Irdische wird dorten
Himmlisch, unvergänglich sein.

Abend wards und wurde Morgen,
Nimmer, nimmer stand ich still,
Aber immer bliebs verborgen,
Was ich suche, was ich will.

Berge lagen mir im Wege,
Ströme hemmten meinen Fuss.
Über Schlünde baut ich Stege,
Brücken durch den wilden Fluss.

Und zu eines Stroms Gestaden
Kam ich, der nach Morgen floss,
Froh vertrauend seinem Faden,
Werf ich mich in seinen Schooss.

Hin zu einem grossen Meere
Trieb mich seiner Wellen Spiel,
Vor mir liegts in weiter Leere,
Näher bin ich nicht dem Ziel.

Ach kein Steg will dahin führen,
Ach der Himmel über mir
Will die Erde nie berühren,
Und das Dort ist niemals hier!
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologias de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 1805), alemão de Marbach am Neckar, inicia o curso de Direito, abandona, e forma-se em Medicina; foi poeta, filósofo, médico, professor, dramaturgo e historiador; considerado grande homem das letras, foi um dos principais representantes do Romantismo e do Classicismo alemão; sua obra: em dramaturgia: Os Bandoleiros (1781), Wallestein (1799), Maria Stuart (1800), A Noiva de Messina (1803), Guilherm Tell (18031804) etc., em poesia: Os Artistas (1788), Ode à Alegria (1785), A Luva (1797), O Canto do Sino (1799) e outros, em prosa: Cartas Filosóficas (1786), Da Arte Trágica (1792), Do Patético (1793), Poesia Ingênua e Sentimental (1796), História da Separação dos Países Baixos (1788), História da Guerra dos Trinta Anos (inacabada, 17911793) e outros títulos.

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Friedrich Schiller: A Partilha da Terra

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[traduzido por Bernardo Taveira Júnior]

Tomai o mundo! Assim do alto aos homens
Brada o Eterno. Coloco-o em vossas mãos.
Instituo-vos, p’ra sempre herdeiro dele.
Reparti-o entre vós como entre irmãos.

Eis todos dão-se pressa em ajustar-se,
Ativo corre o moço, corre o ancião.
O lavrador dos frutos se apodera;
Das matas faz o nobre o seu quinhão.

Dos cereais o mercador enche os celeiros;
Escolhe o frade o vinho para si;
O rei tranca as estradas, fecha as pontes,
O dízimo  dizendo  é para mi.

Largo tempo depois desta partilha,
De longe chega o poeta... Oh mágoa! Oh dor!
Disponível já nada mais se via,
Já tinha cada coisa seu senhor.

Pois eu, o mais fiel dentre os teus filhos,
Esquecido, eu somente, hei de ficar?
E o poeta com seus ais atroa o espaço
E do Eterno aos pés se vai prostrar!

Se embevecem-te os sonhos, ai! não venhas
Altercar  diz-lhe o Deus  comigo aqui!...
Quando fez-se a partilha, onde é que estavas?
Estava  diz o poeta  ao pé de ti.

Extasiado, o teu rosto eu contemplava
E ouvia as harmonias do teu céu,
Perdoa a esta alma se à tua luz, absorta,
De quanto era da terra se esqueceu.

E agora o que fazer?  tornou-lhe o Eterno 
Já campo e feira e caça, nada é meu...
Poeta, se queres tu viver comigo,
Aberto te estará sempre o meu céu.

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Friedrich Schiller

Die Teilung der Erde

“Nehmt hin die Welt!” rief Zeus von seinen Höhen
Den Menschen zu, “Nehmt, sie soll euer seyn!
Euch schenk ich sie zum Erb und ew’gen Lehen 
Doch theilt euch brüderlich darein!”

Da eilt’ was Hände hat, sich einzurichten,
Es regte sich geschäftig jung und alt.
Der Ackermann griff nach des Feldes Früchten,
Der Junker birschte durch den Wald.

Der Kaufmann nimmt, was seine Speicher fassen,
Der Abt wählt sich den edeln Firnewein,
Der König sperrt die Brücken und die Strassen,
Und sprach: “Der Zehente ist mein.”

Ganz spät, nachdem die Teilung längst geschehen,
Naht der Poet, er kam aus weiter Fern 
Ach! da war überall nichts mehr zu sehen,
Und alles hatte seinen Herrn!

“Weh mir! so soll denn ich allein von allen
Vergessen sein, ich, dein getreuster Sohn?”
So liess er laut der Klage Ruf erschallen
Und warf sich hin vor Jovis Thron.

“Wenn du im Land der Träume dich verweilet”,
Versetzt’ der Gott, “so hadre nicht mit mir.
Wo warst du denn, als man die Welt geteilet?”
“Ich war”, sprach der Poet, “bey dir.

Mein Auge hing an deinem Angesichte,
An deines Himmels Harmonie mein Ohr 
Verzeih dem Geiste, der, von deinem Lichte
Berauscht, das Irdische verlor!”

“Was tun?” spricht Zeus; “die Welt ist weggegeben,
Der Herbst, die Jagd, der Markt ist nicht mehr mein.
Willst du in meinem Himmel mit mir leben 
So oft du kommst, er soll dir offen sein.”
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O Livro de Ouro da Poesia Alemã — Antologias de Poetas da Língua Alemã, (diversos autores e tradutores), Apresentação e Seleção de Geir Campos, edição bilíngue, Clássicos de Bolso, 1985, Ediouro, Rio de Janeiro — RJ; Johann Christoph Friedrich von Schiller (1759 —  1805), alemão de Marbach am Neckar, inicia o curso de Direito, abandona, e forma-se em Medicina; foi poeta, filósofo, médico, professor, dramaturgo e historiador; considerado grande homem das letras, foi um dos principais representantes do Romantismo e do Classicismo alemão; sua obra: em dramaturgia: Os Bandoleiros (1781), Wallestein (1799), Maria Stuart (1800), A Noiva de Messina (1803), Guilherm Tell (18031804) etc., em poesia: Os Artistas (1788), Ode à Alegria (1785), A Luva (1797) O Canto do Sino (1799) e outros, em prosa: Cartas Filosóficas (1786), Da Arte Trágica (1792), Do Patético (1793), Poesia Ingênua e Sentimental (1796), História da Separação dos Países Baixos (1788), História da Guerra dos Trinta Anos (inacabada, 17911793) e outros títulos.