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As
coisas
As coisas não significam
elas confortam
são mansas ao tato
à brancura do sangue
as coisas mais secas e
ríspidas
um livro uma pedra um relógio
são terra vermelha
abrem seus músculos exaustos
ao calor da vida
moldam-se
ao sangue de outras coisas
igualmente vivas
nuas
familiares
— o —
Sombras
Passam
corpos
colados ao silêncio
Sabeis acaso distinguir
um homem
da sua sombra?
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Poesia portuguesa contemporânea
[várias autorias] — Seleção de autorias, Organização, Nota inicial e Traços biobibliográficos
por Carlos Nejar, 1982, Massao Ohno & Roswitha Kempf Editores, São Paulo — SP;
Casimiro Cavaco Correia de Brito (1938 — 2024), português de Loulé, distrito de
Faro, Algarve, fez seus estudos iniciais na região onde nasceu, ali também completou
o Curso Geral do Comércio, na Escola Industrial e Comercial de Faro, tempos depois
frequentou, em Londres, o Westfield College, foi poeta, romancista, contista, ensaísta
e tradutor; criou a página literária Prisma de Cristal do jornal A Voz de Loulé,
na qual recebeu colaborações de literatos da época, dirigiu a coleção de poesia
A Palavra, também com publicações de literatos poetas, fundou e dirigiu, em coparticipação,
os Cadernos do Meio-Dia, aí revelando poetas do movimento literário Poesia 61, do
qual também foi participante; após ter passado um período em Londres — Inglaterra
e na Alemanha, estabeleceu-se em Lisboa e desempenhou funções no setor financeiro,
como gerente de instituição bancária; Casimiro de Brito é considerado, no seu
tempo, um intenso ativista literário e divulgador da poesia nacional portuguesa
e estrangeira; o poeta foi nomeado consultor para a Europa da World Haiku Association,
sediada em Tóquio, e teve outras representações em instituições literárias; suas
obras: em poesia: Poemas da solidão imperfeita (1957), Sete poemas rebeldes e carta
a Pablo Picasso (1958), Telegramas (1959), Canto Adolescente (movimento literário
Poesia 61, 1961), Poemas orientais (Hai-kais japoneses, 1963), Jardins de Guerra
(1966), Musa do Amor (1970), Corpo Sitiado (1976) ..., em prosa: Um certo país ao
Sul (contos, 1975), Imitação do Prazer (romance, 1977), Prática da Escrita (ensaio,
1977), Nós, Outros (romance, em parceria com Teresa Salema, 1979), Pátria Sensível
(romance, 1983), Contos da Morte Eufórica (1984), Vagabundagem na Poética de António
Ramos Rosa (ensaio, 2001) e outros títulos em verso e prosa; traduziu poesias de
vários idiomas, particularmente os hai-kais japoneses, e também teve suas obras
traduzidas para inúmeras línguas, entre as quais a italiana, francesa, japonesa,
alemã, polaca, grega, chinesa, russa, árabe ...; além da extensa obra publicada,
participou ainda de mais de uma centena de antologias e coletâneas poéticas em vários
países; recebeu premiações por suas obras.