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[Animal
do Tarde]
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Serviria, o que serve, para o servente?
O uniforme de ferro se forja para o sargento?
A flor de Angustura se põe no ventre?
A xícara de pez se toma como sorvete?
Onde puseste a manhã, ó sábio de Catuípe
enrolado na folha de bananeira?
Como foi acontecer o mar de Cuspe?
Onde se meteu o tigre maltês, um gato
estampado no pano da bandeira?
Pensa em Calígula, pensa em Anaximandro,
no guerreiro-poeta comendo tâmaras
e matando pulgas; pensa no elixir em que não se pensa
para o estômago azedo do infalível computador.
Um estouro.
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Sistema do Imperfeito & Outros Poemas — Guilhermino César, 1977,
Editora Globo, Porto Alegre — RS;
Guilhermino César da Silva (1908
— 1993), mineiro nascido em Pinheiros, atual Pinhotiba, distrito de Eugenópolis,
aprendeu as primeiras letras com Zizinha Negreiros, professora particular,
estudou no Grupo Escolar Astolfo Dutra e no Ginásio Municipal de Cataguases,
iniciou o curso de Medicina, desistiu, formou-se em Direito, foi escritor,
crítico literário, administrador público, jornalista, professor, historiador e
poeta; escreveu seus primeiros versos aos oito anos de idade, fez parte da
geração modernista mineira e participou ativamente, inclusive na fundação, da
modernistíssima revista Verde (1927—1929), editada em Cataguases — MG; o poeta
foi um dos signatários do Manifesto do Grupo Verde cataguasense, que deu origem
à verdejante revista; na década de 1940 mudou-se para Porto Alegre — RS e deu
continuidade às atividades no magistério, à política e à cultura; suas obras:
além de sua atuação na Verde, Guilhermino escreveu e publicou Meia-Pataca (em
parceria com Francisco Inácio Peixoto, 1928), Sul (romance, 1939), História da
Literatura do Rio Grande do Sul: 1737 — 1902 (1956), Ladrão de Cavalo (1964),
Lira Coimbrã e Portulano de Lisboa (poesia, ambos em 1965), O embuçado de Erval
— mito e poesia de Pedro Canga (1968), Arte de matar (1969), Qorpo-Santo:
relações naturais e outras comédias (1969), Primeiros cronistas do Rio Grande
do Sul: 1605 — 1801 (1969), Sistema do Imperfeito & Outros Poemas (1977),
Banhados (1986), Cantos do canto chorado (poesia, 1990) e outros títulos; no
jornalismo, dirigiu o jornalzinho Mercúrio, da Associação dos Empregados no
Comércio de Cataguases, na década de 20, atuou, desde a fundação, na já
mencionada Verde, foi um dos fundadores da revista Leite Criôlo (em Belo
Horizonte, 1929), secretariou os jornais A Tribuna e O Diário, ambos também de
BH, além de ter colaborado em outros periódicos; no magistério, foi
professor-fundador e depois diretor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras
de Minas Gerais, e ali lecionou Literatura Brasileira e História Moderna,
professor, também de Literatura Brasileira, na Faculdade de Filosofia da UFRGS
e na Universidade de Coimbra — Portugal; assumiu funções públicas em Minas
Gerais e no Rio Grande do Sul.