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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Paul Verlaine: Pesadelo

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[traduzido por Dante Milano]

No meu sonho, vi passar,
com a rapidez de um olhar,
como um relâmpago no ar
ou pedra em despenhadeiro
ou cavaleiro.

das baladas alemãs,
em fugas loucas e vãs,
agarrado às hirtas lãs
desse que vai num arranco,
cavalo branco.

Como a encarnação do mal,
o cavaleiro fatal,
ventando no vendaval,
avança, riscando a espora,
mundos em fora.

Sua pupila reluz
e apaga-se com a luz
azul, de reflexos crus,
que lança e relança a espada
desembainhada.

No feltro uma pluma traz,
como uma flama fugaz,
atirada para trás.
E na vertigem revolta.
a capa solta,

voa, de cá para lá,
enquanto na noite má,
rebrilham, num hah! hah! hah!
de risadas estridentes,
trinta e dois dentes.

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Paul Verlaine

Cauchemar

J'ai vu passer dans mon rêve
— Tel l'ouragan sur la grève, 
D'une main tenant un glaive
Et de l'autre un sablier,
           Ce cavalier

Des ballades d'Allemagne
Qu'à travers ville et campagne,
Et du fleuve à la montagne,
Et des forêts au vallon,
           Un étalon

Rouge-flamme et noir d'ébène,
Sans bride, ni mors, ni rêne,
Ni hop! ni cravache, entraîne
Parmi des râlements sourds
           Toujours! Toujours!

Un grand feutre à longue plume
Ombrait son oeil qui s'allume
Et s'éteint. Tel, dans la brume,
Eclate et meurt l'éclair bleu
           D'une arme à feu.

Comme l'aile d'une orfraie
Qu'un subit orage effraie,
Par l'air que la neige raie,
Son manteau se soulevant
           Claquait au vent,

Et montrait d'un air de gloire
Un torse d'ombre et d'ivoire,
Tanids que dans la nuit noire
Luisaient en des cris stridents
           Trente-deux dents.

Poèmes Saturniens — 1866
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Antologia de Poemas para a Juventude (vários autores) — Organização e Apresentação de Henriqueta Lisboa, 2003, 2ª edição, Ediouro Publicações S/A, Rio de Janeiro — RJ; Paul Marie Verlaine (1844  1896), francês nascido em Metz, educou-se no Liceu Bonaparte (atual Liceu Condorcet), em Paris, trabalhou como funcionário público e desde cedo começou a escrever poesias, influenciado inicialmente pelo parnasianismo; considerado um dos expoentes da poesia e literatura francesa, usou a expressão poètes maudits (poetas malditos) para se referir aos poetas de sua época e de seu convívio  Baudelaire, Mallarmé, Rimbaud, Paul Valery, ... , grupo ao qual ele se incluía, e que privilegiavam a luta contra as convenções poéticas vigentes e sofriam reprimendas sociais por isso, tendo sido muitos deles ignorados pelos críticos; só posteriormente, em 1886, com a publicação do Manifesto Simbolista, por Jean Moréas, o termo "simbolismo" passou a nominar aquele novo ambiente literário; Paul Verlaine escreveu e publicou em poesia, Poèmes Saturniens (1866), Les Amies (1867), Fêtes Galantes (1869), La Bonne Chanson (1870), Romances Sans Paroles (1874), Sagesse (1880), Jadis et naguère (1884), Amour (1888) e outros títulos, e, em prosa, Les Poètes maudits (1884), Louise Leclercq (1886), Les Memoires d'un veuf (1886), Mes hôpitaux  (1891), Mes prisons  (1893), Quinze jours en Hollande (1893) etc.; o poeta, que foi casado com Mathilde Mauté, participou da Comuna de Paris sem ser atuante nas ruas, teve relacionamento sentimental amoroso conturbado com Rimbaud e o feriu com dois tiros, foi preso e encarcerado e, nos anos finais de sua vida, Paris o viu dependente de drogas e de alcoolismo, vivendo em bairros pobres e se socorrendo em hospitais públicos.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Dante Milano: Descobrimento da Poesia

Resultado de imagem para Antologia da Poesia Brasileira Moderna Carlos Burlamaqui Kopke
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Quero escrever sem pensar.
Que um verso consolador
Venha vindo impressentido
Como o princípio do amor.

Quero escrever sem saber
Sem saber o que dizer,
Quero escrever uma cousa
Que não se possa entender

Mas que tenha um ar de graça,
De pureza, de inocência,
De doçura na desgraça,
De descanso na inconsciência.

Sinto que a arte já me cansa
E só me resta a esperança
De me esquecer do que sou
E tornar a ser criança.


(In Rev. Boletim de Ariel — Rio — 1933)

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Antologia da Poesia Brasileira Moderna, Organização e Introdução de Carlos Burlamaqui Kopke  Clube da Poesia de São Paulo, 1953; Dante Milano (1899 1991), nascido no Rio de Janeiro  RJ, foi poeta e tradutor; nos anos 30 foi colaborador do suplemento "Autores e Livros", de "A Manhã" e do "Boletim de Ariel"; nos anos seguintes trabalhou como tradutor e lançou, em 1953, "Três Cantos do Inferno" de Dante Alighieri e, em 1988, "Poemas Traduzidos de Baudelaire e Mallarmé"; obra poética: Poemas (1948) e Poesia e Prosa (1979).